Imagem do primeiro anúncio de uma convocatória da Seleção por Jorge Jesus - foto: Mariana Tenorio
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A montanha de JJ pariu um rato

Havia expectativa de revolução, sangue novo e abanão na Seleção. Contudo, a primeira convocatória de Jesus revelou um conservadorismo surpreendente e escassos 15 por cento de novidades...

A expectativa criada em redor da estreia de Jorge Jesus no leme da Seleção Nacional apontava para uma rutura com o passado recente e a expectativa em relação à primeira convocatória do experiente treinador era a de uma lufada de ar fresco na escolha dos intérpretes e o início inevitável de um processo de rejuvenescimento há muito exigido pelo futebol português. Porém, quando a lista de convocados foi finalmente revelada na Cidade do Futebol, a montanha de JJ acabou por... parir um rato.

Apesar do tom musculado no discurso e do habitual alarde tático diante dos jornalistas, as escolhas do novo selecionador pecaram por uma prudência excessiva e até desconcertante. Em vinte e cinco jogadores chamados, apenas quatro representam novidades em relação ao lote que esteve no último Mundial. Escassos 15 por cento de mudança numa estrutura que já dera claros sinais de desgaste e de saturação, exigindo sangue novo para atacar as próximas competições.

Eram muitos os que esperavam ver o rasgo audaz de promover jovens que atravessam momentos de forma fulgurantes nos seus clubes e nos vários palcos europeus — nomes como Rodrigo Mora, Flávio Gonçalves ou Mateus Fernandes —, mas Jorge Jesus preferiu remetê-los comodamente para o espaço dos Sub-21. Alegou que «ainda não é a oportunidade deles», optando por agarrar-se à segurança do passado imediato em vez de dar desde já a pedrada no charco de onde sair o desenho do futuro. Até a tão falada transição geracional em setor decisivo como a frente de ataque acabou empurrada com a barriga para a frente, mantendo-se por lá as figuras de sempre — exceção para Fábio Silva.

É facto sabido que o tempo de preparação para esta janela internacional é escasso e que Jesus justificou a opção pela urgência em «acelerar o processo», socorrendo-se do conforto tático de já ter trabalhado com treze dos convocados em experiências clubísticas anteriores. Trata-se de um pragmatismo compreensível no curto prazo, mas francamente curto para a ambição de médio e longo prazo.

O sinal para fora é, assim, distante da rutura anunciada. Se na sala de imprensa Jorge Jesus continua a ser o treinador genial, assertivo e sem papas na língua que todos conhecemos, na hora de passar da palavra aos atos a sua primeira Seleção poderia perfeitamente ter sido anunciada por... Roberto Martínez. Fica a dúvida se o conservadorismo é só cautela inicial ou se a revolução acabou antes de começar.

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