Anthony Correia em lance bem disputado com Antonetti, que este domingo ficou em branco - Foto: António Pedro Santos/Lusa
Anthony Correia em lance bem disputado com Antonetti, que este domingo ficou em branco - Foto: António Pedro Santos/Lusa
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Cló'bis' deu vida à profecia do mestre Bruno Pinheiro (crónica)

Em jogo realizado no Estádio Municipal de Rio Maior, por interdição do José Gomes, o Estrela da Amadora averbou a primeira derrota na Liga (no primeiro jogo em que não marcou golos), enquanto o Ac. Viseu conquistou a terceira vitória consecutiva

A caravana da Liga voltou a viajar até Rio Maior, devido à interdição do Estádio José Gomes, e quem se sentiu verdadeiramente em casa foi o Académico de Viseu. Com uma estratégia agressiva e uma lição defensiva exemplar, os comandados de Bruno Pinheiro venceram o Estrela da Amadora, por 2-0, subindo de rompante na tabela classificativa.

O apito inicial de André Narciso deu o mote para uma pressão sufocante exercida pelos viseenses que, recorde-se, voltaram esta época ao escalão principal após 37 anos de ausência. Os médios do Estrela, asfixiados logo na zona de construção, acumulavam perdas de bola e foi sem surpresa que, aos 10', no segundo pontapé de canto do jogo, a bola encontrou a testa de André Clóvis, que inaugurou, após um cruzamento milimétrico de Kahraman.

O golo não despertou o Estrela, apesar das tentativas de reacção conduzidas por Stoica e Antonetti na frente, os tricolores mostravam-se sem energia e incapazes de ultrapassar a barreira defensiva do Académico, liderada por Anthony.

Aos 24 minutos, numa transição rápida dos visitantes, Kahraman leu exemplarmente a desmarcação de Clóvis que, entre os centrais, fuzilou a baliza à guarda de Leo Linck.

Muralha de Viseu bem resistente

Para o segundo tempo, Pepa mexeu na equipa e lançou o experiente Joan Jordán para tentar segurar as rédeas no miolo. O Estrela foi crescendo, mas longo do nível que tem sido exibido. O Académico recuou linhas, de forma inteligente, tapando os caminhos para as redes de Ewerton e gerindo o ritmo com algumas faltas táticas.

Com o passar dos minutos, a frescura física esvaziou-se - a temperatura rondava os 34º - e o jogo endureceu na zona central, resultando em vários cartões amarelos para ambas as equipas, sendo que a vitória dos visitantes nunca esteve em risco até ao apito final.

A profecia de Bruno Pinheiro foi cumprida, depois de o treinador ter afirmado, na conferência de imprensa de antevisão ao jogo, que a sua equipa podia quebrar invencibilidade dos tricolores.

De salientar que, pela primeira vez na sua história, o Ac. Viseu - clube com 112 anos - alcançou a terceira vitória consecutiva na Liga.

A figura do E. Amadora: Santiago Serra

Conseguiu destacar-se a tentar empurrar a equipa para a frente no miolo. Num meio-campo completamente asfixiado pelo Académico, foi quem arriscou mais na meia distância (dois remates) e tentou dar alguma verticalidade ao jogo ofensivo. Scholze merece aqui destaque por ter sido dos mais inconformados e com melhor rendimento individual.

As notas dos jogadores do E. Amadora:
Leo Linck (5), Max Scholze (5), Stefan Lekovic (4), Bernardo Schappo (4), Rafa Soares (4), Santiago Serra (5), Eddy Doué (4), Abraham Marcus (5), Lovro Zvonarek (4), Ianis Stoica (5), Leandro Antonetti (5), Joan Jordán (4), Kevin Jansson (4), René Mitongo (4), Beni Souza (4) e Robinho (-).

Melhor em campo: André Clóvis (Ac. Viseu)

O avançado brasileiro deu autêntico recital de como jogar na frente de ataque. Dois remates enquadrados no primeiro tempo, dois golos. Além da eficácia tremenda a fuzilar as redes à guarda de Leo Linck, foi fundamental a segurar a bola de costas para a baliza e a dar oxigénio à equipa quando o Estrela tentava pressionar mais alto.

As notas dos jogadores do Ac. Viseu:
Ewerton (6), Robinho (6), Nikos Michelis (6), Anthony Correia (6), Gustavo Costa (5), Luís Silva (6), Kahraman (6), João Guilherme (6), Messeguem (6), Gohi (6), André Clóvis (7), Miguel Brau (5), Álvaro Zamora (5), Alejandro Mestanza (5), Mohamed Bouldini (5) e Nils Mortimer (-).

Pepa, treinador do E. Amadora

Foi um dia mau. Mérito do Ac. Viseu, que conseguiu uma vitória justíssima. Fomos atrás do primeiro golo sofrido com muita precipitação, sem discernimento, com muito tempo ainda para jogar, estranhamente a equipa ficou muito ansiosa. Depois sofremos o segundo, de forma até caricata, com o Clóvis a ficar sozinho... Na segunda parte foi um jogo muito descaracterizado, a equipa desorganizou-se pela ansiedade de ir atrás do resultado, o calor não ajudou, enfim... Foi um dia mau da nossa parte.

Bruno Pinheiro, treinador do Ac. Viseu

Vitória mais do que merecida. Foi um jogo controlado, entrámos fortes, conseguimos relativamente cedo os golos e, depois, soubemos controlar. Fechámos os caminhos para a baliza, demos poucas oportunidades, estivemos mais perto de fazer o 3-0 do que o adversário de fazer 1-2, são três pontos bem conseguidos. Não faço contas as pontos, só no fim. Foco-me no processo e perceber onde é que posso ajudar a equipa a melhorar, os jogos têm-nos dado sempre avaliação onde crescer.

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