Diogo Costa deixa o futuro em aberto: Foto: LUSA
Diogo Costa deixa o futuro em aberto: Foto: LUSA

Diogo Costa não garante continuidade no FC Porto e diz por que rejeitou a camisola 2

Guarda-redes foi entrevistado pela RTP antes da Supertaça Cândido de Oliveira

À RTP, Diogo Costa falou sobre a possibilidade de deixar o FC Porto ainda nesta janela de transferências do verão, explicou por que razão não aceitou o desafio de André Villas-Boas de usar o número 2 na camisola para homenagear Jorge Costa e João Pinto e também aflorou o duelo com o Torreense.

— Regressou há muito pouco tempo aos treinos depois do período de férias e, ao que tudo indica, será o dono da baliza do FC Porto no sábado. Três ou quatro treinos são suficientes para mostrar a forma que demonstrou no Mundial?

— Acho que aqui também foi importante o descanso que deveria ter, porque foi uma época em que fiz quase 70 jogos. Era muito importante ter um descanso necessário para estar mais fresco para o jogo de sábado. De qualquer forma, duas semanas não é o que me irá fazer perder muito a minha forma física para não estar preparado.

— E uma posição como a sua, a de guarda-redes, não implica tanto a nível físico essa ausência de duas semanas?

— Implica outras coisas, mas não é tão exigente a nível de resistência, por assim dizer.

— Pode criar-se aqui um paralelismo entre o que foi o jogo do Torreense na final da Taça com o Sporting e o que o Torreense quererá que seja este jogo frente ao FC Porto? Esse jogo entre o Sporting e o Torreense foi alvo de análise detalhada da vossa parte para não cometerem os mesmos erros?

— Sim, nós não analisámos só esse jogo contra o Sporting, analisámos tudo o que é a identidade que o Torreense teve ao longo de toda a época. Como disse, é uma equipa que merece o nosso respeito e é exatamente isso que iremos fazer.

— Como é que o Diogo se prepara para a maioria dos jogos em que o FC Porto tem mais posse de bola, mais domínio e mais oportunidades? Como é que um guarda-redes consegue interiorizar o que tem de fazer durante 90 minutos onde, muitas vezes, a bola nem sequer chega perto da sua área ou não exige tanto trabalho como em jogos com equipas mais equilibradas?

— Obviamente que o aspeto da concentração terá de ser muito elevado. Sendo um jogador do FC Porto, da casa, acho que desde pequeno sempre fui treinado para isso mesmo: para jogar numa equipa grande. É algo que já faz parte do dia a dia, já é um hábito ter de me preparar para esse tipo de intervenções onde, se calhar, só terei de fazer uma, mas terá de ser muito importante ou muito difícil. Obviamente que os níveis de concentração são fundamentais, mas todo o trabalho diário que fazemos nos treinos é a base mais importante.

— Falou do trabalho diário. Está agora a começar uma nova época, depois de a última ter acabado de forma positiva com a conquista do campeonato. Já se apercebeu se alguma coisa mudou? O FC Porto vai ser muito daquilo que foi na temporada passada?

— Nós queremos aumentar os nossos padrões em termos de identidade. Iremos fazer tudo o que fizemos no ano passado, mas queremos melhorar em todos os aspetos como equipa e como clube. O pensamento de sermos bicampeões não nos vai passar pela cabeça; vamos ser muito humildes e encarar todos os jogos como finais, tal como fizemos na época passada. Acho que devemos seguir essa mentalidade que tanto caracteriza o FC Porto.

— O que é que o Torreense pode trazer de perigoso para o FC Porto?

— Pode trazer todo o tipo de situações que o jogo irá pedir. Esse respeito que eles merecem fala por si. Em todas as situações, como bolas paradas ou o que o jogo pedir, nós vamos estar com a máxima concentração possível. É um jogo para ganhar, é uma final, e iremos respeitar o Torreense da forma que eles merecem.

— Qual é a importância para o Porto de ganhar esta Supertaça?

— É um título. Acho que não há nada mais importante do que a própria palavra. É mais um título para a nossa conta e um clube como o FC Porto vive disso. É isso que queremos honrar.

— Apareceu com a camisola 99, quando se especulava se ficaria com o número 2, que foi em tempos de Jorge Costa. Porque é que não acedeu ao pedido do presidente?

— Primeiramente, fico extremamente grato ao nosso presidente por me ter atribuído esse desafio. Fico muito honrado e orgulhoso por me ver como uma pessoa importante neste clube. Mas acho que seguir o meu trajeto também seria importante. O que aconteceu com o Jorge é algo que está muito fresco na minha memória e acho que é algo que devemos continuar a honrar e a homenagear. Foi muito por aí, por querer continuar a seguir o meu caminho, mas respeitando esse legado que esse número tem.

— O Mundial colocou-o novamente na montra e há clubes interessados. Este pode ser o último jogo ou os últimos dias do Diogo Costa no FC Porto?

— Já sou associado à saída deste clube há algum tempo. Tal como tenho feito até agora, o que posso dizer é que sou muito feliz aqui e, enquanto cá estiver, serei sempre o mesmo jogador e a mesma pessoa.

— Mas pode garantir aos adeptos que depois do dia 31 de agosto estará cá?

— Se depois desse dia continuar aqui, claro que estarei.

— O seu desejo é continuar aqui?

— Como disse, sou muito feliz aqui, quero muito continuar a ganhar títulos pelo FC Porto. Mas todos sabemos como é a vida de um jogador profissional. É algo que não posso prometer, mas o que posso prometer é o meu trabalho e o meu compromisso, como tenho feito desde que comecei a jogar na equipa A.

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