Tonda Eckert, treinador alemão do Southampton
Tonda Eckert, treinador alemão do Southampton - Foto: IMAGO

«És uma lenda. O treinador adorou!»: eis as mensagens do escândalo 'Spygate'

Afinal, o treinador Tonda Eckert teve influência direta e coagiu os estagiários a espiarem os adversários do Southampton

O Southampton foi expulso da final do play-off do Championship e penalizado com a dedução de quatro pontos para a época de 2026/27, na sequência de um escândalo de espionagem aos seus rivais. Novas mensagens de WhatsApp, reveladas nos fundamentos escritos do Painel de Arbitragem do Championship, expõem como a campanha foi orquestrada a partir do topo, com o treinador principal, Tonda Eckert, a exercer «pressão extrema» sobre jovens funcionários.

Os Saints declararam-se culpados das acusações de espionagem ao Oxford United e ao Ipswich Town durante a fase regular da competição, bem como ao Middlesbrough antes da meia-final do play-off. A conduta do clube foi descrita como um «plano premeditado e determinado vindo de cima», com a aprovação de Eckert.

As mensagens trocadas detalham como jovens analistas se sentiram coagidos a realizar tarefas que consideravam moralmente erradas. Um estagiário, enviado para observar um treino do Oxford United, afirmou mais tarde à comissão disciplinar independente: «Não tive realmente uma opção e não me foi dada a oportunidade de dizer que não. Era estagiário e estava a fazer o que me mandavam.»

Apesar do desconforto, após enviar os detalhes da sessão, recebeu uma mensagem de um superior que dizia: «És uma lenda. O treinador adorou!» O mesmo estagiário recusou-se a realizar uma segunda missão de espionagem, desta vez ao Ipswich, mas foi-lhe dito que «o chefe está inflexível em que alguém tem de ir».

A pressão sobre os elementos mais jovens da equipa de análise era acentuada pelo facto de outro analista ter perdido o emprego no início da temporada. Um outro analista, que acabou por espiar o Ipswich disfarçado com um equipamento do Eastleigh FC, onde o treino decorria, admitiu sentir-se pressionado. Após o escândalo rebentar, enviou uma mensagem a um colega: «Eu disse desde o início que nunca estive contente com isto tudo e que não era correto, mas ninguém me ouviu!»

O plano de espionagem teve como objetivo obter informações táticas. No caso do Oxford United, que tinha mudado recentemente de treinador, Eckert queria saber qual a formação que o técnico interino, Craig Short, iria utilizar. Com base nas observações do estagiário, que incluíram fotografias e vídeos, a equipa técnica do Southampton concluiu que o adversário jogaria com uma defesa a quatro, e não a cinco, preparando uma ficha com a previsão do onze inicial.

Apesar de Eckert ter negado em seu depoimento ter visto as imagens ou que a informação tenha tido impacto na preparação do jogo, as mensagens de WhatsApp contradizem a sua versão. O estagiário chegou mesmo a ter uma conversa telefónica com o treinador para discutir o que tinha observado.

O esquema foi descoberto quando o estagiário foi apanhado por funcionários do Middlesbrough enquanto espiava o treino da equipa antes da meia-final do play-off, em maio. Curiosamente, o jovem analista soube das acusações de espionagem contra o Southampton enquanto ainda estava no comboio de regresso de Middlesbrough. O relatório revela ainda que o clube tentou apagar imagens do estagiário da internet após o incidente.

O Southampton conseguiu antecipar a equipa exata que o Ipswich iria apresentar no jogo entre os dois clubes, graças a imagens de uma sessão de treino que lhes foram enviadas. As filmagens, gravadas por alguém presente em Eastleigh, captaram toda a sessão de treino do Ipswich.

Segundo Eckert, ele terá tido conhecimento, apenas algumas horas antes do início do jogo, da existência de imagens de videovigilância do treino do Ipswich. Eckert afirmou ter sido informado de que alguém de Eastleigh enviou essas gravações a um contacto no Southampton.

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