A Seleção de Jorge Jesus está assim tão diferente?
Portugal entrou a ganhar na Liga das Nações frente ao adversário mais fraco do grupo e ainda que o tempo para análise seja muito pouco, não foram estes 90 minutos a romper de forma revolucionária com o passado recente.
Jorge Jesus - que, já agora, porque aparentemente se tornou relevante, pudemos confirmar que sabe o hino todo, todo - não tinha deixado ninguém de boca aberta com a convocatória e optou por colocar o onze inicial que... Roberto Martínez usou frente à Colômbia, no último Mundial, com o resultado e a exibição tão animadores que sabemos. Do último onze titular do espanhol, na eliminação pela Espanha, só João Neves foi agora parar ao banco, pois JJ tem um 6 na cabeça há muitos anos e não é bem este.
Claro que não mudar as peças não significa não alterar nada. E isso foi visível. João Félix, desde logo, está agora mais em casa, mais livre e ao mesmo tempo mais perto da baliza, onde faz a diferença. Jogou na sua posição - e às vezes não complicar é mais de meio caminho andado para as coisas correrem bem. Nuno Mendes, sobretudo, mas também João Cancelo, terão encontrado espaços mais facilmente e Bruno Fernandes não fugiu da bola. Por sua vez, Cristiano Ronaldo saiu aos 67 minutos, um pedaço mais cedo do que em qualquer encontro do Mundial - sem que isso tenha tido efeito no ataque da Seleção Nacional, diga-se.
O capitão teve oportunidades, falhou a maioria e, quando acertou na baliza e celebrou os 20 golos que faltavam para os 1000, estava fora de jogo. Os adeptos do País de Gales que foram a Alvalade dedicaram-lhe cânticos provocadores, mas CR7 irritou-se mais com a relva do que com isso. Depois de sair, mais depressa vimos os visitantes perto do golo do que aquele ataque português rejuvenescido que muitos idealizam. A ver se ele surge, um dia...
Vem aí uma dupla jornada fora de casa - Noruega, primeiro, no próximo domingo, e Dinamarca na quinta-feira - e com um grau de dificuldade mais elevado. Jorge Jesus lá vai treinando a equipa a competição e a margem para Portugal crescer só pode ser enorme. Há muito por fazer, mas já há dinâmicas novas, que dão esperança para melhores exibições. O resultado interessou mais nesta altura, mas o passar do tempo trará outra exigência. Olhando para o entusiasmo dos adeptos depois destes 90 minutos, tendo celebrado um golo e o não empate do País de Gales que podia ter ocorrido mais perto do fim, as sensações não foram assim tão diferentes do que havia antes.