Francesco Farioli acredita que o FC Porto está pronto para ganhar mais um troféu
Francesco Farioli acredita que o FC Porto está pronto para ganhar mais um troféu

Tristeza pelo relvado, o mercado e um troféu para ganhar: o que disse Farioli

Treinador do FC Porto deixou críticas ao estado do 'tapete' da final da Supertaça, falou demoradamente do mercado e dos milhões que os dragões não têm para gastar. Pelo meio deixou elogios ao adversário, mas vincou que os azuis e brancos vão entrar intensos, como sempre

Francesco Farioli garantiu um FC Porto preparado, física e mentalmente, para atacar a Supertaça, após uma pré-época «feita da forma correta» e com foco total em transformar o trabalho em rendimento competitivo. O italiano sublinhou que a identidade forte da época passada não está em causa, defendendo uma equipa intensa, pressionante e com ideias claras com bola, ainda que admita ajustes pontuais face às maiores exigências internas e europeias. Perante um Torreense que elogiou pelo percurso e organização, Farioli pediu concentração no que está sob controlo dos dragões, afastando fatores externos como arbitragem ou as más condições do relvado de Coimbra, que criticou abertamente. Sobre o mercado, revelou total alinhamento com a SAD quanto às necessidades do plantel, mas reconheceu limitações financeiras, apontando para criatividade nas soluções até ao fecho da janela.

A ambição e a fome de vencer são características deste FC Porto. Como está a fome do mister Francesco Farioli e da equipa para o primeiro jogo oficial da época?

— Trabalhámos da forma correta durante a pré-época, desde o primeiro dia. Obviamente que este tem sido o nosso objetivo, tínhamos uma contagem decrescente para chegar a este dia na melhor forma possível. Os jogadores voltaram das férias em excelente forma, trabalharam muito afincadamente, dia após dia. Por isso, penso que mentalmente e fisicamente estamos onde temos de estar. E, claro, agora cabe-nos transferir todo o trabalho que investimos numa grande exibição, para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para vencer este troféu.

Ainda relativo à época passada, houve um denominador comum entre todos de que o FC Porto foi campeão porque conseguiu uma identidade muito forte que, de alguma forma, também surpreendeu os adversários. Qual é hoje o maior desafio? Manter essa identidade ou é conseguir reinventar a equipa não perdendo aquilo que caracterizou a equipa na época passada?

— Acredito que, no futebol moderno, as surpresas são... surpresas por não mais do que 45 minutos. Por isso, na realidade, acho que a forma como jogámos e a forma como queremos ser foi muito clara no passado e será clara no futuro. Depois, isso não significa que não tenhamos margem de melhoria. E quando falamos de coisas a melhorar, há coisas que é preciso repetir e fazer melhor, e há algumas coisas que temos de considerar mudar — não mudar apenas por mudar, mas mudar porque as exigências vão ser diferentes. A competição interna e também, claro, a Liga dos Campeões vão obrigar-nos a fazer coisas diferentes. Por isso, agora estamos novamente num momento em que temos de ver quem somos e quem queremos ser. E, nessa parte, sabe que há princípios que são negociáveis: ser uma equipa muito intensa, uma equipa que vai colocar um certo nível de pressão contra qualquer tipo de adversário, uma equipa que, com bola, tem clareza sobre o que quer fazer. E, depois, há o estudo e a análise semanal sobre contra quem vamos jogar e como tentar encontrar a solução adequada para enfrentar todo o tipo de adversário.

Acredito que, no futebol moderno, as surpresas são... surpresas por não mais do que 45 minutos. Por isso, na realidade, acho que a forma como jogámos e a forma como queremos ser foi muito clara no passado e será clara no futuro

Sobre este Torreense, o que espera de uma equipa que surpreendeu o Sporting no último jogo da Taça de Portugal? Qual é a sua opinião em relação à arbitragem portuguesa?

— Sobre o jogo, o que está sob o nosso controlo é prepará-lo devidamente e fazer as coisas bem. Depois veremos as notícias, porque estamos a lê-las da mesma forma que vocês, e nada mais do que isso. Sobre o Torreense, acho que fizeram um percurso fantástico. Claro que o Diogo [Costa] mencionou a final, que foi uma conquista bastante impressionante, mas também todo o caminho que fizeram para lá chegar. O que fizeram nas últimas semanas para se prepararem para este jogo, para a liga e também para preparar o plantel para as competições europeias que vão jogar. Por isso, mais uma vez, muito mérito pelo que fizeram, muito respeito, como sempre, mas também muito foco em nós próprios, nas coisas que queremos fazer e na abordagem que queremos ter.

O futebol perdeu uma lenda italiana: de que forma é que Baresi inspirou Farioli? E se a forma como o mundo recorda hoje Baresi — como alguém que só vestiu duas camisolas em toda a vida, a do Milan e a da seleção — pode ser usada por si para inspirar o Diogo Costa a não pensar em ir embora?

— (risos) Muitas coisas! Começando pela última: acho que já expressei a minha opinião de forma bastante clara... Por mim, adoraria trabalhar para sempre com o Diogo, pelo jogador que é, pelo capitão que é e, especialmente, pela pessoa que consegue ser na sua vida, dentro e fora do campo. Nessa parte, há zero dúvidas, mas não sou o único a sentir isto. Sobre a perda do Franco Baresi: claro que, da minha parte, envio as minhas sentidas condolências à família dele, à família do Milan e, especialmente, a todo o futebol italiano, porque perdemos uma lenda. Sabemos muito bem o que significa perder uma pessoa tão importante. Baresi foi um dos nomes que me fez crescer quando comecei a ver futebol. O que fez pelo Milan, o facto de ter jogado toda a vida no mesmo clube, o que fez pela seleção... Há muitas histórias famosas sobre aquela linha de quatro defesas e o que eles fizeram. Marcaram definitivamente a história do futebol pelos títulos que conquistaram, mas também pelo que deixaram em termos de capacidade para serem tão inovadores e revolucionários naquele Milan.

O que achou do relvado do Estádio Cidade de Coimbra?

É bastante triste jogar um jogo tão importante num campo nestas condições. Estávamos a brincar há pouco que descobrimos um novo tipo de relvado híbrido: com relva e sem relva! Mas é o que é

— Sobre a relva do estádio: esse é outro tópico. É bastante triste jogar um jogo tão importante num campo nestas condições. Estávamos a brincar há pouco que descobrimos um novo tipo de relvado híbrido: com relva e sem relva! Mas é o que é. Infelizmente, chegamos a este jogo com muita incerteza: a situação dos árbitros, o relvado que não é o ideal... Mas tudo isto tem de ser posto de parte, porque o que temos de fazer é preparar-nos muito bem. O campo vai estar mau para nós e para eles. Por isso, foco total, sem álibis, e entrar em campo com ainda mais atenção — se é que era preciso — para ter uma grande exibição.

Adoraria trabalhar para sempre com o Diogo, pelo jogador que é, pelo capitão que é e, especialmente, pela pessoa que consegue ser na sua vida, dentro e fora do campo. Nessa parte, há zero dúvidas, mas não sou o único a sentir isto

Martim Fernandes e Pietuszewski estão em condições para ir a jogo e até como titulares, tendo em conta que há um problema na lateral direita?

— Ambos estão em muito boas condições. Claro que estão a regressar de lesão, mas treinaram ontem, treinaram hoje totalmente e ambos estão com um excelente espírito e em grande forma. Por isso, ambos estão prontos para fazer parte do jogo desde o início ou para entrar durante a partida.

Disse que o plantel necessitado de reforços para tornar a equipa mais competitiva — não abriu o jogo relativamente aos jogadores de que precisa, nomeadamente para a lateral esquerda e avançado. Essa necessidade tem muito a ver com a presença na Liga dos Campeões e com o reforço dos rivais?

— Acho que é bastante natural e penso que a minha análise da equipa foi sempre muito lógica sobre o que temos, o que precisamos e o que é o futuro próximo para nós. Foi assim no verão passado, foi assim em janeiro, altura em que acredito que, conjuntamente com o clube, nos movimentámos muito bem no mercado, adicionando os jogadores de que precisávamos para competir e preparar-nos de acordo com diferentes cenários possíveis. De certa forma, se pensarmos nas últimas movimentações — como a chegada do Terem [Moffi] e do Seko [Fofana], juntando à do Thiago [Silva] e à do Oskar [Pietuszewski] — foram cartadas para reforçar a equipa em posições que já precisávamos. As movimentações do Seko e do Terem foram de dois jogadores para dar força e reforçar a equipa. E, no final, pela forma como as coisas correram — a lesão do Samu que se seguiu e o impacto do Seko e a oportunidade para o Victor [Froholdt] poder 'respirar' um pouco —, sinceramente deu-nos a oportunidade de chegar ao fim da época a competir nas três competições com muita qualidade e com várias soluções possíveis para mim e para a equipa. Por isso, nessa parte, com o clube estamos absolutamente alinhados sobre o que a equipa precisa para dar um passo em frente, para manter um certo nível de competitividade no campeonato e pelo facto de termos de elevar o nosso nível. Após um ano de trabalho, sabes perfeitamente onde precisas de mexer e do que a equipa precisa. Por outro lado, é claro que é também porque o nível da competição está a subir. Pode-se ver claramente o impacto das decisões dos rivais em mudarem de certa forma para tentar alcançar um determinado nível de competitividade. E depois, claro, a Liga dos Campeões, que é claramente um nível superior de competição. Penso que as palavras do presidente há poucos dias sobre as nossas prioridades e o que temos de fazer no mercado estão lá, não dão margem para interpretações. Nessa parte há alinhamento, alinhamento total sobre o que queremos fazer. E agora, claro, há a outra parte: o que podemos fazer. É aqui que reside a razão pela qual as coisas se estão a atrasar um pouco, porque a possibilidade — a capacidade financeira — é um pouco diferente dos números que lemos diariamente na comunicação social, onde parece que podemos gastar 20 ou 30 milhões aqui e ali. A realidade é um pouco diferente, por isso é o momento de sermos criativos, encontrar a solução adequada para ter, no fecho do mercado, um plantel que possa competir novamente com a energia certa.

Com o clube estamos absolutamente alinhados sobre o que a equipa precisa para dar um passo em frente, para manter um certo nível de competitividade no campeonato e pelo facto de termos de elevar o nosso nível.

— O Torreense, que tem 13 reforços, mas manteve alguma da base da época passada, está bem estudado pelo FC Porto?

— Sim, é uma mistura. Claro que a maioria dos jogos que analisámos foi da época passada, além, claro, dos últimos jogos de preparação. E nesses últimos jogos amigáveis consegue-se reconhecer claramente a mesma estrutura, a mesma filosofia que tinham na época passada, as mesmas rotinas com bola, a mesma forma de interpretar os momentos sem bola. Claro que o que difere da época passada é o facto de haver muitos jogadores novos. Mas o que costumamos fazer para todos os adversários é ter sempre dois tipos de análise: uma coletiva e uma individual e foi isso que fizemos. Obviamente que no início da época é sempre um pouco mais complicado ter uma imagem clara sobre quem vamos enfrentar com as novas adições e, especialmente, sobre como essas novas adições vão interagir no novo sistema.

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