Rui Borges fez na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete, a antevisão do jogo com o Tondela - Foto: Miguel Nunes
Rui Borges fez na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete, a antevisão do jogo com o Tondela - Foto: Miguel Nunes

Sporting: a renovação, o mercado de inverno, as lesões e, claro, o Tondela (tudo o que disse Rui Borges)

Treinador leonino fez a antevisão do jogo em atraso da 26.ª jornada. É esta quarta-feira em Alvalade

O Sporting já não depende de si mesmo para chegar ao 2.º lugar. O empate com o Aves SAD (1-1) no domingo deu essa vantagem ao Benfica, que os leões podem alcançar nos 75 pontos mas com as águias a beneficiarem do confronto direto nesta luta a dois pela vaga na UEFA Champions League.

O tricampeonato, esse, é só uma miragem distante que pode desaparecer já neste fim de semana, basta o FC Porto ganhar ao Alverca para fazer a festa. Mas na antevisão do jogo com o Tondela, em atraso da jornada 26 do campeonato, Rui Borges respondeu ainda sobre a renovação, as lesões, o mercado de inverno...

Eis tudo o que disse o treinador leonino ao início da tarde desta terça-feira na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete:

— Como se faz a gestão emocional da equipa numa altura mais complicada, em que passou a depender de terceiros para o 2. lugar?

— Essa é a parte mais importante, ligar toda a gente para o jogo, frente a uma equipa que precisa de pontos. Com o novo treinador tem sido bastante mais audaz, pressiona mais e se expõe mais, o que também é de destacar, essa audácia. Por isso, cada um com os seus objetivos, também precisamos dos pontos. O Tondela vai dar a vida pelos pontos, mas nós também vamos porque precisamos. A malta está preparada para tentar ganhar este jogo.

— Qual foi o motivo da rotação com o Aves SAD? Por que não entrou com o onze mais forte?

— Gosto de falar sobre o que é o jogo num todo. Hoje o adepto diz para meter o Manel, eu meto o Manel e o adepto diz que que devia ter posto o António. O adepto é o adepto, em casa, com uma cervejinha e uma sandes mista está tudo bem. Isto é muito além do onze para jogar e os que são melhores… é muito relativo. Este treinador tem muito a ver com a ligação com os jogadores, o que eles dizem e sentem, porque nesta fase não há muito para treinar, há muito para respirar e ajudar a deixá-los o mais a 100 por cento possível. No jogo, houve jogadores que claramente não estavam capazes de dar o contributo a 100 por cento durante 60, 70 ou 80 minutos… No que é o diálogo coletivo, as opções tiveram de ser essas, mas não ganhámos ou deixámos de ganhar por essas opções. Fizemos muito, tivemos oportunidades de golo, só não fizemos golos. Não fizemos um grande jogo mas fizemos mais do que suficiente para ganhar. Não tem a ver com as opções do treinador, tem a ver com o facto de que há jogadores esgotados e não dava mais para andar nessa parte do tentar, porque por mais que eles queiram, o corpo não responde da mesma forma.

— O desgaste é nesta altura mais mental do que físico?

— O desgaste mental piora o físico. Claro que quando podíamos ter feito ainda mais história [com o Arsenal] mexeu um pouco connosco. Depois, o jogo com o Benfica em que num minuto estamos a ganhar e no outro a perder... São várias sensações mentais que nos atingiram e que mexem sempre connosco. A exigência do jogo, em termos mentais, foi um absurdo. Por muito que digamos que não, tudo isso acaba por mexer connosco. Depois, o jogo com o FC Porto logo a seguir... Foi uma sequência de quatro jogos sem intervalo, com uma exigência e um desgaste tremendos.

— Como reagir a este momento?

— Eles sabem o que aconteceu, mentalmente bate um pouco, claro. Mas a confiança é total. Não é por isso que deixam de ser um grande grupo, uma grande equipa. Quero ganhar sempre e eles também. Temos de fazer a nossa parte, que é ganhar, depois se dá ou não para o 2.º lugar se verá. Sou otimista e com muita confiança. O meu discurso para com eles é sempre otimista. Eles sabem onde estão, o clube que representam e a responsabilidade de representar o Sporting e lutar por tudo. Vão estar motivados e ligados para a exigência e responsabilidade destes últimos jogos

— Pode haver mais gestão neste jogo com o Tondela?

— Ainda vou tomar decisões. Um ou outro jogador mais sobrecarregado, fisica e mentalmente. Mesmo os que entraram não quer dizer que estão recuperados, a sobrecarga de alguns, o Maxi, o Luis Suárez, o Trincão… é de loucos! E mesmo outros não estão com essa frescura toda

As lesões

— O Sporting já teve 18 jogadores lesionados esta época, Debast esteve lesionado, voltou e ressentiu-se, o mesmo aconteceu com Ioannidis. Fresneda também não se sabe se volta a jogar esta temporada. Reconhece que esta situação das lesões não é normal e pode ter sido uma questão decisiva para estes últimos resultados?

— Normal não é, como é lógico. Agora há coisas que não controlamos: se tivéssemos 18 lesões musculares, teríamos de repensar tudo o que estamos a fazer em termos estruturais, agora, não tem a ver com isso. Há coisas que não controlamos e tivemos muitas lesões que não controlámos e isso prejudicou-nos. Íamos pagar a fatura em algum momento e estamos a pagar um bocadinho isso, não conseguimos gerir a equipa em alguns momentos. No momento mais importante para gerirmos, não conseguimos. Tínhamos Quenda e Ioannidis, e o Pote em algum momento, eram jogadores importantes que estiveram de fora. Não é normal, mas como vamos controlar lesões traumáticas? Não conseguimos. Há algumas lesões musculares, mas isso vai existir sempre, no Sporting e em todas as equipas do mundo. Se calhar, se compararmos com outras equipas, é ela por ela. O risco está lá e não há como fugir a ele, ou íamos jogar com os miúdos todos da equipa B.

— Há mais algum jogador em dúvida para o jogo com o Tondela?

— Pode especificar melhor as situações?

— Estão com queixas físicas.

— Mais alguém de fora?

— O Iván [Fresneda] continua e o Fotis [Ioannidis]. O Gonçalo Inácio e Morten [Hjulmand], que já não deve jogar. O Inácio também está com bastantes queixas.

— E a situação do Nuno Santos?

— Voltou a trabalhar na equipa no último treino antes do Aves SAD e optámos por não o colocar. Está convocado para amanhã.

— Como se pede a um jogador que está sobrecarregado para fazer um esforço extra e ir a jogos, mesmo sabendo do risco de lesão?

— Os jogadores sabem que estão num clube exigente e sentem a responsabilidade, sabem o peso que têm na equipa e sabem que em alguns momentos correm esses riscos [de lesão], aqui e em todos os clubes. Vou dar um exemplo e enaltecer o Daniel Bragança. No Dragão, ele nem devia estar em jogo. Ele disse que queria estar com a equipa, que era um jogador importante, quis ajudar, entrou condicionado e entrou muito bem. Naquilo que era o sentimento dele para o jogo no Dragão, para mim, ganhou-me em cinco segundos. Ele sabe o risco que corre. Não o quero perder para o resto da época, se se lesiona não joga mais esta época, mas pôs a equipa acima de tudo o resto e isso ganhou-me. O melhor médico deles são eles próprios, eles é que conhecem o próprio corpo melhor do que ninguém. Eles próprios sabem de que forma podem ajudar a equipa.

Mercado de inverno

— Sente que o mercado de inverno do Sporting falhou?

— Não podia adivinhar que ia haver tantas lesões em 29 jogadores. Contratámos o Luís Guilherme e lesionou-se logo... O Faye demorou um pouco a adaptar-se. Entretanto voltou o Quenda também... Só se quiserem que tenhamos um plantel de 50 jogadores e se calhar vai ser preciso porque há cada vez mais lesões e a sobrecarga a que os jogadores estão sujeitos é surreal! Compete-nos esperar que não tenhamos mais lesões que não conseguimos controlar, sendo que as únicas que conseguimos são as musculares.

— Mas teve reforçadas todas as posições que pretendia?

— Nós tínhamos o plantel equilibrado em todas as posições, acho que não é muito pelo mercado de janeiro. Sabíamos que podíamos perder o Alisson, perdemos um e acrescentámos dois [Luís Guilherme e Faye], mas mais numa perspetiva de futuro. O Luís [Guilherme] lesionou-se sozinho num treino, teve uma lesão traumática, quer dizer… de vez em quando as toupeiras saem [risos]. Há coisas que não controlamos. Fomos tendo lesões mais longas que não estávamos à espera. O Matheus Reis? Sim, mas já expliquei que ele teve direito a escolher o seu futuro. Depois tivemos azar com tantas lesões traumáticas…

Renovação

— Voltamos a falar muito na renovação do seu contrato. Está certa? Qual o melhor timing para anunciar?

— Não sei, porque não ligo nada a isso. Estou feliz, estou num grande clube. Infelizmente, nestas últimas semanas tiraram-nos da luta pelo tricampeonato. É explícito isso... O FC Porto esteve lá em cima o tempo todo e está a uma vitória do título... Mas andámos sempre na luta e sinto muita confiança. Jamais deixarei cair sobre os jogadores as culpas do que quer que seja. Eles merecem todo o meu apoio.

— E arbitragem, o que dizer sobre a frase do manto verde?

— Sobre isso não vou falar.