Há um ano, Farioli perdeu o título neerlandês na ponta final com o Ajax... - Foto: LUSA
Há um ano, Farioli perdeu o título neerlandês na ponta final com o Ajax... - Foto: LUSA

Sporting e Benfica de novo a sonhar: vai Farioli voltar a ser... Farioli?

O empate caseiro com o Famalicão reacende a luta pelo título e ressuscita o trauma do técnico italiano. Com Sporting (e Benfica) à espreita, estará o filme do Ajax prestes a repetir-se?

A noite de 4 de abril de 2026 ficará gravada como o momento em que o silêncio ensurdecedor do Dragão substituiu o cântico da vitória. O empate do FC Porto frente a um Famalicão atrevido não foi apenas um percalço no caminho; foi o estalar do verniz numa liderança que parecia inabalável.

Com o Sporting à espreita — e com o jogo em atraso frente ao Tondela a poder reduzir a distância para meros dois pontos —, o campeonato português deixou de ser uma cavalgada triunfal para se tornar num thriller psicológico de final incerto.

No centro deste furacão está Francesco Farioli. O técnico italiano, mestre da estética e da posse, começa a ver o seu passado projetado no Douro como um filme de terror em alta definição. É impossível não recordar a tragédia grega vivida na época passada em Amesterdão.

Ao serviço do Ajax, Farioli chegou a gozar de uma vantagem de 10 pontos sobre o PSV Eindhoven. O título era dado como certo, as faixas estavam encomendadas, mas a equipa desmoronou-se na reta final, permitindo uma ultrapassagem histórica que deixou a capital neerlandesa em estado de choque. A história, dizem os cínicos, repete-se; os adeptos portistas, agora, temem que Farioli esteja prestes a... ser Farioli.

A margem de erro evaporou-se e o calendário não tem piedade. Na próxima jornada, o FC Porto viaja até à Amoreira para defrontar o Estoril de Ian Cathro. E aqui reside o perigo real: este Estoril não é um outsider qualquer. Pratica um futebol de vertigem, corajoso e taticamente evoluído.

Convém não esquecer que, na primeira volta, apesar da derrota tangencial, os homens de Cathro foram claramente superiores em pleno Dragão, expondo fragilidades que Farioli nunca conseguiu camuflar totalmente.

Com 18 pontos em jogo, a Liga está relançada e o fôlego é novo em Lisboa. O Sporting de Rui Borges, que tem demonstrado uma frieza pragmática na perseguição, sente o cheiro do sangue e sabe que depende apenas de si para incendiar o topo.

Mas não se engane o Dragão: até o Benfica, mesmo correndo por fora e com menos probabilidades matemáticas, volta a ter licença para sonhar com um descalabro azul e branco. Para o FC Porto, o desafio já não é apenas tático, é mental.

Farioli tem seis jornadas para provar que aprendeu a lição neerlandesa ou para confirmar que o seu futebol, embora belo, carece do instinto de sobrevivência para os meses de brasa.