Jesus abre a porta a Rodrigo Mora e João Palhinha
Não que fosse necessário dizê-lo, mas assim ficou tudo em pratos limpos: com Jorge Jesus, a Seleção vai jogar de forma diferente e com uma estrutura tática semelhante a todas as suas equipas que treinou nos últimos 10/15 anos, situando-se entre um 4x2x3x1e um 4x4x2 (para trás estão os tempos dos três defesas, quando quase ninguém os usava em Portugal).
Isto significa que do ponto de vista da arrumação das peças, há duas posições que prometem novidade: o médio defensivo e o segundo avançado. Ainda estamos longe de 24 de setembro, data do primeiro jogo da Seleção na era JJ, mas é legítimo analisar já este cenário à luz do que se passa no arranque das equipas nacionais e do mercado de transferências. E vale a pena concentrar em dois nomes: Palhinha e Rodrigo Mora.
Parece óbvio que João Félix deixará a ala esquerda e vai fixar-se onde nunca devia ter saído: jogando atrás do avançado (Cristiano Ronaldo, Gonçalo Ramos ou ainda um outro que possa vir a merecer a chamada), onde teve os seus melhores momentos da carreira, quer no Benfica e agora no Al Nassr, onde foi treinado precisamente pelo treinador português. Mas este também poderá ser um lugar para o qual o jovem médio/avançado do FC Porto encaixaria, do ponto de vista teórico, como uma luva.
Para tal, terá um enorme desafio pela frente: conquistar um lugar no onze inicial dos campeões nacionais. Nunca será nessa posição, porque Francesco Farioli tem outra ideia tática, mas há princípios do técnico italiano que podem e devem ser assimilados para próprio crescimento, não só para se assumir como um indiscutível nos azuis e brancos mas também para bater à porta de Portugal com outro estatuto: a reação à perda, a capacidade de ligar em toques curtos e maior objetividade nas transições ofensivas. Aliando isso com o talento que possui, antevê-se uma frescura na Seleção.
Quanto à posição 6, penso que se abrem portas novamente para um jogador com um perfil mais físico. Tem sido assim em todas as equipas de Jorge Jesus. E por isso é natural que Palhinha volte a ganhar um estatuto entretanto perdido, a ponto de ter ficado fora do Mundial disputado no continente americano. Não que uma coisa esteja relacionada com a outra, mas a escolha que o médio formado no Sporting fizer neste mercado de transferências poderá ser também direcionada para esse objetivo pessoal. Ser titular num grande português como o Benfica terá, no atual contexto, um peso ainda maior.