Sublime. É o mínimo que se pode dizer da prestação da seleção francesa até ao momento. Sem desprimor para os seus adversários, um passeio em pleno Mundial, tal a supremacia, tal a contundência, tal a capacidade de se impor e de subjugar os oponentes em simultâneo.

Não me recordo de ver uma seleção, no plano teórico e de jogo para jogo, tão amplamente favorita à conquista do título. A vitória por 2-0 frente a Marrocos acentuou ainda mais este sentimento.

A França foi dominadora. Jogou o seu jogo da forma que quis. Empurrou Marrocos para as imediações da sua grande área, asfixiando toda e qualquer tentativa de contra-ataque. A ausência de Saibari explica algumas coisas no que diz respeito à incapacidade marroquina para aproveitar os momentos de transição ofensiva, mas não explica tudo. Nem sequer ajuda a traduzir o quão superiores foram os gauleses.

Com bola, foi a França a que nos vamos habituando. Segura e criteriosa na circulação. Paciente no seu meio-campo ofensivo de modo a criar condições para o jogo posicional a partir do qual promovem as dinâmicas ofensivas. Constantemente à procura de ligações interiores através de tabelas e dinâmicas de 3.º Homem, sem nunca deixar de explorar os corredores laterais, seja para atrair e voltar a solicitar jogo interior, seja para desenvolver ações de 2 vs 1 ou 1 vs 1 ofensivo.

Didier Deschamps tem sabido dar continuidade ao seu trabalho. Tem sabido explorar a enorme profundidade (qualidade + quantidade) dos seus selecionados. Tem conseguido aprimorar uma máquina futebolística cada vez mais próxima do Nirvana de todos os treinadores - a perfeição.

Todos sabemos que tal coisa não existe no futebol, mas é difícil enunciar debilidades que possam ser humanamente exploradas pelas seleções que ainda se encontram em prova. Um breve exercício especulativo apontaria a Espanha e a Argentina como os principais obstáculos a ultrapassar pelos franceses. Os espanhóis por terem uma ideia de jogo muito bem assimilada e um ADN futebolístico único. A Argentina porque tem Messi. Mas ambos os conjuntos parecem estar um degrau abaixo dos bleus.

A cada jogo que passa a França parece que se sustenta no ar e se eleva ainda mais. O futebol que pratica é claramente o mais belo do ponto de vista estético deste Mundial. Todas as jogadas revelam uma amplitude e uma força extraordinárias que transcendem o belo. Não sei será o suficiente para o título, mas é mais do que suficiente para a minha admiração.

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