Jogadores do Hearts a celebrarem um golo, incluindo o luso Cláudio Braga
Jogadores do Hearts a celebrarem um golo, incluindo o luso Cláudio Braga - Foto: IMAGO

Sir Alex Ferguson dá contributo para acabar com 40 anos de domínio

Antigo treinador do Manchester United tem ajudado o Hearts, de Cláudio Braga, que procura ser o primeiro campeão escocês em quatro décadas, sem ser Celtic ou Rangers

O Hearts, de Cláudio Braga e líder do campeonato na Escócia, conta com um conselheiro de luxo na sua surpreendente caminhada rumo ao título: Sir Alex Ferguson. Derek McInnes, técnico do médio português, revelou à BBC que fala regularmente com o lendário ex-técnico do Manchester United, que lhe fornece «pequenas pérolas de informação».

A equipa de Edimburgo lidera a liga desde outubro, uma proeza rara para um clube fora da esfera do Old Firm - Celtic e Rangers, que partilham o estatuto de campeão há... quatro décadas! A última vez que um clube quebrou esta hegemonia foi nos anos 80, precisamente com uma equipa do Aberdeen orientada por um jovem Alex Ferguson.

McInnes, de 54 anos, admite a sua admiração pelo compatriota e a sorte de poder contar com o seu apoio. «Tenho a sorte de falar com Sir Alex regularmente», afirmou. «Ele ligou-me a caminho do jogo e dá-me ótimas dicas, pequenas pérolas de informação. Consegue dar-nos pequenas coisas que talvez possamos fazer e dizer, como a forma de lidar com a imprensa», explicou.

Segundo o técnico do Hearts, Ferguson, de 84 anos, acompanha a equipa de forma minuciosa e planeia visitar o estádio Tynecastle nas próximas semanas. «Ele conhece todos os meus jogadores. Fala como se os conhecesse intimamente e eu digo isso aos meus jogadores, e eles ainda nem acreditam que ele conhece o nosso jogo por dentro e por fora», acrescentou McInnes. «Ele observa de forma forense. Por isso, sinto que tenho ali um verdadeiro apoiante.»

O sucesso do Hearts, que recentemente venceu o dérbi de Edimburgo com um golo tardio, apanhou o próprio treinador de surpresa. «Não, não pensaria que poderíamos estar onde estamos, mas isto só mostra o que pode ser feito», confessou McInnes, que admitiu ter tido uma noite de insónias devido à adrenalina do jogo. «Revirei-me na cama com a adrenalina. Foi uma noite longa, mas é sempre melhor quando se ganha!».

Para além do apoio de Ferguson, o clube beneficiou do investimento de Tony Bloom. Em junho do ano passado, o proprietário do Brighton adquiriu 29% das ações do Hearts com o objetivo de «perturbar o padrão de domínio que vigora há demasiado tempo» no futebol escocês. Contudo, McInnes sublinha que o sucesso não se deve apenas ao dinheiro. «Não estamos subitamente a nadar em dinheiro. Não estamos a pagar taxas de transferência enormes por cada jogador que entra. Estamos a ser inteligentes no recrutamento», justificou.

McInnes reconhece que a sua equipa está a «incomodar algumas pessoas» ao desafiar a hegemonia de longa data do Celtic e do Rangers no futebol escocês. Apesar de os adeptos sonharem cautelosamente com o título, o técnico prefere não se alongar sobre essa possibilidade. «No início, éramos uma boa história, o bom e velho Hearts a competir lá em cima, e ninguém pensava que poderíamos chegar tão longe», afirmou McInnes. «Acho que estamos a começar a incomodar algumas pessoas, o que é compreensível quando se tem uma presença tão forte do Rangers e do Celtic nos últimos 40 anos», acrescentou.

Apesar do sucesso e de liderar o campeonato há quase cinco meses, McInnes sente que não pode relaxar e admite que deveria desfrutar mais do momento. «Tenho de aproveitar mais. Se estivesse de fora a olhar e visse um treinador no topo da liga durante quase cinco meses, pensaria: 'que vida tão boa ele deve ter!'»