Jogadora do Benfica realizou o primeiro treino às ordens de Francisco Neto e falou aos jornalistas na Cidade do Futebol

«Vestir a camisola de Portugal foi motivação extra para superar contratempos»

Pauleta, jogadora do Benfica, fez o seu primeiro treino às ordens de Francisco Neto e recordou as duas lesões graves que teve que atrasaram esta estreia nos convocados da Seleção Nacional

A estrear-se em convocatórias da Seleção Nacional, Pauleta foi a escolhida para falar aos jornalistas no primeiro dia de estágio antes do treino e mostrou-se bastante entusiasmada por vestir a camisola de Portugal pela primeira vez. A média do Benfica espera ter a possibilidade de entrar em campo precisamente daqui a uma semana, na receção à Finlândia em Paços de Ferreira para a fase de qualificação rumo ao Mundial 2027.

«[Sinto] muita felicidade, como tenho dito desde a convocatória. Feliz por estar aqui, por ter esta oportunidade, por conseguir vestir esta camisola. Entrei pelas portas [da Cidade do Futebol] com a Lúcia e com a Kika, com algum nervosismo, mas elas também me ajudaram a passá-las da melhor forma e estou muito feliz», começou por dizer, em declarações aos jornalistas portugueses, incluindo A BOLA.

«É muito bom, é uma semana pela qual eu estou à espera há muito tempo. Sempre quis estar aqui, já desde que cheguei a Portugal [em 2016] trabalhei muito, houve algumas complicações pelo caminho, mas a vida é assim e faz parte do desporto e da vida, e felizmente estou aqui. Vou aproveitar, trabalhar ao máximo, quero já calçar as chuteiras e ir para dentro [do relvado] com elas, porque é para isso que estamos aqui e o que eu mais quero é jogar futebol, claro», acrescentou, mencionado as lesões graves que teve nos últimos anos e desvalorizando a possibilidade de se poder ter estreado mais cedo.

Pauleta nasceu em Espanha, naturalizou-se portuguesa já há algum tempo, mas só agora foi chamada. «As datas não interessam, aliás, tendo os papéis prontos também, é trabalho de quem manda e quem toma as decisões de trazer as atletas, por isso é que eu não posso dizer que poderia ter vindo em X época ou X outra. Desde que cheguei a Portugal trabalhei muito para crescer como jogadora, para evoluir, para ser cada vez melhor. Depois é isso... vieram esses contratempos das lesões. Entretanto, a papelada ficou pronta, mas eu foquei-me sempre em trabalhar, em conseguir voltar a jogar, em conseguir voltar a ser feliz dentro de campo e felizmente isso tem acontecido nestes últimos meses. Tenho jogado mais, tenho ganhado esse ritmo se calhar que não tinha quando comecei, tenho tido importância na equipa, no clube e felizmente chegou essa chamada, portanto o que interessa é mais por aí. Não é as datas, porque afinal as datas, por muito que os papéis estejam prontos, se eu estivesse a treinar mal e estivesse a jogar mal, se calhar nem cá aparecia, portanto eu acho que é mais por aí a mensagem», explicou, afirmando que é especial a estreia poder acontecer em Portugal e não no estrangeiro.

«Sim, é bom sempre estar cá, conseguir jogar cá. Nós sabemos que quando a seleção joga cá em Portugal temos muitos adeptos que vêm ao estádio. É uma festa de futebol feminino e é bom para nós. Nós queremos sempre chamar cada vez mais pessoas ao estádio e que eu possa ter a oportunidade de me estrear em Portugal também seria muito bonito, sim», disse, lembrando que conhece praticamente toda a gente no balneário, o que ajuda à adaptação.

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«Sim, tenho colegas que vêm comigo do Benfica, tenho outras colegas que já jogaram comigo, tenho muitas colegas com as que eu passei anos a batalhar dentro de campo e a jogar contra, e acho que todas nós nos conhecemos. Se não me engano eu só não conhecia a Sierra Cota-Yarde e a Nádia Bravo, que já joguei contra ela nesta época também, mas espero e já vi um balneário muito unido, muito. Muito bem disposto a acolher muito bem a quem chega e isso também é importante, porque depois se traduz para dentro do campo e para o que a equipa faz nos jogos», apontou, afirmando que o sonho em representar Portugal foi mais uma motivação para superar as lesões graves.

«Sim, eu acho que não só a seleção, mas também a seleção, quer na primeira lesão, quer na segunda, nunca pensei em deixar de jogar futebol. Foi sempre a minha ambição, o meu objetivo, acho que quem passa por estas lesões, se não tiver esse objetivo e essa ambição de voltar para dentro do campo, voltar a ser a mesma, voltar a representar o seu clube, e ter a hipótese de representar a seleção da melhor forma possível, não vai trabalhar durante nove, dez, onze meses no limite. E eu foquei-me muito nisso, foquei-me em trabalhar no limite todos os dias para poder voltar a fazer o que eu fazia dentro do campo e claro que a seleção e esse objetivo que eu tinha de representar e de vestir a camisola de Portugal foi um alento, foi uma motivação extra para conseguir fazer essa recuperação da melhor forma», explicou, elogiando o adversário.

«Há muita conversa, mas o que interessa é dentro de campo, é os jogos, é as vitórias. Nós queremos muito começar da melhor forma, começar com um bom pé. Sabemos que a Finlândia é uma equipa difícil, que está a voltar a ser a Finlândia que era há uns anos atrás, que tem muitas jogadoras a competir em bons campeonatos e nós queremos trabalhar agora dentro de campo todos os treinos e na análise do adversário, na análise da nossa própria equipa, para chegar ao jogo e representar Portugal da melhor forma e, claro, conseguir a vitória que todos nós queremos», atirou.

Confrontada com as palavras de Francisco Neto sobre o poder físico ser uma das suas principais armas, Pauleta admitiu. «Se o míster diz, eu não vou não concordar [risos]. Eu acho que é um bocadinho por aí, eu venho ajudar, quero ajudar da melhor forma, seja com essa dimensão física, seja com perceber o jogo, com a bola, com o que for. Eu quero muito ajudá-las, é um grupo extremamente competitivo, elas têm demonstrado isso ao longo dos últimos anos com os papéis que têm feito nas grandes competições e eu só venho ajudar, tentar fazer o melhor que sei lá dentro e tentar, claro que sim, ajudar o grupo a continuar a crescer», justificou, destacando a qualidade que existe no meio-campo, a sua concorrência.

«Este meio campo é muito bom. Nós ainda estávamos ali a falar da linha média há uns minutos atrás e há muita jogadora boa. Acho que a Dolores representa muito bem o que é que o futebol feminino português fez ao longo dos anos e esse crescimento que tem tido. Tenho jogadoras que já joguei aqui, a Andreia Faria, a Jacinto, que já joguei contra ela no Sporting. Acho que é um meio campo de imensa qualidade. A Tatiana está agora a fazer um grande papel também na Juventus. E acho que estamos todas também para nos ajudar umas às outras e esse espírito também é importante de tentar ajudar da melhor forma a equipa para conseguir os objetivos», garantiu.

Sem supresas, a jogadora do Benfica afirmou que, após cumprir o sonho de se estrear por Portugal, o objetivo passa agora por estar presente na fase final do Mundial 2027. «Claro, sem dúvida. É um sonho, é um objetivo, não só o meu, mas acho que do grupo todo e vamos trabalhar esta semana e daqui para a frente para conseguir esse objetivo, claro», prometeu, desvalorizando sentir pressão dentro de campo nesta fase da carreira.

«Eu acho que não pesa [a estreia pela Seleção]. Afinal, eu vinha para aqui e pensava nestes dias, depois de saber que tinha sido convocada, algum nervosismo, mas mais pela parte do convívio, se calhar, que por outra parte. Eu acho que as atletas já conhecia todas, mas conhecer o staff, conhecer todo o grupo de trabalho. Eu sou uma pessoa um bocadinho mais introvertida, mais tímida e pensava nesses momentos, mas a verdade é que dentro do campo nunca pensei que vou ou que fosse estar nervosa, nem que vai pesar nada, porque acho que eu lá dentro... esse chip do nervosismo, da timidez ou da introversão fica de fora e eu lá dentro faço o que melhor sei que é jogar futebol. Portanto o campo não me preocupa, sei que vou trabalhar no máximo para fazer o melhor possível e o fora campo também já não me preocupa porque esse primeiro passo já foi dado hoje, portanto agora é só andar para a frente», garantiu.

Por fim, questionada sobre se concorda com o selecionador ao assumir o favoritismo de Portugal no grupo, Pauleta deu sinal positivo. «Acho que é importante e acho que este grupo já se habituou a ter um bocadinho dessa pressão, ter de demonstrar contra este tipo de equipas que tem de assumir o jogo, que tem de assumir que querem ganhar e que se quer qualificar. Afinal, estamos na Liga B da Liga das Nações, queremos muito chegar ao Mundial, queremos muito subir para a Liga A e se não assumirmos esse favoritismo e essa vontade de querer fazer melhor do que as outras equipas, não vamos continuar a crescer e é um bocadinho por aí», finalizou.