Sancho prometeu muito no Manchester United, mas não correspondeu às expectativas
Sancho prometeu muito no Manchester United, mas não correspondeu às expectativas

Sonho virou pesadelo: custou €85 M e sai pela porta dos fundos de Old Trafford

Sancho prometia muito quando reforçou o Manchester United, mas nunca mostrou a versão que apresentou no Dortmund

A passagem de Jadon Sancho pelo Manchester United terminou com um comunicado, que anunciava também as saídas de Casemiro e Tyrell Malacia. O clube optou por não acionar a opção de mais um ano de contrato, pondo fim a uma ligação que começou como um «sonho tornado realidade» para o jogador, mas que se revelou uma desilusão para ambas as partes.

A transferência de 85 milhões de euros do Borussia Dortmund em julho de 2021 prometia muito, mas a realidade foi bem diferente. A sua passagem por Old Trafford ficará marcada pela polémica com Erik ten Hag e pelo feito notável de disputar as finais das três competições europeias de clubes em três épocas consecutivas, ao serviço de três equipas diferentes por empréstimo: Borussia Dortmund, Chelsea e Aston Villa.

A última vez que Sancho jogou em Old Trafford com a camisola dos red devils foi a 26 de agosto de 2023, numa vitória frente ao Nottingham Forest. No total, realizou 30 jogos na Premier League pelo clube, mas completou os 90 minutos em apenas 10 ocasiões. Nos últimos dois anos e meio, com exceção de uma breve aparição na Supertaça inglesa em 2024, Sancho esteve a jogar noutros clubes.

A situação financeira do negócio chocou o proprietário minoritário, Sir Jim Ratcliffe, que em março de 2025 revelou à BBC Sport: «O Sancho joga agora no Chelsea e nós pagamos metade do seu salário.»

O ano perdido e o desajuste tático

A história de Sancho no Manchester United foi marcada por vários momentos cruciais, começando pela tentativa falhada de contratação em 2020. Ole Gunnar Solskjaer tinha-o como alvo principal, mas o clube não cumpriu o prazo imposto pelo Dortmund. Sancho permaneceu na Alemanha e realizou uma das melhores épocas da sua carreira, com 16 golos e 20 assistências, culminando na conquista da Taça da Alemanha.

Quando finalmente chegou a Manchester em 2021, um ano mais tarde, surgiu um problema tático. Identificado como uma ameaça pela direita, Sancho preferia jogar na esquerda. No entanto, essa posição era ocupada por Marcus Rashford, que na época seguinte atingiu o seu auge com 30 golos, relegando Sancho para a direita ou para o banco de suplentes.

O seu rendimento em Old Trafford nunca se aproximou dos números alcançados no Dortmund. Em 79 jogos pelo United, marcou apenas 12 golos e fez sete assistências. Desde a sua última grande época na Alemanha, o seu registo combinado em quatro clubes é de 21 golos e 21 assistências em 173 partidas.

Problemas pessoais e o conflito com Ten Hag

Uma quebra de forma levou a uma pausa de três meses em 2022. Embora Sancho nunca tenha falado abertamente sobre os seus problemas pessoais, Erik ten Hag sugeriu que a sua ausência da convocatória da seleção inglesa para o Mundial do Qatar poderia ter sido um gatilho. «É físico, mas o físico também está ligado ao mental», comentou o treinador neerlandês na altura, que procurou gerir a situação de forma sensível, chegando a organizar treinos para o jogador nos Países Baixos.

O ponto de viragem ocorreu no início da sua terceira época. Sancho foi surpreendentemente deixado de fora da convocatória para um jogo contra o Arsenal em 2023, o que desencadeou um conflito público com Ten Hag e selou o seu destino no clube, culminando na sua saída discreta e no fim de um percurso que prometia ser de sonho.

Em setembro de 2023, Ten Hag criticou o desempenho de Sancho nos treinos, levando o jogador a responder quase de imediato nas redes sociais, afirmando que estava a ser usado como «bode expiatório». O impasse durou quatro meses, período durante o qual Benni McCarthy, membro da equipa técnica de Ten Hag, tentou mediar a situação. «Falei com o Jadon como treinador, como mentor, como amigo e como alguém que cresceu nas ruas», revelou McCarthy. No entanto, a tentativa foi em vão. «O Jadon simplesmente não aceitou. Ele disse: ‘Não vou pedir desculpa, porque se o fizer, estou a pedir desculpa por ser preguiçoso, por chegar sempre atrasado, por não dar o meu melhor’».

A solução encontrada foi um empréstimo ao Dortmund, onde Sancho ajudou a equipa a chegar à final da Liga dos Campeões. Contudo, o clube alemão não tinha capacidade financeira para o manter. Seguiu-se uma trégua temporária, negociada pelo diretor desportivo do United, Dan Ashworth, que permitiu a Sancho juntar-se à pré-época de 2024. O Chelsea apareceu como uma solução, com um empréstimo que incluía uma cláusula de compra obrigatória, mas após cinco golos em 41 jogos, os londrinos preferiram pagar uma penalização de mais de cinco milhões de euros para o devolver a Old Trafford.

Desta vez, não houve reconciliação. Sancho foi colocado no grupo de dispensados de Ruben Amorim, treinando à parte da equipa principal até se transferir para o Aston Villa Villa a 1 de setembro. Apesar de alguns vislumbres de qualidade, a sua passagem pelo Villa foi discreta, tendo sido suplente utilizado nos minutos finais da vitória na final da Liga Europa contra o Friburgo.

Michael Carrick, atual treinador do Manchester United que trabalhou com Sancho na equipa técnica de Solskjaer, elogiou as qualidades do jogador em março. «Vendo o Jadon de perto, tecnicamente, ele tem uma capacidade imensa», afirmou Carrick.

«Dentro e fora da área, a sua condução de bola, as suas pequenas jogadas, as ligações, a sua criatividade, a forma como trata a bola... ele tem uma habilidade natural. Sempre a teve desde a formação. Isso é uma parte do futebol», explicou. No entanto, Carrick acrescentou uma ressalva sobre os desafios da carreira de um futebolista de topo: «Mas, e não estou a falar do Jadon individualmente, é assim que as coisas são e devem ser. Não se pode assumir que tudo vai correr bem. Está provado que nem sempre é assim. É preciso encontrar uma forma de ultrapassar as dificuldades. Se jogas numa boa equipa, com bons jogadores e um plantel com profundidade, isso faz parte do desafio para te manteres no topo.»

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