Enzo Maresca, sucessor de Pep Guardiola no comando do Manchester City, fala da responsabilidade de voltar

«Substituir Guardiola talvez seja um trabalho impossível, mas é um privilégio»

Enzo Maresca, novo treinador do Manchester City, concedeu entrevista na Coreia do Sul

Enzo Maresca, sucessor de Pep Guardiola no comando técnico do Manchester City, abordou os desafios que se avizinham, desvalorizando a pressão das comparações com o seu antecessor, que considera «o melhor treinador do mundo nos últimos 15 ou 20 anos».

Numa conversa com a comunicação social britânica em Seul, Coreia do Sul, o novo treinador dos citizens, que regressa ao clube após ter sido adjunto de Guardiola, mostrou-se tranquilo com as inevitáveis comparações. «Depois de 10 jogos, se tivermos 10, 20 ou 30 pontos, as pessoas vão comparar com o Pep após 10 jogos. Isso não me pressiona. Alguém me perguntou se é uma tarefa impossível substituir Guardiola. Talvez, mas ao mesmo tempo é um privilégio», afirmou Maresca.

Guardiola deixou o Manchester City no final da última temporada, após uma era de enorme sucesso que incluiu 17 troféus importantes, entre os quais seis títulos da Premier League e uma Liga dos Campeões.

Maresca, que já passou por Leicester e Chelsea, revelou ter-se encontrado com Guardiola em Barcelona um dia antes de assinar contrato, considerando o encontro «útil» para absorver o conhecimento de quem esteve uma década no clube. «Passámos algumas horas juntos», disse, acrescentando: «Gosto de chegar de mente aberta para ver as coisas por mim mesmo, mas ele esteve aqui tanto tempo, tem as suas opiniões. Mas também é preciso chegar e ver as coisas por nós próprios, ver o quadro completo.»

Num gesto simbólico de mudança, Maresca ocupou o antigo gabinete do adjunto Pep Lijnders, ao lado do de Guardiola, que foi entretanto convertido numa sala de reuniões. O técnico italiano, que no final de junho pediu desculpa ao Chelsea pela «perturbação» causada pela sua saída a meio da época, aproveitou os seis meses de interregno para se dedicar à família e aprofundar os seus conhecimentos sobre inteligência artificial, tendo realizado duas formações na área.

A evolução da Premier League e a importância das bolas paradas

Questionado sobre as mudanças na Premier League, Maresca destacou o aumento da importância das bolas paradas e das defesas homem a homem. O novo treinador do City apontou o exemplo do Arsenal, que na época passada marcou 25 golos de bola parada, 19 dos quais na sequência de cantos, admitindo que essa é uma área que a sua equipa procurará «tentar melhorar».

Apesar destas mudanças táticas, Maresca continua a considerar a Premier League a «melhor liga» do mundo, com os «melhores jogadores». «É pela qualidade dos jogadores, dos treinadores, pela organização da Premier League. É completamente diferente em comparação com outros países», defendeu. «Que liga pode competir com a Premier League? Espanha? Barcelona, Real Madrid, sim, mas o resto não é o mesmo. Aqui há seis equipas que estão mais ou menos ao mesmo nível», atirou.

Uma equipa técnica poliglota

A nova equipa técnica do Manchester City conta com o argentino Willy Caballero, dois italianos, três espanhóis e o próprio Maresca, que fala francês. A eles junta-se «o inglês», Danny Walker, que já fora seu adjunto na equipa de desenvolvimento de elite do Manchester City e o acompanhou no Leicester e no Chelsea.

Enzo Maresca enfrenta uma série de decisões importantes enquanto se instala num dos cargos mais exigentes do futebol mundial, incluindo a escolha do próximo capitão, a definição do futuro de Rodri e a escolha do onze para a Supertaça inglesa de domingo contra o Arsenal.

Após a saída de Bernardo Silva, Maresca irá escolher o novo capitão da equipa e pretende incluir um jogador da casa no grupo de líderes. Atualmente, este grupo é composto por Rúben Dias, que é o principal candidato, Erling Haaland e Rodri, este último na rota do Barcelona.

Questionado sobre se a estrela norueguesa é um forte candidato à braçadeira, Maresca partilhou uma curiosidade sobre os seus métodos. «No Leicester e no Chelsea, eu tinha uma regra: quando marcávamos, o capitão tinha de vir ao banco, não para celebrar, mas para receber instruções. Mas se ele marcar, então pode celebrar», explicou. «Se o Erling for o capitão, temos um problema, conseguem imaginar? Se viram o jogo [contra a K-League Stars], quando marcámos o primeiro golo, o Rúben veio ao banco.»

O treinador italiano acrescentou que Haaland foi um dos primeiros a contactá-lo. «O Erling foi um dos primeiros a enviar-me uma mensagem quando cheguei ao clube», revelou. Sobre o grupo de capitães, Maresca afirmou: «De momento, temos três ou quatro [no grupo de liderança] e falta-nos um. No caso do Rodri, veremos o que acontece.»

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