Tatiana Pinto: «Representar Portugal nunca pode ser um esforço»
Tatiana Pinto, uma das capitãs de Portugal, que soma 136 internacionalizações ao peito, foi a porta-voz da Seleção feminina na antevisão ao jogo com a Letónia, agendado para as 20h00 desta sexta-feira, no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril.
Analisando a Letónia, que ainda não somou qualquer ponto neste Grupo 3, adversária a quem Tatiana Pinto já marcou, a média mostrou-se cautelosa: «Acima de tudo o jogo que fizemos lá não foi uma equipa que nos facilitou a vida. Acabámos por ganhar, tivemos as nossas oportunidades, mas a Letónia sempre foi uma seleção muito combativa até ao final, que nos causou alguns problemas. Se não estivermos no nosso melhor, cem por cento focadas no nosso processo, apesar do resultado ter sido extremamente positivo na casa delas, sabemos que elas vêm aqui a querer roubar pontos a Portugal.»
Há mais de uma década Tatiana Pinto dava os primeiros na seleção principal, neste momento, com 136 internacionalizações é a terceira jogadora mais utilizada nesta convocatória. Questionada sobre como se sente neste papel, olhando também para as jogadores que chegam agora à equipa das quinas, mostrou-se orgulhosa.
«Quando eu estava desse lado também fui superbem recebida por todas as minhas companheiras e que ainda aqui continuam. Acho que o meu papel também tem de ser esse. Aqui não conta muito as minhas internacionalizações, conta a minha experiência mesmo fora da seleção e faço questão de as receber bem, assim como eu fui. Mas, é um papel que, se calhar, quando era mais nova não imaginava fazer, mas acho que fui construindo e conquistando este papel pela minha carreira, portanto, aceito com muito carinho», sublinhou.
A jogadora da Juventus somou 1696 minutos em 30 jogos da liga italiana feminina, marcou cinco golos e fez três assistências, acrescentando-se mais 538 minutos em sete jogos de quinas ao peito, ou seja, mas de dois mil minutos nas pernas. Instada sobre a sua condição física, e também das restantes companheiras, admitiu algum cansaço: «É uma data da FIFA bastante complicada e delicada, acho que toda a gente sabe disso, portanto, muitas de nós, a grande maioria está em final de época, férias à vista, obviamente, com muita carga física, muitas viagens, muitos hotéis, muitas competições diferentes, mas, acima de tudo, é perceber que estamos quase no final, e representar Portugal nunca pode ser um esforço. É sempre um prazer estar aqui, um orgulho e seja qual for a data e a fase da época em que estamos, temos que dar tudo por Portugal. Sabemos obviamente que fisicamente podemos estar um bocadinho mais fatigadas, é normal, não somos máquinas de guerra, mas pronto, acho que temos de trabalhar muito sobre isso, temos de descansar também e tenho a certeza que amanhã vamos dar uma boa resposta.»
Sobre a experiência e enriquecimento adquiridos na Juventus, a média foi perentória: «Toda a minha carreira tem sido uma aventura [risos]. A Juventus é mais uma delas, é um contexto diferente daquilo que estava habituada, tanto em Portugal como em Espanha, é um jogo com muita posse, muito associativo, com um treinador italiano, é um jogo muito direto, muito físico, muitas transições, e quanto mais rápido nos adaptarmos, mais preparadas vamos estar e mais completas também.»
O facto de Portugal apenas depender dos seus resultados para garantir apuramento para o Mundial dá mais confiança à equipa, mas algo mais: «Também dá responsabilidade, não podemos olhar apenas para o que é uma boa posição, faltam dois jogos, não podemos dar nada com um dado adquirido, porque seria um erro, não queremos isso, o que queremos é competir bem, ganhar estes dois jogos, terminar bem esta época, irmos para o play-off com uma boa vantagem.»
Recorde-se que as Navegadoras entraram com o pé direito na corrida ao Mundial 2027. Após a qualificação histórica para o Mundial de 2023 (Nova Zelândia/Austrália), a equipa lusa quer repetir presença na competição mais importante de seleções e já somam 12 pontos na liderança do Grupo 3 da Liga B, com quatro vitórias, nomeadamente contra Finlândia (2-1), Eslováquia (4-0) Letónia (3-0) e Eslováquia (2-1).
O play-off de acesso ao Mundial está praticamente assegurado, assim como o regresso à Liga A.