Depois de processo difícil no Sporting, que culminou com a rescisão, Afonso Martins foi jogar para o Moreirense - Fotos: A BOLA
Depois de processo difícil no Sporting, que culminou com a rescisão, Afonso Martins foi jogar para o Moreirense - Fotos: A BOLA

«Será difícil para o Moreirense, com treinador novo vão dar o máximo»

Afonso Martins saiu magoado de Alvalade, mas não esconde o sentimento que nutre: «Amo o Sporting.» Grato ao emblema de Moreira de Cónegos que lhe deu a mão, deixa um alerta para o jogo deste sábado

Contratado em 1995 com um invulgar e ambicioso vínculo de sete épocas, Afonso Martins assumiu-se rapidamente como uma peça regular no xadrez do Sporting durante os primeiros três anos. Contudo, defeso de 1998, após uma época conturbada, a Direção decidiu operar uma revolução no plantel e colocou o médio na lista de dispensas. Perante a recusa do jogador em aceitar os empréstimos propostos, o Sporting respondeu com mão de ferro: o médio criativo foi afastado dos relvados e obrigado a treinar-se à parte, uma situação que se arrastou por quase um ano e meio.

Até que a chegada de Augusto Inácio ao comando técnico, a meio da temporada de 1999/2000, Afonso Martins foi integrado no plantel, participou em cinco partidas e acabou por festejar o histórico campeonato nacional que quebrou o jejum de 18 anos dos leões. A trégua, contudo, foi de pouca dura. Com a transição para as equipas técnicas seguintes, o criativo voltou a perder espaço na equipa principal, acabando remetido à recém-criada equipa B, onde passou as últimas duas temporadas de leão ao peito.

Decorridas mais de duas décadas, em declarações exclusivas a A BOLA, Afonso Martins não esconde a mágoa pelo desfecho de sete épocas a representar o clube de Alvalade, realçando, contudo, o sentimento que nutre pelo Sporting: «Foi muito difícil... Aliás, ainda hoje não compreendo aquilo que me fizeram, os diretores da altura, mas amo o Sporting, porque o clube não tem culpa, sou sportinguistas. Aliás, quando cheguei ao Sporting era de outro clube, mas depois quando lhe conheci a grandeza não mais deixei de ser sportinguista. Na minha altura conhecíamos toda a história do Sporting, hoje em dia não sabem nada. Daquilo que vejo é acabar os jogos, nem festejam nem nada, vão logo para o telemóvel mandar mensagens.»

Assinada a rescisão com o Sporting, em 2020, foi o Moreirense que lhe abriu as portas para voltar a jogar no principal escalão do futebol português: «Foi um choque de realidade, mas sou muito grato ao Moreirense, um clube que merece sempre estar na Liga. Cumpridor, com pessoas de palavra, onde sempre fui bem tratado.»

Afonso Martins, então jogador do Moreirense, no regresso a Alvalade, em 2002/2003 - Foto: A BOLA

«Não cuspo no prato...»

Afonso Martins chegou ao Sporting com 23 anos, depois de cinco temporadas ao serviço do Lyon, e deixou o clube de Alvalade com um título de campeão (1999/2000), uma Taça de Portugal (2001/2002) e uma Supertaça (1995), algo que não esquece: «Não cuspo no prato onde comi. O Sporting foi uma coisa boa para mim, muitas glórias, abriu-me a porta da seleção [sub-21 e Seleção Olímpica, sub-23]. No Moreirense, repito, fui muito bem tratado e encontrei pessoas boas e ajudei o clube a manter-se na 1.ª Divisão, em 2002/2003.»

Quanto ao jogo de sábado, em que o Moreirense se desloca a Alvalade, jogo em que Paulo Fonseca se estreará no comando técnico do Sporting, Afonso Martins antevê o encontro desta forma: «Vai ser difícil para o Moreirense, quando há mudanças de treinador os jogadores dão tudo, para se mostrarem. Revejo-me no aconteceu com Rui Borges, não merecia, mas é o futebol, por vezes as decisões não são justas nem corretas.»

O antigo futebolista afastou-se do futebol em 2015, quando ajudou o Pasteleira a subir de divisão na AF Porto, mas continua a acompanhar o quotidiano e, esporadicamente, vai ao Dragão: «Ver os jogos com equipas estrangeiras e com o Sporting.»

Moreirense foi primeira 'vítima' de Ronaldo

A data 7 de outubro 2002 está gravada a letras de ouro na história de Cristiano Ronaldo, dia em que se estreou a marcar de leão ao peito.

No Estádio José Alvalade cumpria-se a 6.ª jornada do campeonato, o treinador do Sporting, Lazslo Boloni, apostou nele como titular e o madeirense não deixou crédito por mãos alheias na receção ao Moreirense (3-0).

Boloni a felicitar Cristiano Ronaldo pelo 'bis' - Foto: A BOLA

O bielorrusso Vitali Kutuzov marcou primeiro, aos 30 minutos, e Cristiano Ronaldo fez o resto, assinou os outros dois tentos (34' e 90+5'). Do outro lado estava Afonso Martins, que jogou de início, tendo sido substituído aos 54', pelo brasileiro Mauro César.

«Recordo-me pouco do jogo, apenas da emoção que foi regressar a Alvalade. O primeiros golos de Ronaldo... Agora só pára nos 1000»

A iniciar sessão com Google...