A BOLA no meio dos adeptos da Colômbia... Perdão, de Portugal!

Traição por amor a Ronaldo: há colombianos a rezar por Portugal

O fenómeno delirante que agita Miami à vista do duelo de 28 de junho. Quando a devoção a CR7 fala mais alto do que o sangue e a pátria…

PALM BEACH — O futebol moderno criou uma nova espécie de nacionalismo que a sociologia tradicional ainda não consegue explicar. Uma corrente onde a certidão de nascimento e as cores da bandeira esmorecem perante o magnetismo de um só homem. É a geopolítica do golo e o seu epicentro atual fica na Flórida. 

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À porta do quartel-general de Portugal, em Palm Beach, assiste-se a um fenómeno delirante: uma legião de adeptos colombianos que, de cachecol ao peito e camisola… das quinas vestida, assume sem pudor o desejo de ver a Seleção Nacional de Portugal conquistar o Mundo, mesmo sabendo que o calendário guardou um explosivo… Portugal-Colômbia para o próximo dia 27 de junho, em Miami. É a traição por amor ao Bicho, uma facada no próprio peito justificada pela fé em Cristiano Ronaldo.

«Sempre fomos fãs do Cristiano, seguimos a Seleção de Portugal há muitos anos. Que emoção ver o nosso país, a Colômbia, enfrentar esta Seleção. Sabemos que vai ser um bom jogo, creio que o melhor jogo do Mundial», confessava-nos, de olhos brilhantes, David, um dos adeptos sul-americanos que fazia plantão à porta do hotel.

 Confrontado com o cenário idílico e quase proibido de uma finalíssima entre os dois países, o coração balança, mas não esconde a loucura. «Oh, seria o máximo, seria o máximo com a seleção da Colômbia! Mas claro, há que recordar que o número 10 da nossa seleção jogou com Cristiano Ronaldo no Real Madrid. Desde o último Mundial que os seguimos a eles, aos colombianos e à Seleção de Portugal

O fenómeno Cristiano Ronaldo não tem nação - Foto: MIGUEL NUNES

A loucura é de tal ordem que as relíquias de uma vida se cruzam na esperança de um autógrafo. Outro adepto mostrava, orgulhoso, os troféus de uma perseguição que já leva quilómetros de estrada. «Esta camisola foi assinada por vários jogadores há uns meses, quando Portugal esteve em Atlanta, a pensar que o Ronaldo ia estar lá. As coisas não aconteceram assim, mas conseguimos a maioria das assinaturas dos outros players, que também são muito importantes para a Seleção de Portugal. Vivemos aqui em Miami, mas viemos ver o número um. Foi uma grande emoção quando soubemos que Portugal estaria aqui em Palm Beach!»

A heresia patriótica atinge o auge quando se fala de prognósticos. A razão de Estado abdica a favor do astro da Madeira. «Tenho consciência de que a Colômbia é a Colômbia, mas estou muito consciente de que Portugal vai ser o campeão», atira outro adepto, Cristian, exibindo uma segunda pele nas mãos. 

«Claramente, ídolo madridista, o melhor jogador que o Real Madrid teve. Estou a esperar também para que, por favor, me possa assinar esta camisola. Sigo-o há muito tempo... Que viva o Bicho, que viva Cristiano Ronaldo! Este pode ser o ano em que finalmente possa agarrar a taça no fim. Seria genial. Tenho o meu coração dividido entre a Colômbia e Portugal, mas se Portugal levantar a Taça do Mundo este ano, seria magnífico e o melhor que poderia acontecer», conclui Cristian.

A fechar a conversa, no asfalto quente da Flórida, e já com a colombiana Sol a juntar-se ao trio, o coro da pátria de Gabriel García Márquez afina vozes para entoar o grito de guerra luso: «Portugal! Portugal! Portugal! O melhor do mundo!» No dia 27, em Miami, as bancadas vão ser um laboratório de sentimentos trocados, mas para estes quatro, a pátria tem o tamanho do número sete. De Portugal.

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