Nem foi precisa a cavalaria para a goleada acontecer (crónica)
Era o que faltava, meus caros, o Benfica cair na 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa e frente aos descoloridos suíços do St. Gallen. Mesmo tendo perdido na primeira mão por 1-2, mesmo ainda sem alguns dos mais valiosos jogadores do plantel em alto rendimento, mesmo com Marco Silva a apalpar terreno para perceber, com exatidão, o que é preciso para redimensionar o clube encarnado para o patamar que merece, era o que faltava o 18.º do ranking UEFA ser eliminado pelo 228.º!
Havia em cima da mesa a dúvida, lançada por Marco Silva, sobre quais os jogadores que chegaram mais tarde aos treinos que iriam a jogo. Dedic? Tomás Araújo? Aursnes? Ríos? Lukebakio? Schjelderup? Até mesmo Jhon Durán? O treinador surpreendeu ao não surpreender: nenhum destes sete nomes esteve no onze inicial e, relativamente à primeira mão, houve apenas duas trocas: Manu Silva por Enzo Barrenechea e Miguel Figueiredo por Leandro Barreiro. Surpresa talvez apenas a inclusão do argentino, depois do jogo nada conseguido em St. Gallen. A cavalaria, excluindo Aursnes, ficava no banco.
O Benfica entrou mal no jogo. Parecendo nervoso e com alguns passes errados, permitiu ao St. Gallen, nos primeiros minutos, dar a sensação de que era uma equipa de média dimensão europeia. Os suíços começaram por andar perto da baliza de Trubin e, com o ucraniano sempre muito hesitante a sair da baliza, os adeptos encarnados sofriam um pouco.
Porém, pouco a pouco, com Barreiro a dar maior dinamismo ao meio-campo e com Sudakov muito mais mexido e ousado do que tem sido normal, o Benfica passou a tomar conta do jogo e, mesmo antes de o dominar por completo, chegou ao golo. Bah a executar rapidamente um lançamento lateral na direção de Rafa, este progrediu dez metros e colocou a bola, milimetricamente, ao alcance do pé esquerdo de Pavlidis, o qual, sem ninguém a seu lado, rematou por entre as pernas do guarda-redes, igualando a eliminatória.
E, de repente, tudo melhorou. Bah e Dahl transformaram-se em pequenas setas pelas laterais, Kaminski começava a criar algum perigo através da sua velocidade, Pavlidis segurava bolas à espera de que alguém aparecesse para tabelar, Rafa crescia a olhos vistos e até António Silva ousava entrar com a bola dominada pelo meio-campo e defesa do St. Gallen. Por duas vezes, esteve perto de marcar. Tal como Baldé, que, num lance quase fotocopiado do golo que marcou na Suíça, enviou a bola ao poste direito da baliza de Trubin.
O Benfica dominara 90 por cento da primeira parte, mas o remate de Baldé, em cima do intervalo, não deixava espaço para grandes dúvidas. Era preciso que os encarnados, pós-intervalo, atacassem, sim, mas não pudessem esquecer-se de defender a baliza de Trubin.
Os primeiros minutos da segunda parte foram quase iguais aos primeiros da primeira parte. St. Gallen a aparecer, de novo, muito atrevido e à procura do golo que lhe voltasse a dar vantagem na eliminatória, mas a ousadia durou pouco. Ao minuto 54, Leandro Barreiro andou muito perto do golo e, aos 55’, o 2-0 chegou. No meio da avalancha ofensiva encarnada, Kaminski encontrou Pavlidis sozinho no meio e este, de novo de pé esquerdo, fez o 2-0.
Logo a seguir, Sudakov obrigou Stanic a fazer-lhe um paredão perto do círculo central e o croata viu, de forma justa, o segundo amarelo e consequente vermelho. Em vantagem na eliminatória e com um homem a mais, só um terramoto impediria o Benfica de seguir em frente para a 3.ª pré-eliminatória da Liga Europa. E aos 65’, numa jogada com múltiplos toques de múltiplos jogadores, Pavlidis, de cabeça, com assistência de Bah, fez o hat-trick e fechou, com chave de ouro, jogo e eliminatória.
A seguir, Marco Silva começou a meter a cavalaria: Leandro Barreiro por Richard Ríos (66’). E foi mesmo este quem, fugindo pela direita, entrou na área e sofreu falta para grande penalidade. Pavlidis, o herói da noite, transformou-a no 4-0 e no seu quarto golo.
Mais cavalaria logo a seguir: Kaminski por Lukebakio e Rafa por Schjelderup (ambos aos 75’); Pavlidis por Jhon Durán e Bah por Dedic (ambos aos 77’). A partir de então, com quatro golos de vantagem e um homem a mais, a dúvida era apenas uma: até onde subiria o resultado?
Aos 82, foi a vez de Lenglet, após passe atrasado de Lukebakio, fazer golaço de pé esquerdo: 5-0! Por fim, regresso ao princípio: era o que faltava, meus caros...