Treinador do Southampton, Tonda Eckert, assumiu o erro, mas a Direção manteve-o no cargo - Foto: IMAGO

Treinador do Southampton pede perdão após escândalo de espionagem

Tonda Eckert assimiu que enviou emissários para assistir aos treinos dos adversários

Tonda Eckert, treinador do Southampton, quebrou o silêncio e pediu desculpa publicamente pelo escândalo de espionagem que levou à desqualificação da equipa do play-off de acesso à Premier League. Os Saints foram afastados da final, que seria disputada em Wembley contra o Hull City, após admitirem múltiplas violações dos regulamentos da EFL, incluindo observações de sessões de treino do Middlesbrough, Ipswich Town e Oxford United.

Além da expulsão do decisivo jogo de 230 milhões de euros, a equipa de Hampshire foi ainda penalizada com uma dedução de quatro pontos a ser aplicada na próxima temporada, no Championship. O caso, descrito por uma comissão disciplinar independente como um «plano premeditado e determinado vindo de cima», ganhou novos contornos quando membros mais jovens do staff do clube revelaram ter sido colocados «sob extrema pressão» por Eckert para espiar os adversários.

Num vídeo divulgado pelo clube, Eckert assumiu a responsabilidade e pediu perdão aos jogadores e adeptos. O técnico tentou contextualizar as suas ações, referindo a sua experiência em Itália.

«Quando trabalhei em Itália durante mais de quatro anos, todos os onzes iniciais que escolhíamos apareciam sempre na comunicação social. Isso acontecia porque as nossas sessões de treino eram sempre observadas pelas equipas adversárias que defrontávamos, o Guardiola falou sobre isto relativamente ao seu tempo no Bayern de Munique», explicou o alemão, acrescentando: «Não quero dizer isto para justificar, mas na forma como cresci no futebol... existem regras diferentes em Inglaterra e na EFL, eu devia conhecê-las.»

Eckert reconheceu o seu erro, assumindo total responsabilidade. «Sou um treinador jovem, cometi um erro e assumo total responsabilidade. Gostaria de agradecer à direção pelo apoio em momentos como este. Por tudo o que disse, sem guião e sem uma declaração bonita, falando-vos do coração. Espero que tenham uma visão geral do que aconteceu e que, com o tempo, possam compreender e perdoar. Espero ver-vos em breve. Sou responsável por tudo o que aconteceu. Peço desculpa aos jogadores», concluiu.

Apesar da gravidade do incidente, que envolveu um estagiário do clube enviado por Eckert para observar os treinos de três equipas diferentes, o proprietário do Southampton, Dragan Solak, garantiu que não irá despedir o treinador.

Em declarações à BBC Sport, Solak manifestou o seu apoio a Eckert. «O meu total apoio estará com ele, na verdade, porque penso que é um treinador super talentoso. Acredito no Tonda quando diz que não sabia que estava a infringir a regra. A minha opinião pessoal, e a da direção, é que ele é um treinador que merece ser apoiado por nós», afirmou o proprietário, que, no entanto, ressalvou: «Irei obviamente procurar o conselho da equipa. Irei procurar o conselho dos jogadores, dos adeptos. Mas sim, se a decisão for, em última análise, minha, ele fica.»

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