Deco: «Vinha para o Benfica, mas o FC Porto foi amor à primeira vista»
Deco, atual diretor desportivo do Barcelona, esteve presente no Portugal Football Summit, participando num one on one com Rui Miguel Tovar, onde recordou uma história já conhecida relacionada com a chegada ao futebol português. O antigo internacional português pensava que iria jogar no Benfica, mas o destino acabaria por ser outro.
«Na altura, eu tinha 18 anos e o empresário disse que eu ia para o Benfica e eu achava mesmo que era para o Benfica. E quando me dei conta, apresentaram-nos o diretor do Alverca. O aeroporto estava cheio de jornalistas e estranhei. O Cajú também estava comigo e descobrimos que a imprensa estava ali por causa do Paulo Nunes, que ia para o Benfica. Nós também pensávamos que vínhamos para o Benfica, mas foi-nos logo apresentado um senhor do Alverca. E só quando vi as placas a dizer Alverca é que descobri para onde ia», começou por contar, acrescentando que chegou a treinar no Benfica e que o FC Porto foi «como um amor à primeira vista».
«O Cajú estava triste, chorava, e eu estava com fome. Dizia-lhe para não ficar assim. Que primeiro tínhamos de comer. Fui andar pela cidade, fomos ao Artur dos Frangos comer. E o senhor já sabia que éramos os miúdos que vinham para o Alverca. Só eu é que não sabia. Não tinha dinheiro e ele disse que depois pagávamos. Cheguei a ir treinar algumas vezes ao Benfica. Umas quatro vezes. No fundo, a ideia era ir para o Benfica. Mas depois deixei de pensar nisso e foquei-me no Salgueiros. A forma que tinha para lidar era jogar. Só podia responder em campo. O FC Porto foi como um amor à primeira vista. Fui ver um jogo no Estádio das Antas, com o Jardel a marcar golos. Imaginei logo a jogar-me ali. Ainda fui ao Salgueiros, mas queria jogar no FC Porto», referiu, abordando a passagem pelo Dragão.
«A minha história no FC Porto teve também sofrimento. O título do penta não senti que fosse parte da minha história. Sonhava entrar na história do clube, ser uma referência. Os primeiros anos não foram assim, com algumas lesões. Após a conquista da Taça UEFA, o Barcelona queria contratar-me, eu queria ir. Pinto da Costa disse que se o Mourinho deixasse eu podia ir, o Mourinho dizia que se o Pinto da Costa deixasse, eu podia ir. E percebi que algo não estava bem. Estive dois meses mal, mas depois decidi que tinha de voltar a jogar. O Barcelona voltou no ano seguinte, eu achei que não ia dar certo porque não ofereciam o que o FC Porto queria, mas o presidente foi muito correto e disse que eu podia ir para onde quisesse», atirou.
«FC Porto é o clube do coração, é o clube que eu amo»
Já em declarações aos jornalistas, Deco manifestou-se convicto de que Jorge Jesus terá sucesso ao leme da Seleção Nacional, classificando o novo selecionador como «um dos melhores treinadores de sempre do futebol português».
«Acho que o mister Jorge Jesus já demonstrou que é um vencedor nato e que, em todos os lugares onde esteve ganhou, conquistou. Se olharmos para a carreira dele, em todos os clubes, acabou por transformá-los e eu acredito que ele tem capacidade para fazer isso na Seleção», afirmou Deco.
O antigo médio de FC Porto, Barcelona e Chelsea fundamentou a sua confiança no conhecimento que o técnico tem dos jogadores e do futebol nacional, mas acima de tudo na sua qualidade. «Para mim, é um dos melhores treinadores de sempre do futebol português, então, não tenho dúvidas que ele tem capacidade para isso», reforçou.
Deco comentou ainda o bom momento do seu «clube do coração», o FC Porto, atual líder da Liga e campeão em título. O dirigente mostrou-se satisfeito por ver os dragões novamente «fortes, na linha das vitórias», destacando o recente triunfo sobre o Benfica, por 3-1.
«FC Porto é o clube do coração, é o clube que eu amo, que eu acompanho sempre. Ver o FC Porto, outra vez, forte, na linha das vitórias, é muito bom, claro, quando se vence um clássico, é sempre uma vantagem acrescida e, por isso, o último fim de semana foi bom», disse.
Questionado sobre o alegado interesse do Barcelona nos avançados Pavlidis (Benfica) e Luis Suárez (Sporting), Deco recusou-se a entrar em pormenores, limitando-se a dizer que é normal o clube «olhar para os bons jogadores». Já no que toca à rivalidade em Espanha, o diretor desportivo do bicampeão espanhol abordou o reencontro com José Mourinho, seu antigo treinador no FC Porto, que regressou ao comando técnico do Real Madrid.
«Adversário sempre, porque a rivalidade é normal, mas nunca inimigos. Nós somos amigos, eu tenho um carinho enorme por ele», garantiu Deco, recordando os tempos que partilharam no FC Porto. «Coincidimos os dois em um momento para mim espetacular da história do futebol português, da história do FC Porto. Seguimos caminhos diferentes e, agora, é divertido», declarou.
Apesar de reconhecer que ter Mourinho como adversário «é mais complicado», Deco mostrou-se «feliz» pelo novo desafio do técnico português no Real Madrid, «um dos maiores clubes do mundo». «No final o que importa é o respeito, o carinho, que eu tenho bastante por ele», concluiu, admitindo ainda não ter tido oportunidade de falar com o seu antigo treinador.
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