Brasas, comida e bebida não faltam a cada ano na mata. Foto Miguel Nunes
Brasas, comida e bebida não faltam a cada ano na mata. Foto Miguel Nunes

Não há festa como a do Jamor — mesmo para quem perde

Quem já viveu uma final da Taça, por dentro ou por fora, sabe que é um dia único, mesmo que depois se repita mais vezes para alguns. Espero não ser vivo para vê-la fora do Estádio Nacional

Quando se passam largos minutos para sair de automóvel da mata do Jamor, depois da festa, tendemos a achar, e dizer, que «realmente isto é muito bonito mas não tem condições, blá blá blá». Como se não se passassem largos minutos a sair ou a chegar a estádios altamente evoluídos e construídos para o Euro-2004. É assim a vida (e a lógica): quando se juntam milhares de pessoas num espaço limitado não há milagres, mesmo que deputados da Nação já tenham perguntado a uma ministra porque é que as filas de trânsito são enormes e de repente «chega-se ali e começa a andar» se a polícia aparecer. Não é preciso dizer de que quadrante é este deputado, pois não?

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Adiante: não há festa como a do Jamor, e quem já lá esteve sabe do que falo. Não há mau jogo que mitigue o brilho de um dia diferente, vivido de forma única. Claro que um dos lados perde e outro ganha, e a cara de quem ganha nunca será igual à de quem perde. Mas a experiência, mesmo que repetida para os felizardos adeptos dos clubes que mais vezes lá vão parar, é quase sempre boa e feliz. Teremos sempre, obviamente, o triste caso do very light a ensombrar a história da Taça de Portugal, mas como vemos todas as semanas isso poderia (poderá?) acontecer noutro recinto qualquer.

Faz calor e o sol bate e queima ? Sim. As casas de banho não são do melhor? Já foram bem piores. O estacionamento é horrível? Experimentem ir ver um jogo grande ao estádio municipal de Aveiro, construído de raiz fora da cidade, e depois falamos. Quanto tempo se passa para sair de um festival de música, por exemplo? E um dos mais famosos é mesmo ali ao lado.

Espero não ser vivo para assistir à retirada da final da Taça de Portugal do Estádio Nacional. Sei que poderia ser bem mais rentável ter muitos camarotes e é um drama arranjar bilhete para o jogo. Mas ali até vai gente (muita) só para o piquenique, para conviver e depois ver a bola numa TV qualquer, como afinal se faz todas as semanas pelo País fora.

Os próximos dias trarão rios de palavras sobre os deméritos do Sporting, que conseguiu perder a primeira final da história ganha por um clube da segunda divisão. Haverá quem veja o copo da época leonina meio cheio, outros vê-lo-ão meio vazio. Cheio ninguém, claro.

Interessa-me mais, hoje, louvar o mérito do Torreense. Não se chega por acaso ao Jamor e ao play-off da primeira Liga. E é sempre bom confirmar que o futebol é a única modalidade onde David derrota Golias com alguma frequência.

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