Era uma vez três presidentes muito influentes
A morte de um imortal dói sempre e ajuda-nos a relativizar uma razoável quantidade de coisas. Quem adormeceu na segunda-feira ou acordou na terça com a notícia da morte de Jorge Manuel de Abreu Palma, músico de 76 anos, certamente tendeu a pensar em assuntos sérios.
Não falo daquelas conversas que todos temos em velórios e funerais — «não somos nada»; «preocupamo-nos tanto com coisas que não valem a pena»; «somos tão pequenos»; «não sabemos dar valor às coisas boas da vida»; «tanta preocupação para quê?»; «nestas horas é que se vê o que é importante».
Atenção: estas conversas parecem-me absolutamente centrais — o lamentável é só nos lembrarmos delas quando já é tarde, pelo menos para quem velamos, enterramos ou cremamos, mas sobretudo, nas mais das vezes, para nós próprios.
Em relação ao que mortes como as de Palma nos trazem pensava mais em temas como as guerras de Trump, Netanyahu e companhia. Talvez devêssemos refletir mais sobre elas quando nos afobamos com o preço da gasolina. Ou na visita de Xi-Jinping aos Estados Unidos, que tem muito mais a ver connosco do que julgamos. Ou, até, no curioso caso de três presidentes importantíssimos para o futuro da Humanidade — Dario Amodei (Anthropic), Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk (xAI) — terem recentemente concordado na ideia de que é preciso colocar alguns travões no desenvolvimento da inteligência artificial, sob pena de a criação dar cabo do criador e a espécie humana ficar sob sério risco.
Em Portugal também há três presidentes importantíssimos para o ecossistema desportivo — salvaguardadas todas as distâncias do bom-senso e da razoabilidade relativamente ao que discutíamos atrás —, mas esses teimam em não se entender. Ou melhor, todos apregoam querer o melhor para o futebol português, mas querem-no de forma tão divergente que mais parece quererem o melhor, apenas, para cada um deles. Ou o que é aparentemente melhor.
Cada um acha que os outros dois se unem contra si. Quem vai à frente e quem vai atrás critica sempre a arbitragem (já nem é só quando perde). Um não aparece num evento de topo da FPF e não quer a centralização dos direitos televisivos, os outros dois aparecem, disparam frente aos microfones mas mal se falam.
Espero que no funeral do futebol português não venham dizer que havia coisas tão «mais importantes» para terem sido feitas antes da fatalidade.