RD Congo, primeiro obstáculo de Portugal
RD Congo, primeiro obstáculo de Portugal

Hoje somos nós. Depois de dias a fio a ver os outros, chegou a hora da Seleção Nacional entrar em campo e mostrar argumentos que justifiquem o otimismo que a envolve. Para início de conversa, uma confissão: todos queremos jogar bem e ganhar por muitos, mas o que interessa é passar da fase de grupos ao mata-mata, este ano com mais uma eliminatória. Lembremos a Itália de 1982 ou o Portugal de 2016, para distinguirmos com clareza o essencial do acessório.

Quanto ao adversário, a RD Congo, é bom que se diga que se trata de uma equipa que não representa o futebol africano. Esse vê-se, quando muito, nas competições continentais de clubes. Nos 26 jogadores congoleses chamados para o Mundial, apenas seis nasceram na RD Congo, e quatro desses só jogaram futebol na Europa. Os restantes, nasceram em França (11), Bélgica (5), Suíça (2) e Inglaterra (2). Destes 26 futebolistas, nenhum joga, atualmente, no país cuja camisola veste.

Quer isto dizer que vamos defrontar uma equipa com raízes congolesas, mas de matriz futebolística europeia, conhecedora dos princípios do jogo e taticamente evoluída, ao contrário da primeira experiência em Mundiais desta mesma RD Congo, ainda com o nome de Zaire, quando em 1974 foi o bombo da festa na RFA, perdendo por 9-0 com a Jugoslávia, em Gelsenkirschen.

Estive em 2010 em Port Elizabeth, no Portugal,0- Costa do Marfim,0, um jogo de muita contenção e pouca inspiração. Dezasseis anos volvidos, a principal diferença está em que agora vamos defrontar segundas gerações, nascidas nos países de acolhimento, enquanto em 2010, apesar de jogarem esmagadoramente na Europa, 13 dos 14 marfinenses que defrontaram Portugal, tinham nascido em solo pátrio.

Pode ser que haja muita gente a pensar que esta estreia de Portugal no Mundial de 2026 vai ser de bar aberto. Desenganem-se. E não me passa pela cabeça que os nossos jogadores não estejam avisados para as dificuldades que os esperam. Deixando de lado as escolhas de Roberto Martinez, quem entrar em campo, seja quem for, tem de manter a concentração e estar preparado para ter pela frente uma equipa atleticamente forte, e cheia de vontade de igualar, no campo dos brilharetes, Austrália, Cabo Verde, Catar, Egito, Japão e Arábia Saudita.

*Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), nos Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilvers e New Jersey Americans) e no Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 disputar-se-á por terras onde o ‘King’ espalhou o fulgor derradeiro da sua magia… 

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