Aos 47 anos, Valentino Rossi mantém bem viva a paixão pela competição motorizada      Fotografia Imago
Aos 47 anos, Valentino Rossi mantém bem viva a paixão pela competição motorizada Fotografia Imago

Valentino Rossi quer licença para Nurburgring ainda este ano e pode competir contra Max Verstappen

Italiano, que tem competido no GT World Challenge Europe, agradado com a hipótese de tirar a licença especial para guiar em Nordschleife, mas apenas o fará pela BMW

Valentino Rossi, o lendário nove vezes campeão do mundo de MotoGP, tem como objetivo obter a licença para o Nordschleife antes do final de 2026, um passo fundamental para concretizar o seu sonho de competir nas 24 Horas de Nürburgring com um carro GT3. E quem sabe fazê-lo conta o quatro vezes campeão de Fórmula 1 Max Verstappen.

O piloto de fábrica da BMW e a sua equipa de gestão estão a procurar uma oportunidade numa das próximas rondas do Nürburgring Endurance Series (NLS) para que o italiano, de 47 anos, possa adquirir a DMSB Permit Nordschleife (DPN). A condição é que a participação seja feita ao volante de um BMW.

Este objetivo tornou-se mais viável graças a uma recente simplificação das regras para obter a licença, que funciona como uma espécie de «carta de condução» para o mítico circuito. Agora, Rossi precisa apenas de completar uma corrida e oito voltas num evento do NLS ou nas 24h Qualifiers, sem cometer infrações, para além da sua licença de competição normal.

À margem das 24 Horas de Spa, o transalpino, que deixou o MotoGP após a temporada de 2021, confirmou o seu entusiasmo com as novas regras. «Sim, porque agora parece que se pode obter a licença num único fim de semana. Estamos a falar com a BMW para organizar tudo. As 24 Horas de Nürburgring estão definitivamente na minha lista de desejos. Espero que consigamos concretizá-lo com a BMW», declarou.

Recorde-se que, no passado, a complexidade dos regulamentos para a obtenção da licença foi o principal entrave à participação de Rossi. Desde a sua transição para as corridas de GT3 em 2022, os organizadores, ADAC Nordrhein, tentaram atrair o ícone do desporto motorizado, mas sem sucesso devido à rigidez das normas anteriores.

Calendário e escolha do carro são os próximos desafios

A grande questão para a estreia de Rossi no Nordschleife prende-se com o seu calendário preenchido no GT World Challenge Europe. A sua participação na próxima prova do NLS, a 6h ADAC Ruhr-Pokal Race, a 1 de agosto, já está descartada por coincidir com a ronda do GTWC Sprint Cup em Magny-Cours.

Outro conflito surge no fim de semana de 12 e 13 de setembro, quando o NLS tem uma jornada dupla. Na mesma data, realizam-se os 1000km de Suzuka, uma prova do Intercontinental GT Challenge (IGTC) na qual Rossi manifestou grande interesse em participar.

A decisão sobre a sua ida ao Japão estava dependente da classificação no campeonato após as 24 Horas de Spa. Rossi encontra-se em 9.º lugar, com 23 pontos, longe do líder Maro Engel (68 pontos). A BMW, por sua vez, poderá optar por focar-se nos seus pilotos mais bem classificados, Max Hesse (38 pontos) e Dan Harper (26 pontos), o que poderá influenciar a decisão final.

Quanto ao carro para a corrida de obtenção da licença, o novo BMW M2 Racing, a ser lançado ainda em 2026, é visto como a opção ideal do ponto de vista de marketing. O modelo, com um motor de 308 cv, cumpre os requisitos para ser conduzido com a licença de nível inferior (Permit B). A equipa ainda não foi definida, mas várias formações especializadas na obtenção de licenças, como a FK Performance ou a Sorg Rennsport, utilizam este modelo.

Rossi segue os passos de Verstappen

Depois da mediática participação de Max Verstappen em maio de 2026, Valentino Rossi torna-se a segunda grande estrela mundial a ambicionar competir na clássica de resistência alemã. A possibilidade de juntar os dois ícones na mesma grelha de partida seria um enorme trunfo para o evento.

No seu quinto ano como piloto de GT3, Valentino Rossi continua a impressionar, competindo ao mais alto nível contra pilotos profissionais de categoria Ouro e Platina, apesar de ter a classificação Prata da FIA. Em 2026, regressou a tempo inteiro ao GTWC Europe, após duas épocas no WEC, o que lhe permite focar-se em eventos de prestígio selecionados.

Valentino Rossi enfrenta uma decisão crucial para obter a licença de competição necessária, com duas opções estratégicas em cima da mesa que envolvem o calendário do NLS e do GTWC.

Uma das hipóteses passa por participar na jornada dupla do NLS em setembro. Esta opção oferece uma dupla oportunidade para garantir a licença, funcionando como uma salvaguarda contra as imprevisíveis condições climatéricas de Nordschleife. Caso algo corra mal na prova de sábado, Rossi teria uma segunda tentativa no domingo.

A alternativa é competir na prova final da temporada, a NLS10, agendada para 10 de outubro. Esta data não entra em conflito com qualquer evento do GTWC, mas coincide com a final do IGTC em Indianápolis. No entanto, Rossi já confirmou que não irá defender a sua vitória do ano passado nessa competição.

A escolha resume-se, portanto, a um dilema: arriscar tudo na única corrida de 10 de outubro, sujeita às adversas condições climatéricas de outono, ou optar pela segurança da jornada dupla de setembro, que lhe poderia permitir chegar à prova final de outubro já ao volante de um carro GT3.

Esta decisão torna-se ainda mais crítica ao olhar para o futuro, uma vez que o calendário de 2027 apresenta pouca flexibilidade, com as primeiras rondas do NLS a colidirem frequentemente com as provas de abertura da temporada do GTWC.

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