Dominik Szoboszlai jogou com Diogo Jota no Liverpool e foi campeão inglês
Dominik Szoboszlai jogou com Diogo Jota no Liverpool e foi campeão inglês - Foto: IMAGO

Szoboszlai e a morte de Diogo Jota: «Foi um fardo muito pesado de carregar»

Médio do Liverpool admitiu que o plantel não conseguiu lidar da melhor forma, enquanto grupo, com o trágico acidente do português e que afetou a temporada da equipa

Dominik Szoboszlai concedeu uma longa e pessoal entrevista ao L'Équipe e um dos tópicos abordados foi a inesperada trágica morte de Diogo Jota e do seu irmão André Silva num acidente de viação a 3 de julho de 2025, há um ano. O médio do Liverpool fez algumas revelações e admitiu que o peso desse trauma foi demasiado para carregar durante a temporada, a nível individual e coletivo.

«Foi terrivelmente difícil para todos, porque o Diogo Jota fazia parte daqueles jogadores que deram sempre tudo pelo grupo. No início da época, usámos esse trauma como motivação, mas foi um fardo muito pesado de carregar», começou por explicar.

«Pela minha parte, joguei a época a dar o meu máximo, porque pensava que era isso que ele teria querido de cada um de nós. Mas foi realmente difícil, porque acho que todos se perguntavam: 'Porque é que uma coisa destas aconteceu a alguém como ele?' Essa incompreensão, essa dificuldade em perceber o que aconteceu, foi complicado de assimilar», contou.

O mais surpreendente, contudo, foi a forma como o grupo lidou com a dor. «Nunca falámos sobre isso entre nós. Jamais. Cada um guardou este drama para si no fundo do coração e não sei se isso foi bom», admitiu, refletindo sobre a dificuldade coletiva em processar o sucedido. «Nenhum de nós conseguiu partilhar o que sentia com o grupo. Não sei o que deveria ter sido feito, nunca saberemos», atirou.

Por outro lado, questionado sobre as suas referências, Szoboszlai foi categórico ao afirmar que nunca teve modelos de jogo. «Nenhum», garantiu. No entanto, admitiu ter um ídolo: «Cristiano Ronaldo. Não pelo seu estilo de jogo, mas pela sua mentalidade, pela sua ética de trabalho única».

O jogador do Liverpool recorda que, em jovem, viu vídeos da sua preparação, o que o inspirou muito mais do que a sua forma de jogar: «Quis logo ser eu mesmo e mais ninguém. Porque percebi muito cedo que só haveria um Zinédine Zidane, um Steven Gerrard, um Paul Pogba, um Lionel Messi, um Cristiano Ronaldo... Não se pode ser o próximo. Conhece a frase: 'Sê tu mesmo, todos os outros já estão ocupados'.»

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