Jorge Jesus estreia-se como selecionador frente ao País de Gales, a 24 de setembro — Foto: A BOLA
Jorge Jesus estreia-se como selecionador frente ao País de Gales, a 24 de setembro — Foto: A BOLA
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Uma nova era: a Cidade de Futebol à maneira de Jorge Jesus

Novo selecionador pediu mudanças na casa da Seleção Nacional ao mais pequeno pormenor: desde as paredes do corredor ao auditório para fazer «treino de sala» e o objetivo deste trabalho nos bastidores é inspirar os jogadores para corresponderem ao lema do treinador «Viemos para vencer»

Uma nova era. Jorge Jesus chegou e, antes sequer de a bola rolar, quis incutir uma nova alma na Seleção Nacional. Portugal prepara-se para disputar quatro jogos consecutivos na Liga das Nações, mas o novo selecionador já fez muito trabalho de bastidores, em conjunto com a Federação Portuguesa de Futebol.

De forma a mostrar que a sua chegada significa um virar de página, não só verbalmente como tem feito nas conferências de imprensa, mas também visualmente, Jesus renovou a Cidade do Futebol ao mais pequeno detalhe.

Aliás, um dos principais foi dar cor à casa da Seleção, ou seja, trocar as paredes brancas por algo que dê significado aos atletas e funcionários da FPF. Além do vermelho e verde, também foram incutidos nas paredes dos corredores, do ginásio e não só, o símbolo de Portugal, o ano de fundação e alguns lemas.

Logo no primeiro corredor pelo qual os jogadores passam para ir treinar, podem-se ver também os momentos mais altos da Seleção: a melhor classificação num Mundial (terceiro lugar em 1966 com Eusébio), a primeira final (Euro 2004 com Nuno Gomes e Maniche), o Mundial 2006 em que Portugal voltou a estar entre os quatro melhores do mundo (Ronaldo e Figo são os representantes), mas também os três troféus: Euro 2016, Liga das Nações 2019 e 2025. Nessas fotografias, já não são destacados um ou dois jogadores, mas sim a equipa na totalidade no momento em que é levantado o título.

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O objetivo de Jorge Jesus? Criar uma identidade na sua nova casa e inspirar os jogadores a continuar a fazer história pelo seu país, sem esquecer o que está para trás, bem pelo contrário, mas a olhar para a frente. 'Já conquistámos isto, mas queremos mais', o que vem corresponder à frase chave de JJ na primeira conferência: «Viemos para vencer.»

«Faço treino de campo e treino de sala»

Passando para o balneário, Jesus aplicou o mesmo método, acrescentando cor à sala, ao espaço pessoal de cada atleta e deixando vários lemas espalhados - «Pela pátria lutar», «Seleção de todos nós» e «Nação valente e imortal» -, além dos símbolos das três conquistas.

A maior mudança foi a adição de um ecrã tátil com mais de 100 polegadas, tanto no balneário como noutras zonas da Cidade do Futebol, para o selecionador fazer «treino de sala» com os jogadores, além de «treino de campo». Na última conferência, JJ abordou o pouco tempo de treino que tem com os jogadores no relvado, um problema comum no ambiente de seleção, e afirmou que «quer acelerar o processo», pelo que esta é a maneira de o fazer.

«A consciência que tenho é de que tenho de acelerar o processo para que os jogadores se possam identificar mais facilmente com aquilo que quero. Acelerar o processo tem várias componentes, não é só o treino de campo: eu tenho treino de campo e treino de sala. Não faço palestras com os jogadores, faço treino de sala e treino de campo. Depois acredito muito na inteligência e qualidade dos jogadores», explicou na passada sexta-feira.

O ecrã foi, portanto, uma exigência do treinador no balneário, mas também no auditório, a zona da Cidade de Futebol com a maior revolução, transformando a divisão numa autêntica sala de cinema. São 30 os lugares, com cadeirões confortáveis num piso inclinado, e nas paredes estão presentes os três maiores jogadores na história da Seleção: Cristiano Ronaldo (2008, 2014, 2015, 2016 e 2017), Luís Figo (2000) e Eusébio (1965), os três portugueses que venceram Bolas de Ouro. Nas costas estão imagens dos adeptos com o lema do selecionador «Viemos para vencer» e ao lado uma sala de estar para a equipa técnica.

Casa dos Atletas

No ginásio, a regra foi a mesma: mais cor, símbolos dos troféus, lemas, mas Jesus pediu também algum material novo, inclusive bicicletas estáticas. A partir daí, passa-se para outra divisão, a Casa dos Atletas. Os quartos dos jogadores estão distribuídos pelo piso 1 e 2, enquanto a equipa técnica se mantém no piso zero. Curiosamente, Cristiano Ronaldo é o primeiro do segundo piso e Bruno Fernandes do primeiro.

Por fim, a Seleção também tem uma zona para descansar, com mesas de ping pong, bilhar e até jogos de tabuleiro, logo ao lado do refeitório, que também foi um pouco remodelado visualmente. Aí, almoçam e jantam em conjunto os atletas, equipa técnica, etc, a uma hora definida, mas não o pequeno-almoço, em que têm mais liberdade e com uma hora de intervalo.

Esta nova Cidade do Futebol ficou terminada apenas esta semana, precisamente a dias de receber os jogadores para a primeira pausa internacional desde o Mundial 2026. O primeiro jogo é dia 24 de setembro frente ao País de Gales, em Alvalade, mas, para Jorge Jesus, a bola já começou a rolar nos bastidores. Esse trabalho de preparação já foi feito, agora vamos à ação.

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