«Sérgio Conceição não teve medo. O Abel foi o melhor treinador que tive»
Destino Aventura é a rubrica em que A BOLA dá a conhecer os jogadores espalhados pelos cantos mais remotos do mundo.
Pedro Monteiro iniciou a primeira época (13/14) como sénior no Freamunde, no terceiro escalão do futebol português. Um ano e meio depois, o jovem defesa central estreava-se na Liga ao serviço do SC Braga, pela mão de Sérgio Conceição, a 30 de janeiro de 2015, contra o Moreirense.
O atual defesa central dos indonésios do Madura United alternou entre a equipa B, comandada por Abel Ferreira, e a turma principal, sob a batuta de Sérgio Conceição e Paulo Fonseca, pela qual rubricou quatro jogos antes de iniciar a primeira aventura no estrangeiro, no Chipre, em 2016.
— Como é que foi ser orientado por Sérgio Conceição, Abel Ferreira e Paulo Fonseca numa fase ainda precoce da carreira?
— Foi bom. Aprendi muito mesmo. Gostava de tê-los agora que sou mais velho porque quando somos novos não temos a noção do que podemos aprender e absorver desses treinadores. Tive a sorte de ter sido treinado por eles. O Sérgio Conceição não teve medo. Um ano antes estava a jogar no Campeonato Nacional de Seniores, no Freamunde, vou para a Segunda Liga e passado seis meses estou a jogar na equipa principal do SC Braga. Ele pôs-me a jogar qualquer hesitação. A tranquilidade e a exigência que me passou foram muito boas para mim. O Abel foi o melhor treinador que tive. Dentro e fora de campo, as coisas que nos ensina, a forma como nos faz ver o futebol e a vida. O Paulo Fonseca foi um treinador de quem gostei pela forma como colocava a equipa a jogar e treinar. Senti o prazer de estar a treinar, era um futebol que se aliava bem às minhas qualidades.
— No mercado de janeiro de 2016 surge o Apollon. Quais são as principais diferenças que identifica entre o Pedro que saiu para o Chipre, aos 22 anos e aquele que saiu para a Geórgia, seis anos depois?
— Quando surge o Apollon sou muito novo, é a primeira vez que saio de casa dos pais, não tinha filhos, vou sozinho, a minha namorada e atual mulher depois foi lá ter comigo depois. Existe aquele choque de mudar de país, parece que está tudo mal e vai acabar o mundo. Às s vezes precisamos de ter calma e focarmo-nos nas coisas boas. Estava confortável no SC Braga, na equipa B com alguns jogos na equipa A, e depois vou para um clube em que lutava por alguma coisa. Adaptei-me muito bem e adorei aquilo. Ajudou muito o treinador ser português [Pedro Emanuel]. O Apollon tinha a intenção de ficar comigo, mas na altura surge o Paços, clube da minha cidade onde comecei a jogar. Tinha estado seis meses longe da família e agora podia ficar a cinco minutos. Quando fui para o Chipre falava pouco inglês. Isso mudou. Agora já falo naturalmente. Ajuda ter a minha mulher e filhos a acompanhar-me, porque sozinho se calhar não dava. Ajuda sentir-me valorizado, tanto no Torpedo como aqui. É isso que motiva um jogador: não só o dinheiro, mas também as pessoas mostrarem que te querem e que és importante. Penso que isso também me faltou um bocadinho em Portugal. Estou feliz com isso e não penso voltar tão cedo.
Não penso voltar tão cedo
— Como é que é o dia a dia na Indonésia?
— O dia começa cedo e acaba cedo. Às 6 da manhã já acordámos e às 18h já é noite cerrada. De manhã, levo os meus filhos à escola. Vivo num apartamento conectado a um shopping gigante, tenho ginásio, tenho piscina. Aproveito o sol, depois vou buscar os meus filhos e vou para o treino. Os estrangeiros do Madura vivem em Surabaya. É a segunda maior cidade da Indonésia, completamente desenvolvida, que tem tudo e mais alguma coisa para mim e para os meus filhos. Há uma ponte que liga Surabaya a Madura e o local do nosso treino fica logo a seguir, a 45 minutos da minha casa. Se tiver aí dois ou três dias de folga, dá perfeitamente para apanhar o avião e aproveitar ilhas espetaculares.
— Os seus filhos adaptaram-se bem à Indonésia?
— Eles adoram estar cá, pela temperatura podem estar todos os dias na piscina. Já estão completamente adaptados à escola, gosto muito do que transmitem e estamos muito satisfeitos. Estão familiarizados a falar português e inglês. Isso também me deixa satisfeito e fez-me para continuar cá. Não fazia sentido mudar outra vez.