«Subir a escadaria de Wembley com o cachecol do Vitória de Guimarães é bonito»
Pedro Mendes construiu um percurso sólido entre Portugal e Inglaterra, com passagens por Vitória de Guimarães, FC Porto, Tottenham e Portsmouth. No videocast 90«3, que A BOLA distribui, o antigo médio revisitou episódios marcantes da sua trajetória, entre balneários intensos, desafios superados e decisões determinantes para chegar ao Campeonato do Mundo, como aquele de regressar a Portugal e representar o Sporting.
A ligação ao Vitória de Guimarães continua a ser um dos pilares da sua identidade futebolística. «Um jogador que vinga no Vitória está preparado para qualquer desafio», afirmou, sublinhando o grau de exigência do clube minhoto. O ambiente no Estádio D. Afonso Henriques deixou marca. Jogos com intensidade máxima e uma cultura muito própria. «A minha relação com o Vitória será eterna», garantiu.
Pedro Mendes recordou, com humor, episódios da carreira, como uma pré-época peculiar, com folgas inesperadas, e um primeiro jogo em que praticamente não conhecia os colegas de equipa. No final dessa partida, a integração fez-se à moda antiga, com uma valente celebração que ajudou a criar laços no grupo.
A mudança para o FC Porto colocou-o num patamar diferente de exigência. Sob o comando de José Mourinho, viveu episódios que hoje recorda com naturalidade, como a famosa praxe. Entre figuras que o marcaram, destacou um guarda-redes com o qual partilhou balneário: «Onde havia o Neno, não havia tristeza», disse, evocando o espírito agregador do antigo guardião.
A aventura em Inglaterra trouxe-lhe visibilidade, mas também momentos duros. No campeonato inglês, sofreu uma entrada violenta de Ben Thatcher que ficou na memória dos adeptos. Dias depois, recebeu um gesto inesperado: uma carta escrita, pedindo desculpa pelo sucedido. Um episódio raro num futebol tantas vezes dominado pela frieza competitiva.
Apesar da estabilidade em Inglaterra, o regresso a Portugal teve um objetivo claro. «Para estar no Campeonato do Mundo, tinha de vir para o Sporting», revelou Pedro Mendes, explicando que a mudança foi estratégica para recuperar espaço na Seleção Nacional.
No plano internacional, não esquece quem lhe abriu novamente a porta da equipa das quinas. «Devo muito a Carlos Queiroz porque proporcionou o meu regresso à seleção», assumiu, reconhecendo o papel do selecionador no momento-chave da sua carreira.
Entre Guimarães, Porto, Londres e Lisboa, Pedro Mendes construiu um percurso feito de resiliência e profissionalismo. Um médio discreto fora das quatro linhas, mas com histórias que ajudam a compreender os bastidores de uma geração que viveu alguns dos momentos mais intensos do futebol português nas últimas décadas e de um antigomédio, tornado agora agente de jogadores.
Veja o episódio completo nesta terça-feira à noite em A BOLA e A BOLA TV.