Agustín disputa a bola com Pedro Ferreira no jogo entre o Santa Clara e o Gil Vicente - Foto: EDUARDO COSTA/LUSA
Agustín disputa a bola com Pedro Ferreira no jogo entre o Santa Clara e o Gil Vicente - Foto: EDUARDO COSTA/LUSA

Foi para coisas assim que nasceu o portal da queixa (crónica)

Jogo demasiado mau entre o Santa Clara e o Gil Vicente foi resolvido com um golo aos 90+5, quando nada o fazia prever

Esteve a assistir ao Santa Clara-Gil Vicente e não sabe o que fazer agora com a sua vida? Nós ajudamos: portaldaqueixa.com.

É fácil! Entra no site e aparece logo o espaço que procura: ‘reclamar’. E depois é só escrever aquilo que o apoquenta. Que será muito, sabemos. Quase duas horas de vida gastas para ver aquilo que estava prometido como ‘um jogo de futebol’.

Mas pelo menos descarrega essa tensão que foi acumulando. Para uns, mais do que para outros. Afinal, aquele golo de Vinícius que pareceu caído do céu aos 90+5 pode ter ajudado a aliviar o sentimento. Ou tê-lo tornado ainda mais intenso.

E o pior é que houve sinais! Houve sinais de que o jogo não era para acontecer. A primeira tentativa de voo da equipa do Gil Vicente do Porto para os Açores, que foi adiada um dia. E depois duas horas no dia seguinte. E ainda foi preciso o avião dar três voltas à ilha antes de os ventos acalmarem para conseguir aterrar.

E mesmo assim, as equipas insistiram em entrar em campo. Vamos recusar dizer que insistiram ‘jogar’. Seria um exagero para aquilo que se viu.

Os primeiros 45 minutos foram penosos. Demasiado penosos. Basta resumir assim: o Santa Clara perdeu 24 vezes a bola; o Gil Vicente ‘só’ o fez 19. Isso talvez ajude a explicar a razão para a bola não ter chegado muitas vezes às balizas.

Chegou uma vez à do Gil Vicente, logo no terceiro minuto, mas o remate de Gabriel Silva foi um passe para a as mãos de Lucão. E chegou uma vez perto da baliza do Santa Clara de uma forma que destoou tanto, mas tanto do resto do jogo, que Elimbi ficou perto de marcar e… pediu imediatamente para ser substituído.

Quase numa espécie de castigo: ‘se é para isto, não encaixas neste jogo!’. E lá foi o pobre defesa central francês do Gil Vicente a coxear com dificuldade para o banco, com uma lesão na coxa direita.

Então e a segunda parte, perguntam os corajosos que chegaram até aqui? Amigos, foi uma pas-ma-cei-ra. Mas com as equipas a jogar para o lado contrário do que tinha acontecido nos primeiros 45 minutos. Sempre variou alguma coisa.

E depois, quando as 1.027 pessoas que assistiram ao vivo ao encontro já estavam prontas para seguir para casa e esquecer aquele mau bocado, Vinícius Lopes aproveitou umas carambolas após um canto para rematar com critério e pontaria para o 1-0.

Mas esse lance aos 90+5 apaga a vontade de reclamar? Se sim, siga com a sua vida. Caso contrário, aproveite a dica.

Por exemplo, o Gil Vicente pode ir queixar-se de ter somado o quinto jogo sem vencer. E até o pontinho que parecia certo lhe fugiu a fechar o jogo.

Nós iremos lamentar a crónica de 0-0 que já estava escrita e teve de ser mudada. Além das quase duas horas de martírio a tentar encontrar alguma coisa para descrever aos leitores.

E só o Santa Clara sai sem motivos de queixa. A equipa de Petit conquistou a terceira vitória seguida, e o quinto jogo sem perder, ficando a respirar melhor, seis pontos acima do lugar de play-off.

Que tenha valido a pena para alguém.

O melhor em campo: Vinícius Lopes (Santa Clara)
A palavra ‘melhor’ parece não encaixar bem nestas linhas, mas Vinícius até é dos menos culpados. Entrou aos 61 minutos e foi o único que se mostrou capaz de mudar uma história que parecia escrita desde o apito inicial. Teve discernimento no último minuto da compensação para encontrar o caminho para o golo. Uma lufada de ar fresco não costuma fazer grande diferença no meio de um vendaval. Mas ela existiu.
A figura do Gil Vicente: Agustín
Foi um jogo de luta. Demasiada luta para um jogador que gosta de bola no pé. Ainda assim, tentou ser minimamente esclarecido. E isso viu-se na única verdadeira oportunidade da 1.ª parte. Num livre estudado, a bola partiu da direita e chegou ao flanco oposto onde o extremo uruguaio cruzou de forma perfeita para a entrada fulgurante de Elimbi, que falhou a baliza e ainda saiu lesionado do lance. Mas a culpa não foi de Agustín.

Petit (treinador do Santa Clara)

Este resultado traz-nos mais responsabilidade porque queremos continuar a fazer bons resultados. Não foi um jogo bem conseguido de nenhuma das equipas. Estava muito vento, e eu tinha dito à equipa que o jogo podia ser decidido numa bola parada. Foi o que aconteceu com um remate feliz do Vinícius.

César Peixoto (treinador do Gil Vicente)

O futebol às vezes é cruel, mas temos de aceitar. Fizemos de tudo para não sair daqui com uma derrota e sofremos o golo numa bola parada no último minuto. Num jogo muito difícil, num campo complicado, com muito vento. A equipa fez um bom jogo. Dentro das dificuldades que existem, quer climatéricas e de tudo o que envolve jogar aqui nos Açores nesta fase e neste dia - porque até o avião teve dificuldade em aterrar -, fizemos um bom jogo. Acho que o resultado justo seria o empate Este resultado tem de nos dar raiva para reagir e não nos deixarmos ir abaixo.

(em atualização)