Rui Borges, treinador do Sporting - Foto: Miguel Nunes
Rui Borges, treinador do Sporting - Foto: Miguel Nunes

Um jogo «especial», novidades e (muito) Suárez: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting projetou a partida frente ao V. Guimarães, confirmou um reforço e abordou as situações de Daniel Bragança e Pedro Gonçalves. O colombiano, no entanto, foi o tema quente da conferência

— Qual é a sensação de voltar casa e uma análise ao V. Guimarães?

— É uma felicidade voltar a casa e para os nossos adeptos. Saudades de sentir Alvalade ao nosso lado. Mesmo para a equipa, que é jovem, que tem muitas entradas, é importante sentirem esse carinho. Estamos todos felizes por voltarmos ao Alvalade. Em relação ao adversário, o Vitória, passei naquela casa, é um jogo sempre especial. É uma equipa que tem uma paixão diferente; os jogadores que a representam sentem e sabem aquilo que é a paixão do Vitória. Perderam na primeira jornada, mas foi a equipa que mais rematou e que mais cruzamentos. É uma equipa jovem, mas muito competitiva. Com um bom treinador, novo, cujas equipas são muito bem organizadas em termos defensivos. Se calhar, noutros momentos, eram equipas de mais transição — acredito que amanhã, aqui ou ali, o Vitória também o possa ser — mas é uma equipa que, por tudo o que é o seu passado, vai querer dividir o jogo. Uma boa equipa, que nos causará problemas, com toda a certeza. Mas também estamos num processo de crescimento, queremos ser melhores e ganhar. Primeiro jogo em casa da época para o campeonato, temos de ter essa confiança e capacidade de sair sobre um bom Vitória, mas conseguir os três pontos para o nosso lado.

— Esta semana foi notícia um alegado conflito entre o Luis Suárez e o Pedro Gonçalves. Houve algum conflito?

— Não. O único mal-estar que existe neste clube é coletivo. Porque é uma casa que quer ganhar, que está habituada a ganhar e, infelizmente, não fomos capazes de o fazer na primeira jornada do campeonato. E isso sim, cria um mal-estar individual em todos nós, para sermos melhores, crescermos e, acima de tudo, ganharmos, que é isso que queremos todos.

— As saídas iminentes de Pedro Gonçalves e Daniel Bragança são processos que podem ser revertidos no futuro?

— Se no fim do mercado estiverem aqui, são jogadores do clube e contaremos com todo o gosto com eles. São dois grandes jogadores, deram e continuarão a dar, se for o caso, muito ao Sporting. São dois jogadores que querem novos desafios. Têm esse desejo. Há algum receio de lesão também... tudo leva a isso. Por isso, temos de ter aqui algum diálogo e temos tido, felizmente. Eles têm treinado, e têm treinado bem, têm feito por eles e têm ajudado na integração da malta nova. Acabam por ser jogadores importantes também na passagem do ADN Sporting, do que é ganhar no Sporting, viver Sporting. Agora, temos de esperar para perceber o que será o mercado.

— Confirma as presenças de Ba e Debast na convocatória? Que análise faz de Irankunda?

— Sim, o Ba e o Zeno [Debast] já estão disponíveis para o jogo. Claro que não estão na sua melhor forma, mas estão convocados e podem ir a jogo. Em termos de minutagem, como é lógico, são jogadores que não estão para muitos minutos, mas são importantes para o grupo. Feliz por ver mais duas opções disponíveis e que serão muito importantes ao longo de toda a época. Em relação ao Irakunda, não vou estar aqui a mentir, ele está a assinar agora. É um jogador que nós queríamos muito e que vai acrescentar muito ao nosso coletivo. É um jogador diferente daquilo que temos em termos de características e, pessoalmente, estou muito ansioso para trabalhar com ele, perceber melhor ainda o que pode acrescentar à equipa e tornar-nos mais fortes.

— O Maxi Araújo está fisicamente disponível para fazer 90 minutos frente ao Vitória? Em relação ao Rodrigo Dias, dá garantias de que o Sporting não precisa de outro lateral esquerdo?

— O Rodrigo Dias está no processo de crescimento. Jogou, tem treinado connosco, começou a pré-época connosco e mantém-se connosco. É um miúdo que tem tido esse crescimento e esse mérito. Foi cimentando a sua qualidade, foi crescendo, sempre muito focado, muito concentrado. Por isso, mereceu a oportunidade, cumpriu e jogou muito bem. Fez um bom jogo, bastante competente. E quando tiver de ser opção, será opção. Podemos, dentro daquilo que o mercado nos possa oferecer ou não, e dentro daquilo que são as nossas possibilidades também, acrescentar um segundo lateral esquerdo. Volto a dizer, o Rodrigo Dias neste momento é jogador da equipa B que está a treinar com a equipa principal. É esperar um bocadinho o mercado e perceber o que nos dá. Em relação ao Maxi, já no último jogo de pré-época fez 80 minutos. Por isso, pela sua energia, pela sua capacidade, estará preparado para aquilo que é a exigência do jogo ao longo de 90 minutos. É mais um jogador para acrescentar qualidade, um jogador importante na nossa equipa que poderá estar para o jogo de amanhã.

— O Suárez tem acumulado episódios polémicos. O jogador quer ficar ou quer sair do Sporting?

— Em relação aos episódios, eu desconheço esses episódios. É jogador do Sporting, está a treinar desde o dia que nós dissemos que tinha de treinar. Treina bem, vai a jogo; não treina bem, não vai a jogo. Não houve qualquer episódio. Está convocado para amanhã. Em relação à exbição no jogo do Estrela, não empatámos pelo Luis. Não há aqui um só culpado, o maior culpado será sempre o treinador e assumirei sempre essas culpas sem qualquer problema e com toda a humildade. Não há problema nenhum. É um jogador importante e foi importantíssimo na época passada; será um jogador importantíssimo ao longo desta época também e está no processo para atingir a sua melhor forma.

— No final do jogo com o Estrela, fez um reparo a Eduardo Quaresma. Continua com total confiança no central? Pensa que o primeiro golo estrelista devia ter sido anulado?

— Independentemente daquilo que é a minha opinião, não vou falar de arbitragem. Estamos na segunda jornada do campeonato. Temos de valorizar o nosso jogo, o nosso campeonato e não desvalorizá-lo — estamos sempre a desvalorizá-lo. Não esperem da minha parte esses comentários. Sobre o Quaresma: eu não critiquei. Fizeram-me uma pergunta direta daquilo que era o Quaresma no lance do primeiro golo. Disse que fez um grande jogo. A confiança nem está em casa. Independentemente de ser falta ou de não ser falta — na minha opinião também era falta — não marcou, tem de seguir e não podemos condicionar. Foi a única coisa que disse: que não podia parar. De resto, não empatámos por causa disso. O futebol é feito de erros, às vezes coletivos, outras vezes mais individuais. Senão não havia golos. Jamais apontarei o dedo a um erro individual de quem quer que seja. Não o fiz, não o vou fazer agora. Falei diretamente do Edu porque me perguntaram diretamente do Edu na pergunta. A confiança nem sequer está em causa. Tem tido um crescimento excecional enquanto jogador, enquanto pessoa e por isso é que está no lote dos capitães. E espero que continue a dar a resposta que tem dado.

— Suárez tem recorrido às redes sociais para publicar mensagens bíblicas enigmáticas. Está bem psicologicamente para jogar pelo Sporting? Como é que o mister viu o 'namoro' com o Fenerbahçe, no verão?

— Nem é assunto, o Fenerbahçe. É natural: melhor marcador do campeonato português. É natural que queiram o Suárez, como querem o Geny, como querem muitos outros jogadores. Faz parte do mercado. Nem estou preocupado com isso. Volto a dizer, apareceu no dia que tinha de aparecer, está a treinar desde esse dia. Treina bem, não está na sua melhor forma física, está à procura disso. Tem treinado bem, vai para jogo amanhã. Em relação àquilo que são redes sociais, tantos jogadores metem mensagens. Ele já mete há um ano várias publicações. A malta lembrou-se agora de pegar nas publicações há uma semana. Não é assunto. Treina bem, vai para jogo.

— No jogo contra o Mafra, tanto o Suárez como o Rafael Nel marcaram. É um indicador de que o colombiano está comprometido, mas também se o Nel deve ter direito a mais minutos?

— O Nel faz parte do plantel, vai ter os minutos que acharmos. À primeira jornada estão-me a perguntar se ele merece mais minutos... só temos 90 minutos de campeonato. Na pré-época, fez imensos minutos e jogou bem. O Luis fez golo com o Mafra e fez golo com o 1.º Dezembro. É o normal dele: faz golos e é isso que queremos. Tanto do Luis, como do Fotis, como do Nel. São três avançados com características diferentes, e que nos tornam num coletivo mais forte. É esperar que tenha sempre os três disponíveis e na sua melhor forma os três. Mais uma dor de cabeça para o treinador.

O onze 'pedido' pelos adeptos para o jogo com o Vitória:

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