Será possível devolver-se metade do valor do bilhete? (crónica)
Que os momentos atuais não sejam propícios à tão propalada nota artística, ainda se percebe. Que os estados anímicos dos jogadores de ambas as equipas não sejam os mais desejados em virtude das respetivas posições na tabela classificativa, também se compreende. No entanto, e mesmo perante a aceitação destes factos, seria assim tão lunático pedir um pouco mais aos artistas? É que a primeira parte não deixou ponta de saudade.
Para sermos realmente os seus olhos no Estádio João Cardoso, só podemos relatar-lhe dois lances com alguma relevância (e pouca...): remates de Carlos Ponck (26') e de Rodrigo Conceição (38'), ambos à figura dos guarda-redes contrários. Nada mais a declarar.
A chegada do intervalo foi, está fácil de ver, um autêntico bálsamo. Sendo que os instantes seguintes ao último apito da primeira parte trouxeram à equação um outro dado: quando as três equipas iniciavam o percurso para o balneário, João Henriques foi na direção do relvado dirigindo uma mensagem a alguém (não se percebeu quem seria o destinatário) e Miguel Nogueira, árbitro da partida, mostrou de imediato o cartão vermelho ao treinador dos avenses, que ficou absolutamente revoltado com a decisão, justificando-se ao juiz e afirmando que não tinha dito nada.
Chegou (finalmente) a etapa complementar e os primeiros 10 minutos (quase) valeram o preço do bilhete. Primeiro foi Joe Hodge a encher-se de fé e a soltar uma bomba de meia distância, com Adriel a juntar-se ao momento e a lançar-se para um voo espetacular.
Na resposta, Pedro Lima também ficou perto de marcar, mas o remate do brasileiro, já no interior da área e após assistência perfeita de Tomané, saiu a milímetros do alvo.
FERROS E... FONTES
O conjunto orientado por Cristiano Bacci demonstrou, então, estar ciente de que o empate não iria ajudar assim tanto nas contas da permanência e acelerou em busca da vitória. E os auriverdes estiveram, por duas vezes, muito perto da vantagem. O responsável pelo insucesso? O ferro. A dobrar.
Primeiro foi Pedro Maranhão a cabecear ao poste esquerdo (69'), depois coube a Makan Aiko acertar exatamente no mesmo pau (75'). O extremo francês voltou a ousar a sorte, mas Adriel estava atento.
E aquela velha máxima de que quem não marca... sofre esteve perto de emergir: Babatunde Akinsola teve tudo para levar os três pontos para o Norte, mas Bernardo Fontes foi absolutamente gigante.
Ninguém saiu a sorrir e a luta de beirões e nortenhos continua. Mas os pontos em disputa são menos...
As notas dos jogadores do Tondela:
Bernardo Fontes (6), João Silva (5), Christian Marques (5), Brayan Medina (5), Bebeto (5), Hélder Tavares (5), Joe Hodge (6), Rodrigo Conceição (6), Pedro Maranhão (6), Benjamin Kimpioka (5), Makan Aiko (6), Jordan Pefok (5), Yaya Sithole (5), Arjen van der Heide (-), Maviram (-) e Ouattara Moudjatovic (-).
As notas dos jogadores do Aves SAD:
Adriel (6), Mateus Pivô (5), Aderllan Santos (5), Carlos Ponck (5), Leonardo Rivas (5), Gustavo Mendonça (6), Roni (3), Pedro Lima (5), Andre Green (5), Tomané (6), Óscar Perea (5), Tiago Galletto (5), Babatunde Akinsola (6), Diego Duarte (5), Nenê (-) e Kiki Afonso (-).
Cristiano Bacci (treinador do Tondela)
Vamos sofrer até ao final, já sabíamos disso quando eu assumi. Claro que não foi um jogo limpinho, mas nestas alturas é normal que os jogos não sejam bonitos. O que fizemos não chegou, mas ainda estamos vivos e na luta. Há que trabalhar.
João Henriques (treinador do Aves SAD)
O Tondela teve duas bolas nos ferros, mas nós tivemos quatro ou cinco grandes situações. Mas estou muito satisfeito com os jogadores. A haver um vencedor, teria de ser o Aves SAD. A minha expulsão? Não insultei ninguém, não fui mal educado.
Notícia atualizada às 23h41
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