Centena e meia de jovens futebolistas das camadas jovens experienciaram outras modalidades, como râguebi, ginástica, voleibol, andebol, karaté e até jogos tradicionais
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Sporting: futebolistas a jogar com as mãos e a fazerem placagens (fotos)

Iniciativa promoveu ecletismo do clube e tirou 150 jovens da zona de conforto. Râguebi, voleibol, ginástica, karaté, jogos tradicionais e, claro, muitas risadas

A mítica camisola listada verde e branca é denominador comum, as chuteiras não saíram dos pés, mas, não se jogou futebol. 150 crianças da formação do Sporting viveram, este domingo, um dia diferente, que irá perdurar nas memórias.

A iniciativa decorreu no Pólo de Lisboa, que reforçou o conhecido ADN eclético do clube, em que os jovens foram desafiados a sair da zona de conforto e experimentarem outras modalidades, como atletismo, ginástica, râguebi, andebol, voleibol, karaté e alguns jogos tradicionais. O resultado é claro de se adivinhar: gargalhadas a ecoarem nos diversos campos.

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Tomaz Morais, diretor-geral de formação do Sporting deu as boas-vindas aos atletas, fez votos de que divertissem e, em declarações aos jornalistas, salientou a importância desta ação: «Pretendemos que experimentem diversas desportos, há muitos e todos são bons [Sporting dispõe de 34 modalidades] e quanto mais praticarem, mais cultura desportiva ganham e melhores jogadores, neste caso no futebol, podem vir a ser. E também porque temos ADN muito eclético e acreditamos muito nesta formação desportiva diferenciada.»

«Para nós é sempre importante transmitir primeiro aquilo que realmente faz parte da formação de um jogador, que são aquisições técnicas, táticas, motoras, uma boa capacidade psicológica para poder encarar o desporto ao longo da vida e, neste caso, virem a ser jogadores profissionais de futebol e depois, claro, que o ganhar vai aparecendo de uma forma natural. Nós, no Sporting, não impomos a vitória como um fim só por si, eles primeiro têm de ganhar aquisições, têm de crescer, têm de se construir e as vitórias vão aparecendo como resultado de um bom processo de trabalho e depois, com certeza, sendo Sporting, em qualquer jogo que entramos, queremos ganhar», acrescentou.

Quanto ao objetivo da iniciativa, o diretor-geral de formação foi claro: «No final, o feedback que queremos é de alegria. Dizerem ‘que grande dia que passei’, isto é um dia à Sporting. Acho que é mesmo uma necessidade que existe ganhar-se cada vez mais cultura desportiva em Portugal e essa cultura desportiva muitas vezes ganha-se em dias como estes. Dias que podem parecer às vezes muito festivos, mas em que se criam coisas muito importantes para o futuro e para o conhecimento do desporto na sua globalidade.»

«Dar-lhes experiências enriquecedoras»

José Carlos Reis, diretor técnico e operacional das modalidades também marcou presença e revelou um desejo: «Que saiam satisfeitos e agradados. O que estamos a fazer é tentar dar-lhes experiências enriquecedoras, que os divirtam e que eles gostem de experimentar. No fundo, eles nunca vão deixar o futebol, é a sua modalidade, mas terem contacto com outras modalidades e terem outras experiências que é muito importante para eles. Há transferes sempre de uma modalidade para outra e, quer a nível dos atletas, quer a nível dos treinadores, aprendemos sempre experimentando coisas novas.»

«Isto é extremamente importante, dar esta oportunidade a estes miúdos, porque é de uma riqueza enorme poderem experimentar outras modalidades, portanto, isto só é bom para a cultura desportiva deles e faz-nos crescer mais em termos de todos os níveis é fundamental este tipo de experiências, que sejam em que modalidade sejam», acrescentou.

De sorriso rasgado e olhar brilhante estava Ricardo Dama, coordenador técnico do Pólo EUL: «A base foi uma ideia um bocadinho maluca também da minha parte de querer proporcionar a estes jovens outro tipo de experiências que acho que podem enriquecer muito a vida deles, seja desportiva, seja pessoal. Criámos este dia para ser também um momento muito divertido, de convívio e de identificação com o clube. Vai dar-lhes aqui uma resiliência e espírito de sacrifício um bocadinho diferente.»

«Já estamos de olhos nalguns, para os 'roubar'»

Maria Marques, que na época passada terminou carreira como jogadora da equipa leonina, é agora treinadora do escalão mini-voleibol. A paixão que sente pela modalidade tenta, agora, passá-la aos mais novos: «Gostava que descobrissem a modalidade, em que a bola não pode cair no chão, portanto, é muito difícil, tem vivências muito boas no coletivo, porque dependem uns dos outros, e tem gestos técnicos muito variados que permitem o trabalho de coordenação, velocidade e impulsão, que para o futebol tem algum transfer, principalmente para os guarda-redes.»

E acrescentou: «Apesar de alguns já estarem a aproveitar para dar uns toques com os pés, é uma vivência diferente, eles estão a adorar e já estamos de olho em alguns atletas com qualidades, ainda os vamos roubar ao futebol [risos].» 

Maria Marques à conversa com A BOLA - Foto: Teófilo Afonso

De olhos arregalados, e irrequieto de pé para pé, estava Tiago Carmona, 12 anos, médio-centro, a falar com os jornalistas, ansioso para voltar para junto dos colegas que estavam junto à rede de voleibol.

«É uma atividade muito boa, ainda por cima com pessoas de quem eu gosto e com colegas de equipa, experimentar novas modalidades também me pode ajudar no futebol e aprender novas coisas e curiosidades do desporto. Jogo a médio centro e o meu ídolo é o Paulo Dybala. Como sou médio centro tenho de pensar mais, e como sou baixo, no volei obriga-me a pensar de forma diferente e a usar outras técnicas diferentes dos outros com estatura mais alta. Estou a divertir-me muito, o que tenho mais curiosidade é experimentar o andebol, vi o Mundial e gostei da participação de Portugal», afirmou, antes de sair disparado para o campo onde se estava a praticar voleibol.

Jovem Tiago Carmona mostrou-se feliz com a iniciativa - Foto: Sporting CP

Os jovens andaram em autêntica roda-viva, sem cansaço, sempre empolgados e empenhados no que estavam a fazer. A ver se nenhum é desviado do futebol...

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