Ricardo Horta, capitão do SC Braga, ficou fora da lista de Portugal para o Mundial-2026 - Foto: Imago
Ricardo Horta, capitão do SC Braga, ficou fora da lista de Portugal para o Mundial-2026 - Foto: Imago

Unanimidade (in)esperada

'Ecos da Pedreira' é o espaço de opinião de Diogo Costa, médico interno de Psiquiatria e associado do SC Braga

Torna-se difícil não mencionar a lista de convocados do selecionador Roberto Martínez para o Mundial-2026. Como é compreensível, a escolha do grupo de jogadores para uma grande competição estará sempre sujeita a críticas, pela variabilidade de opiniões a que o futebol se predispõe.

Até ao momento, a gestão do grupo e das opções ao seu dispor tem deixado a desejar, parecendo existir pouca ou nenhuma abertura para que jogadores em bom momento de forma mereçam a convocatória. Pontualmente, houve exceções, como foi o caso de Carlos Forbs no passado mês de novembro, ou de Rodrigo Mora na fase final da Liga das Nações-2025. Mas, também pontualmente, houve jogadores que, pelo seu desempenho, fizeram por merecer convocatória que não chegou em tempo útil.

Um desses, e talvez o mais evidente, é o de Ricardo Horta. Goleador máximo da história do Sporting Clube de Braga, jogador com alta rotação europeia e com experiência internacional, inclusive no Mundial de 2022, um sinónimo de certeza e competência que, ao longo da presente época, faturou 21 vezes e deu a marcar 11 golos. Números estes numa equipa que atingiu as meias-finais da Liga Europa, competição na qual fez quatro golos e quatro assistências. Foi traído no final da temporada por uma lesão que teve um impacto coletivo, mas a sua ausência da lista final de Portugal é altamente questionável e foram várias as origens da contestação desta decisão, cuja incompreensibilidade é praticamente unânime.

Além do mais, parece ganhar força a ideia e a forma como o selecionador olha, considera e desvaloriza a nossa Liga nacional e quem nela participa, algo que deve fazer pensar.

Com a recente conquista da Taça de Portugal pelo Torreense, que congratulo pelo mérito e justiça da mesma, o SC Braga será, expectavelmente, relegado para a Liga Conferência. Uma mudança de paradigma, com as mesmas perspetivas de chegar longe e vincar a marca europeia do clube.

Como fui falando em textos anteriores, os resultados e a evolução observada ao longo da época, juntamente com a possibilidade de reforçar, ajustar e preencher o plantel no presente mercado de verão, deixa todos na expectativa para uma época de sucesso.

A valorização do plantel é inegável, bem espelhada no recente recorde de transferências nacionais relativo à venda de Rodrigo Zalazar por 30 milhões de euros, e o treinador Carlos Vicens conseguiu atingir um perfil de unanimidade no que diz respeito à sua continuidade.

Esperemos que a felicidade e a fortuna estejam do seu lado, para que o seu nome possa, e porque é meritório, ficar gravado na história do clube.

A união vivida entre clube, cidade, adeptos e sócios ao longo da presente época e as memórias dos ambientes vividos em Sevilha, Friburgo e em vários outros momentos, ficarão para sempre.

Por isso, e recuperando o título do artigo do dia 14 de abril, reforço a sensação positiva para 2026/2027, porque «Enquanto houver estrada para andar…».

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