«Sporting foi a melhor decisão que tomei na minha carreira», diz Luis Suárez
Luis Javier Suárez Charris. De Santa Marta, localidade colombiana situada na baía com o mesmo nome, um dos principais destinos turísticos do Caribe cololmbiano, para o topo do futebol nacional. Mais um nome gravado a letras de ouro na história dos goleadores do Sporting. E do futebol português. Um caso raro. As expectativas em torno da sua chegada a Alvalade conseguiam ser menores do que o peso de um nome que carregava nos ombros por uma herança que poucos ousariam aceitar: Viktor Gyokeres. Mas já lá vamos.
Todos os detalhes foram escrutinados ainda antes de entrar em campo. Desde a ligação ao símbolo do clube, o leão tatuado no braço esquerdo, a escolha do número 97 para assinalar o ano de nascimento e um novo capítulo na carreira, a primeira onda de entusiasmo, essa, surgiu logo após as primeiras palavras com a camisola dos leões vestida.
«Leão? Identifico-me com o animal pela sua personalidade e caráter, pela garra com que protege a sua manada. Quando recebi a proposta do Sporting nem hesitei porque parecia tudo conectado», disse a 28 de julho do ano passado, data da apresentação oficial.
Passaram 302 dias desde esse momento em que, por norma, se acendem as esperanças dos adeptos. Aquele aperto de mão com o presidente Frederico Varandas a confirmar tudo. A partir daqui, olhos e coração no relvado, o palco onde na realidade tudo importa. E Suárez não desiludiu. Precisou de 112 minutos para se estrear a marcar. Com um grande cartão de visita, pois foi em dose dupla. Na 2.ª jornada, na goleada sobre o Arouca (6-0), marcou o segundo (de penálti) e o quinto golo. A história de Suárez começou ali, em Alvalade, a ser escrita, mesmo ainda com o fantasma do gigante sueco por perto. Que conseguiu afastar a cada jornada que passava.
«O mais importante foi a equipa além do pensamento individual. Penso que consegui dar o meu melhor durante a época para ajudar a equipa a atingir os seus objetivos. Acabámos por não conseguir, mas bem, no final é um sinal de que fizemos um bom trabalho durante a época, apesar de não termos atingido o principal objetivo», começa por dizer a A BOLA o goleador colombiano, que, ainda assim, faz um balanço positivo na Liga.
«O campeonato, apesar de não termos conseguido o tão desejado tri, foi notável e foi por isso que consegui ganhar este prémio», sustenta.
Razões para escolher Portugal
Suárez corre e luta como se de uma promessa, obcecado por títulos, se tratasse. Mas, aos 28 anos, são já muitos os capítulos de uma carreira, alegrias e desilusões, que começou no Itagui Leones FC e que passou por vários campeonatos europeus antes de se afirmar no sul de Espanha, no Almería, antes de rumar a Lisboa.
«O Sporting foi a melhor decisão que tomei na minha carreira, sem dúvida. Desde logo porque queria continuar a fazer o que fazia no Almería: continuar a jogar, a fazer golos, e não dar um salto para um local onde me pudesse custar a adaptação. Queria uma liga onde pudesse dar essa continuidade ao bom momento em que estava na altura», reforça, completando logo a seguir: «Vir para um grande clube como o Sporting, poder jogar Liga dos Campeões, penso que essa boa decisão se refletiu em campo. Foi o melhor que podia ter feito.»
«Falta marcar o golo que vale um campeonato»
Luis Suárez não hesita na resposta. Antes de rumar a Alvalade já tinha conhecimento da grandeza dos leões. Um clube que lutava por títulos, em crescimento, com adeptos capazes de marcar a carreira e o percurso de um futebolista. «Bem… de fora já tinha notado o quão grande era o Sporting. Pelo seu historial, pelos muitos jogadores que aqui passaram. E na verdade posso dizer que jogamos sempre em casa, é algo incrível, mas quando estamos aqui dentro é óbvio que nos surpreende ainda mais», destaca o colombiano.
Marcou 28 golos na Liga, afinal qual foi o que faltou marcar? «Penso que o golo que vale um campeonato. Mas agora, neste momento, não podemos chorar sobre o leite derramado», sublinha.