O Famalicão derrotou o Nacional, em jogo da 27.ª jornada da Liga. -Foto: ESTELA SILVA/LUSA
O Famalicão derrotou o Nacional, em jogo da 27.ª jornada da Liga. -Foto: ESTELA SILVA/LUSA

Ba, Ba, Ba, saiam da frente que o Fama vai lançado (crónica)

Terceira vitória consecutiva do Famalicão na Liga e candidatura europeia bem vincada. Ba marcou o golo que fez a diferença num jogo com os guarda-redes em bom plano. Madeirenses continuam sem vencer

Ba, Ba, Ba. Em Vila Nova apita-se a buzina na caminhada vitoriosa do Fama, que não trava na escalada classificativa. A vítima agora foi o Nacional, que somou o 8.º jogo seguido sem vencer na Liga. Em Famalicão sonha-se com as provas europeias e há razões para isso. Foi o terceiro triunfo consecutivo na Liga – o quinto no seu estádio - e já pressiona o 4.º lugar, ocupado – à distância de um ponto - pelo SC Braga, que só joga neste domingo com o FC Porto. Sem esquecer o Gil Vicente, que também está nesta luta.

O futebol pode ser bonito sem golos? Claro que pode. Vejam a primeira parte deste jogo e, certamente, estarão de acordo. As redes não balançaram, mas não faltou movimento dos dois lados em direção às balizas, feitas com objetividade e intensidade, criando ocasiões e obrigando Carevic e Kaique, os dois guarda-redes, a brilharem.

Primeiro foi o do Famalicão a impedir que Laabidi adiantasse o Nacional com um remate rasteiro após boa jogada na esquerda e pouco depois num tiro de longe de Zé Vitor.

No equilíbrio que marcou o período, a emoção passou também pela baliza madeirense, para Kaique ser protagonista. O guarda-redes fechou o caminho da baliza a Elisor que surgiu isolado para desviar o toque do avançado com a mão direita para canto, ganhando novamente o duelo ao atacante francês, quando este atirou de forma repentina na área.

A boa organização coletiva das duas equipas manteve-se, o Famalicão com um futebol apoiado e o Nacional a apostar na verticalidade. E foi dessa forma que os madeirenses foram muito perigosos num lançamento de Daniel Jr. – titular de última hora devido a lesão de Gabriel Veron no aquecimento – que isolou Paulinho Bóia, com Carevic a crescer para o guardião e a evitar o golo.

As indicações dos primeiros minutos após o intervalo mostraram um Famalicão determinado em assumir o favoritismo e foi empurrando os madeirenses para trás. E chegou ao golo, quando Ibrahima Ba foi mais lesto que a defesa contrária para desviar um cruzamento de Gustavo Sá.

Conseguido o avanço, o Famalicão tratou de o segurar e evitou cometer erros. Por isso, mais do que um adiantamento que poderia expor a transições, os minhotos optaram por resfriar o ritmo e congelar a bola, com o Nacional a apertar nos minutos finais. Contudo, Carevic voltou a ser decisivo ao deter um remate de primeira de Lucas João a cinco minutos do final e a colocar de forma definitiva as luvas nos três pontos.

O melhor em campo: Carevic (Famalicão)
Ibrahima Ba marcou o golo que deu mais três pontos aos minhotos, mas os mesmos ficaram em Vila Nova, muito por culpa do seu guarda-redes, que trancou as portas da sua baliza com competência, quer quando o resultado ainda estava em branco, com preciosas intervenções nas tentativas de Laabidi e Zé Vitor e a ser decisivo quando evitou que o isolado Paulinho Bóia marcasse. Depois do golo de Ba segurou os pontos num remate de Lucas João.

As notas dos jogadores do Famalicão: Carevic (7), Rodrigo Pinheiro (6), Ibrahima Ba (7), Justin de Haas (6), Rafa Soares (5), Mathias de Amorim (6), van de Looi (5), Gil Dias (6), Gustavo Sá (6), Sorriso (5), Elisor (6), Abubakar 84), Marcos Peña (4), Joujou (-) e Leo Realpe (-)

A figura do Nacional: Kaique
O jovem guardião brasileiro voltou a estar em grande com uma exibição perfeita, travando tudo o que tinha defesa. Na primeira parte impediu, por duas vezes, que Elisor fosse feliz, com a primeira intervenção de grande nível, safando com a mão direita junto à relva, quando o avançado francês lhe apareceu na cara. No golo sofrido nada podia fazer: Ibrahima Ba desviou na pequena área sem oposição.

As notas dos jogadores do Nacional (4x3x3): Kaique (6), Alan Nuñez (6), Léo Santos (5), Zé Vitor (5), Lenny Vallier (5), Miguel Baeza (6), Matheus Dias (5), Laabidi (6), Daniel Jr. (6), Lucas João (5) Paulinho Bóia (6), Filipe Soares (4), Joel Silva (4), Witi (4) e Pablo Ruan (-)

Hugo Oliveira, treinador do Famalicão

«Sabíamos que o jogo seria decidido nos pormenores, como o foi. O Nacional pretendia que o jogo fosse mais lento Nacional, mais parado, e nós tínhamos de dar mais ritmo, mas não teria de ser de forma emotiva. Na 1.ª parte não tivemos a maturidade nem a inteligência emocional que se pedia e na 2.ª estivemos melhor, procuramos os caminhos mais por fora, fomos mais pressionantes e tivemos mais situações. Fizemos o golo e depois fomos manejando a bola e os momentos.»

Tiago Margarido, treinador do Nacional

«Até ao intervalo foi dividido, com oportunidades para os dois lados e o empate ajustava-se. Eles acabam por desbloquear pelo detalhe na bola parada e depois apanhando-se em vantagem, logicamente ficam mais confortáveis na gestão do jogo. Até aí tivemos uma oportunidade clara do Paulinho Bóia na cara do guarda-redes e no final outra do Lucas João. Foi um jogo equilibradíssimo, fomos briosos e não foi fácil preparar porque tivemos muitas ausências.»