Novos donos dos Lakers querem colocar o clube a valer €26 mil milhões
Os novos proprietários maioritários dos LA Lakers, um grupo liderado por Joshua Kushner e Bob Iger - transação que ainda terá de ser formalmente aceite pelo Board of Governors da NBA -, estão a apresentar a potenciais investidores uma projeção de valorização do clube para, no mínimo, 30 mil milhões de dólares (26,116 mil milhões de euros) até ao final de 2037. A estimativa consta de uma apresentação da Thrive Capital, a empresa de investimento de Kushner, que foi consultada pelo Wall Street Journal.
Isto depois de, a 12 de agosto, o grupo já ter feito história ao adquirir a equipa de Los Angeles por um valor recorde em todo o desporto da América do norte de 12,5 mil milhões de dólares (€10,88 milhões). Pelos vistos, os novos donos - Iger é ex- CEO da Disney e Kushner é fundador e sócio-gerente da Thrive Capital - acreditam que esse valor pode aumentar significativamente na próxima década.
Afinal, também eles chegaram a acordo com Mark Walter apenas 14 meses depois deste ter comprado a maior parte da quota dos Lakers à família Buss por 10 mil milhões (8,7 mil milhões).
A ambiciosa projeção de 30 mil milhões de dólares depende da duplicação do valor dos direitos de transmissão televisiva e de streaming dos Lakers durante o mesmo período. O grupo prevê que as receitas, que deverão atingir os 681 milhões (593 milhões) em 2026, possam ascender a pelo menos 1,6 mil milhões (1,393 mil milhões) dentro de uma década.
Segundo o Wall Street Journal, a avaliação de 30 mil milhões (26,116 mil milhões de euros) supera o valor combinado de equipas como os Blazers, Timberwolves, Magic, Pistons, Hornets, Pelicans e Grizzlies, segundo as avaliações atribuídas as estes da Sportico. Para atingir os 62 mil milhões (53,97 mil milhões), seria necessário somar ainda os Nuggets, Wizards, Pacers, Bucks, Spurs, Thunder e Jazz.
Para alcançar estes objetivos, a Thrive Capital planeia implementar mudanças que poderão não ser bem recebidas pelos adeptos. A apresentação detalha um plano para gerar 150 milhões (130,582 milhões) em receitas incrementais até 2028. Parte deste valor viria da recuperação de cerca de 6 mil bilhetes de época detidos por intermediários, convertendo-os em bilhetes de jogo único e aumentando o preço médio destes de 217 (189) para 361 dólares (314 euros).
Adicionalmente, os novos proprietários tencionam captar entre 40 e 75 milhões (34,82 e 65,3 milhões) em novas oportunidades de patrocínio e otimizar os custos operacionais em, pelo menos, 20 milhões (17,4 milhões). Na prática, isto traduz-se em bilhetes mais caros, mais publicidade e cortes nas despesas operacionais da equipa.
Estas medidas contrastam com a promessa inicial dos novos donos, que afirmaram que o seu «compromisso a longo prazo é construir sobre a fundação de [Jerry e Jeanie Buss], competir ao mais alto nível e servir esta equipa extraordinária, os seus adeptos e a cidade de Los Angeles».
A estratégia da Thrive Capital baseia-se também na crença de que as taxas televisivas da NBA, atualmente fixadas em 77 mil milhões (67 milhões) por 11 anos, irão duplicar quando o acordo atual expirar.
Mas, segundo o jornalista Jack Baer da Yahoo, há que recordar ainda que esta situação ocorre num momento de incerteza sobre a estrutura acionista dos Lakers. Afinal o grupo de Kushner e Iger adquiriu a participação maioritária a Mark Walter, que, por sua vez, tinha comprado o controlo à família Buss 14 meses antes. A família Buss, através do fundo do falecido Jerry Buss, ainda detém uma participação de 17,8 por cento.
Entretanto, os cinco irmãos de Jeanie Buss — Johnny, Jim, Janie, Joey e Jesse — manifestaram publica e unanimemente a intenção de vender a sua parte ao grupo de Kushner e Iger. Contudo, Jeanie recorreu aos tribunais para impedir a venda e afirmar o seu controlo total sobre a participação familiar, argumentando que a venda não faz sentido dado o «valor continuamente crescente» da equipa, uma visão que se alinha perfeitamente com as projeções da Thrive Capital.