Edgar Davids (ele mesmo), reforço do Sporting que brilhou no Bairro da Cruz Vermelha
O nome de Edgar Davids ultrapassa gerações. Uma figura icónica, presa no imaginário de muitos jovens que tinham o futebol como o seu maior sonho. O ex-internacional neerlandês, hoje com 53 anos, 22 títulos na carreira, passagens marcantes por gigantes como o Ajax, Milan, Juventus, Barcelona, Inter, Tottenham, entre muitos outros, em tempo de mercado, foi o maior reforço que o Bairro da Cruz Vermelha, no Alto do Lumiar, poderia ter recebido.
O antigo futebolista, através do seu projeto ‘Parc de Rêves’, tem reabilitado e reconstruído campos de futebol um pouco por todo o mundo e desta vez a sorte calhou a estes jovens no coração de Lisboa que viram o seu campo com condições nunca antes vistas.
Esta quinta-feira foi o dia. O primeiro passo aconteceu após a celebração de um protocolo, assinado em dezembro, entre a Junta de Freguesia do Lumiar e a Fundação Sporting, parceiros na renovação deste espaço. O passo decisivo ocorreu agora. A abertura deste espaço marcou uma etapa na vida dos muitos jovens que tiveram a oportunidade, imagine-se, de trocar umas bolas com o antigo craque neerlandês.
Eu comecei num campo como este! Todos os dias! E se reparar, a maioria dos rapazes... dos jogadores talentosos da América do Sul ou de onde for, começaram a jogar num campo como este, cá fora. E não é apenas futebol
«Estou muito orgulhoso. Ainda custa a crer que aconteceu, que já está construído... está com um aspeto incrível. E fico feliz por termos conseguido fazer algo pelo bairro: em vez de criarmos apenas um parque infantil, criámos uma ‘sala de estar’ para eles. Isso dá-me uma enorme satisfação. Qualquer pessoa pode vir para aqui jogar, ficar ali sentada a estudar ou pode treinar. Por isso, para mim, a ideia é que toda a gente se reúna, comunique e interaja entre si. É um ponto de encontro social», começou por dizer Davids, recuando no tempo:
«Eu comecei num campo como este! Todos os dias! E se reparar, a maioria dos rapazes... dos jogadores talentosos da América do Sul ou de onde for, começaram a jogar num campo como este, cá fora. E não é apenas futebol: podemos jogar basquetebol, fazer treino físico e também temos um canto para a família, onde se pode celebrar em comunidade. Acho que isso é o mais importante.»
André Bernardo, administrador da SAD dos leões e Inês Seco, da Fundação Sporting, foram os representantes leoninos nesta cerimónia de abertura.
«O maior resultado deste jogo foram os sorrisos das crianças. Colocarmos à disposição um espaço para as crianças poderem brincar fora dos horários escolares, terem um lugar de convívio, de lazer e de desporto. Acima de tudo é o que nos enche mais o coração, para além de que o espaço ficou bastante melhor», destacou Inês Seco, assim como André Bernardo, dirigindo-se aos mais pequenos.
«O Davids disse que queria envolver a comunidade. Isto é o reflexo do que ele construiu. Um de vocês pode ser o próximo Davids. Também vejo aqui o próximo Ronaldo ou o próximo Messi», disse.
Ana Rita Moreira, vogal da Junta de Freguesia do Lumiar, também elogiou a iniciativa e acredita que outros passos poderão ser dados no futuro.
«Este espaço encontrava-se bastante degradado. Conseguimos esta parceria incrível. Este projeto vai trazer alegria e muito convívio. Sem o Davids e a Fundação, isto seria muito complicado», reforçou.
«Portugal não mostrou todo o potencial»
Edgar Davids vive atualmente em Portugal e acompanha muito o futebol lusitano. Por essa razão, todos esse conhecimento, não escondeu alguma surpresa pelo fraco rendimento da Seleção Nacional no último Mundial.
«Acho que Portugal não mostrou todo o seu potencial. Quando vi alguns jogadores, especialmente o Vitinha a jogar, pensei: ‘podia ser melhor’. E eu gosto muito dele. Acho que, às vezes, num torneio é preciso ter alguma sorte, porque muita gente quer entrar logo com tudo... é preciso arrancar devagar, aquecer o motor e atingir o pico no momento certo. Se olhares para Espanha quando ganhou o Mundial em 2010, foi igual: começaram de forma tremida e foram crescendo, até porque os jogadores vêm de um período de desgaste», analisou o neerlandês, que tem no horizonte poder trabalhar em Portugal em algo relacionado com o futebol.
«É uma ideia que tenho. Mas tem de ser a oportunidade certa. Adoro estar aqui, orientar uma equipa e o estilo do futebol português. Vês que agora os jogadores portugueses, o talento, estão a emergir. Adoraria estar presente para os ajudar a desenvolver esse talento, mas logo veremos», finalizou.