Contrato de Rui Borges passa a ser válido até 2028, com opção do clube até 2029 - Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Contrato de Rui Borges passa a ser válido até 2028, com opção do clube até 2029 - Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Um café e uma dose de bazófia pela manhã

Nuvens negras que pairam em Alvalade pediam outra gestão do momento, com menos soberba e mais serenidade. Equipa desabou nas decisões como castelo de cartas, mas porquê?

Num mês de abril que só deverá ser lembrado para não ser repetido, o Sporting, num piscar de olhos, viu o mundo desabar e passou de sonhar com o tri com dobradinha e as meias-finais da Liga dos Campeões para ter de se agarrar à final da Taça de Portugal e desejar um deslize do Benfica para que a época não seja um fracasso. A renovação de contrato com Rui Borges estava há muito alinhavada, mas pecou no timing.

A conjuntura no leão é delicada e de pouca consolação servirá aos adeptos ficar a pensar nos ses até à próxima época. Do presidente de um grande clube como o Sporting espera-se mais do que desculpas esfarrapadas e exercícios de futurologia sem nexo para explicar o desabar da equipa em três semanas. Depois do colapso contra Aves SAD e Tondela, tão somente os dois últimos classificados da Liga, já nem a Champions é certa e Rui Borges reconheceu o extremo desgaste da equipa e o peso que as lesões em vários elementos nucleares para gestão do plantel tiveram. Poderia servir de aprendizagem, mas Varandas preferiu entrar no jogo da fanfarronice e da ironia e logo disparou que meia Premier League está louca para levar o departamento médico e de preparação física do clube.

É demasiado redutor olhar assim para o esvaziar do balão da equipa, a quem começaram a faltar as pernas depois do Arsenal e que foi do céu ao inferno naqueles 90 segundos que separaram o golo anulado a Nel e o de Rafa, no dérbi. É muita coisa em sequência para uma equipa só, mas o plantel pouco profundo e que, com Varandas a treinador tinha outra gestão, foi construído por quem? Lesões vão sempre existir e desgaste também, mas convém olhar para a floresta e não para a árvore.

Dos três primeiros classificados, o Sporting, por não ter participado no Mundial de Clubes, foi o único com uma pré-época normal e tem os mesmos jogos de Benfica (52) e mais dois do que o FC Porto. Fará assim tanta diferença? O SC Braga, se chegar à final da Liga Europa, terminará a época com... 61.

Com todas as certezas do mundo, o presidente garantiu, num dos muitos ses, que, se a equipa não tivesse eliminado o Bodo/Glimt, o tricampeonato era dado adquirido. Pois bem, até poderia ter acontecido, nunca saberemos, mas fica por explicar a direta relação entre uma possível eliminação diante dos noruegueses e a perda de (vários) pontos por parte do FC Porto de seguida para entregar a liderança.

Mais: se o Sporting precisou de se esfarrapar para ultrapassar o Bodo/Glimt, a si o deve, porque uma semana antes assinara um jogo ruinoso (0-3) na Noruega. Mas, sim, já sabemos: se o relvado do Bodo/Glimt não fosse sintético, a história teria sido outra.

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