Rui Borges a trocar impressões com o adjunto Fernando Morato - Foto: Tiago Petinga/Lusa
Rui Borges a trocar impressões com o adjunto Fernando Morato - Foto: Tiago Petinga/Lusa

Sporting: eis o que Rui Borges quer evitar

Arrancar o campeonato com duas jornadas sem vencer é sinónimo de época pouco satisfatória. A BOLA apresenta-lhe os arranques em falso deste milénio. V. Guimarães é o adversário da próxima sexta-feira

O empate concedido pelo Sporting na jornada inaugural da Liga, em casa do E. Amadora, a dois golos, coloca a equipa sob pressão estatística pouco habitual neste século. Ao vacilar na estreia, os leões ficaram à mercê de repetir um registo que, historicamente, costuma ser sinónimo de... tempestade em Alvalade: iniciar o campeonato com dois jogos consecutivos sem vencer é precisamente o que Rui Borges quer evitar nesta fase.

No dia seguinte ao jogo na Reboleira, em que, recorde-se, o Sporting perdeu vantagem de dois golos, Rui Borges não escondeu a irritação e fez questão de transmitir ao plantel, de forma clara e sem rodeios, que o rendimento apresentado na segunda parte esteve muito aquém do exigível para quem joga de leão ao peito. Sem papas na língua, a mensagem do treinador, tal como apurou A BOLA, foi clara: o Sporting tem de fazer muito mais.

Houve sempre chicotadas

Desde a viragem do milénio, o clube leonino apenas por duas vezes falhou a conquista de uma vitória nas duas primeiras rondas. Olhar para o passado recente serve de aviso para o coletivo verde e branco, já que estas entradas em falso coincidiram invariavelmente com épocas de crise desportiva e chicotadas psicológicas.

Em 2004/2005, com José Peseiro, embora o Sporting tenha começado com uma vitória frente o Rio Ave (3-2), caiu estrondosamente na jornada seguinte em Setúbal (0-2) e seguiram-se três jogos sem vencer: derrota com o Marítimo (0-1), empates com Rio Ave (0-0) e UD Leiria (2-2). Apesar do mau arranque, a equipa recuperaria ao longo do ano, terminando em 3.º lugar e atingindo a final da Taça UEFA.

Mas vamos às épocas em que o Sporting começou sem vencer. Em 2010/2011, Sá Pinto era o treinador, na 1.ª jornada os leões empataram com o Farense (0-0), seguindo-se nova igualdade, desta feita com o Beira-Mar (0-0) e depois uma derrota com o Marítimo (2-3). No final do campeonato o Sporting ficou em 3.º lugar, a 36 pontos (!) do campeão FC Porto.

Em 2012/2013, quando se registou o pior arranque de que há memória na era moderna, que resultou em quatro treinadores numa época. Um empate sem golos em Guimarães, seguido de uma derrota em Alvalade frente ao Rio Ave (0-1) ditaram o fim de ciclo de Sá Pinto - seguiram-se Oceano, Franky Vercauteren e Jesualdo Ferreira. Essa temporada ficaria marcada como a mais negra da história do clube, culminando num inédito e dramático 7.º lugar.

Já em 2019/2020, com Marcelo Keizer a iniciar a época no comando técnico, após derrota pesada na Supertaça, diante do Benfica (0-5), o começo da Liga foi com empate diante do Marítimo (1-1), seguiram-se vitórias com SC Braga (2-1) e Portimonense (1-3) e depois o descalabro: derrota com o Rio Ave (2-3), que originou a demissão do técnico neerlandês, tendo Leonel Pontes assumido a vaga durante dois jogos, no empate com o Boavista (1-1) e outro jogo sem ganhar, com o Famalicão (1-2), depois foi contratado Silas, que esteve no comando técnico entre novembro de março de 2020, altura em que Ruben Amorim a assumiu a equipa. Nas contas finais o Sporting ficou-se pelo 4.º lugar.

Fortaleza de Alvalade

A receção ao V. Guimarães, na próxima sexta-feira, assume contornos de prova de fogo. O fator casa passa a ser crucial para evitar que os leões entrem nesta lista negra logo na segunda jornada, com os verdes e brancos a verem-se obrigados a impor o favoritismo perante os adeptos e conquistar os três pontos. Recorde-se que na época passada Alvalade foi autêntica fortaleza, em que dos 17 jogos para a Liga realizados em casa o Sporting venceu 13, tendo cedido pontos para FC Porto, Benfica (duas derrotas por 1-2), SC Braga (1-1) e Tondela (2-2).

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