FC Porto e Benfica reencontram-se para a Liga, depois de dois empates (0-0 e 2-2) em 2025/26 — Foto: CATARINA MORAIS/KAPTA+
FC Porto e Benfica reencontram-se para a Liga, depois de dois empates (0-0 e 2-2) em 2025/26 — Foto: CATARINA MORAIS/KAPTA+
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FC Porto-Benfica: o peso dos detalhes

Tendo em conta a evolução da Liga nos últimos anos, estes jogos acabam por ter muita influência na classificação final. Por parte dos treinadores, a preparação é cada vez mais cuidadosa e detalhada. 'Mercado de valores' é o espaço de opinião em A BOLA de Diogo Luís, antigo jogador de futebol, economista e comentador

Cada clássico é um jogo diferente e tem uma vida própria. Ao longo da história já tivemos muitos jogos em que o clube que estava no pior momento venceu. Tendo em conta a evolução da Liga portuguesa nos últimos anos, estes jogos acabam por ter muita influência na classificação final. Por parte dos treinadores, a preparação é cada vez mais cuidadosa e detalhada, até porque é nos detalhes que muitas vezes se vencem estes jogos. No final, o que nós, espectadores, esperamos é que todos estes ingredientes resultem num grande espetáculo de futebol.

O peso da pressão

D urante a semana, os jogadores percebem que estes jogos são especiais, pelo ambiente que vivem nas ruas e na comunicação social. Quem joga em casa tem o apoio do público, mas também pode ter uma pressão superior se o jogo não estiver a correr bem. Quem joga fora vai ter de suportar um ambiente muito adverso. Assim, a primeira missão do treinador é preparar os jogadores para o que vão encontrar pela frente. Preparar não é transmitir receio. Preparar é treinar mentalmente as suas equipas para conseguirem gerir os diferentes momentos que o jogo irá proporcionar e fazer com que o foco, a concentração e o compromisso estejam a 100%.

Há ainda outro fator importante. Quem vencer fica em primeiro. Um empate deixará tudo como está. Destaco a importância da vitória porque, a seguir a este jogo, a Liga pára três semanas. A pressão para a equipa que perder será superior e poderá causar um estrago ainda maior do que apenas três pontos.

O peso do desgaste

Estes são os jogos em que é importante ter jogadores frescos. O FC Porto teve uma semana limpa, em que pôde preparar o jogo com tempo. Já o Benfica teve uma deslocação difícil a Milão a meio da semana. Só ligou os motores para o jogo do Dragão na quinta-feira.

Quanto ao desgaste físico, Marco Silva teve uma estratégia ousada e muito arriscada em Milão, onde rodou nove jogadores. Com esta decisão ganhou em toda a linha. Descansou os habituais titulares, mostrou confiança em todo o plantel e não teve receio de os lançar no jogo teoricamente mais difícil da fase de liga da UEFA Europa League. Meteu em campo um onze que nunca tinha jogado junto e a verdade é que existiu ligação na equipa e a identidade saiu reforçada. Esta é a maior vitória que um treinador pode ter.

Torna-se ainda mais relevante porque Marco Silva está há pouco mais de dois meses no Benfica. Venceu ainda um adversário que o Benfica nunca tinha vencido, em casa ou fora.

Com esta decisão em Milão, Marco Silva demonstrou que é um treinador que olha para a floresta e não só para a árvore. Ao fazer esta rotatividade, percebeu que o jogo com o Milan não seria decisivo nesta fase e que o jogo com o FC Porto, como adversário direto, poderá ter influência na classificação final em maio. O risco reforçou a sua ideia de jogo e reforçou a confiança de todos: jogadores e adeptos.

FC Porto: a estratégia

O futebol está cada vez mais esmiuçado e é cada vez mais difícil surpreender o adversário. FC Porto e Benfica têm uma identidade e um estilo de jogo muito próprios. O FC Porto é uma equipa muito física, que se destaca pela forma como pressiona a saída de bola do adversário ou como reage à perda. O objetivo passa por recuperar rapidamente a bola e apanhar as defesas adversárias desposicionadas. Também por isso, sente-se mais confortável em transições rápidas do que em ataque organizado.

Defensivamente, não é uma equipa perfeita. Quando falha a primeira zona de pressão, permite espaço para os adversários explorarem. No início da época passada, esta abordagem surpreendeu. Com o passar dos jogos, os adversários adaptaram-se e começaram a criar dificuldades adicionais.

Tem ainda uma característica favorável. Na baliza está Diogo Costa, que tem uma qualidade única em Portugal e rara no mundo.

Será interessante perceber se Farioli vai querer assumir o jogo e pressionar a saída de bola do Benfica ou se vai alterar e recuar as linhas, de forma a ter a equipa mais compacta, não dar espaço entre linhas e retirar profundidade ao Benfica.

Benfica: a estratégia

E m poucas semanas, Marco Silva transformou o Benfica. Hoje, o clube da Luz é uma equipa que gosta de dominar e controlar o jogo. Os olhos da equipa encarnada estão sempre na baliza adversária. Esta ideia pegou de estaca no plantel encarnado. Os jogadores estão felizes e disponíveis. A equipa cria muitas situações de finalização em todos os jogos.

A intensidade é outra novidade implementada por Marco Silva. Hoje, o Benfica é uma equipa muito mais intensa e que está sempre ligada ao jogo. Se faz um golo, procura o segundo e assim sucessivamente. Defensivamente, a reação à perda de bola é forte. A forma como pressiona os adversários depende da estratégia para cada jogo.

Ofensivamente, percebe-se que existem movimentos bem trabalhados que oferecem várias linhas de passe ao portador da bola. É ainda uma equipa que tem coragem e que assume riscos.

Estou expectante para perceber qual vai ser a estratégia de Marco Silva para o jogo deste domingo. Como o FC Porto não se sente tão confortável em ataque posicional, será que o Benfica vai abdicar de pressionar a saída de bola e dar iniciativa ao FC Porto para poder ter espaço para explorar as costas da defesa portista e limitar os pontos fortes da equipa de Farioli? Ou será que o Benfica, estrategicamente, vai efetuar uma pressão logo na saída de bola do FC Porto?

Estas variantes estratégicas podem fazer a diferença na abordagem e no resultado final do jogo.

Bolas paradas

A s bolas paradas são cada vez mais importantes no futebol. O FC Porto é um exemplo neste capítulo em Portugal. De uma forma consistente, o FC Porto tem conseguido desbloquear ou resolver jogos através de livres ou cantos. Em simultâneo, defensivamente, o FC Porto demonstra ser muito forte neste momento de jogo.

Naturalmente, Marco Silva deve ter alertado os seus jogadores para este ponto forte portista. Ambos os treinadores percebem que as bolas paradas podem fazer a diferença no jogo do Dragão.

Se hoje em dia todos se conhecem muito bem, a realidade é que nas bolas paradas ainda há muito espaço para surpreender. Por esse motivo, este pode ser um detalhe importante no jogo desta noite. Será que Marco Silva ou Farioli vão conseguir surpreender um ao outro?

A valorizar: Luís Tralhão

A vitória na Noruega teve a sua mão. Jogadores estrategicamente e mentalmente muito bem preparados.

A valorizar: Gustavo Varela

Seis golos em cinco jogos pelo Monza são um grande cartão de visita em Itália

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