Paulo Fonseca orientou, esta quinta-feira, o primeiro treino dos leões - Foto: Sporting CP
Paulo Fonseca orientou, esta quinta-feira, o primeiro treino dos leões - Foto: Sporting CP

Com Paulo Fonseca: «Quem não jogava tanto tem nova oportunidade»

Novo treinador do Sporting tem identidade de jogo bem vincada, A BOLA ouviu a análise de João Aroso sobre o que os leões podem esperar. Haverá impacto no plantel

Arranca a era Paulo Fonseca com a promessa de que não haverá revolução tática no Sporting. Conhecido pela sua identidade de jogo vincada e pela flexibilidade na organização defensiva e ofensiva, o treinador assume o comando dos leões com o desafio de moldar o plantel às suas dinâmicas de posse progressiva e pressão alta.

Entre a continuidade dos sistemas que consagraram a equipa recentemente e a introdução de novas variantes — como a transição para uma linha de quatro defesas ou um meio-campo mais flutuante —, A BOLA ouviu as explicações de João Aroso, treinador e docente universitário, reconhecido pelo trabalho na área do treino de alto rendimento.

«O Paulo adiantou algo muito simples na conferência de apresentação, não vai jogar com três centrais. Foi muito mais frequente ao longo dos vários contextos em que ele esteve, de facto, utilizar uma linha de quatro. Mas, lembrar que na Roma chegou a jogar durante uma época, ou até um pouco mais, em 3x4x3, portanto, não porque nunca o tenha feito ou porque não goste, mas, de facto, foi algo que assumiu já que não iria fazer. Mais do que sistema tático, gosto de dizer estrutura, ele já utilizou várias. Lembro-me de usar 4x2x3x1 no FC Porto e no Paços de Ferreira, no SC Braga utilizava um 4x4x2, com muita construção a três, com um médio centro, os alas por dentro e os laterais muito projetados, com dois avançados. Portanto, acho que ele irá olhar, muito provavelmente, é a minha convicção, para as características dos jogadores que considera determinantes no plantel para encontrar a estrutura que melhor permita potenciar as características desses jogadores. Depois, juntava algo que é o mais importante de tudo, e que o Paulo também referiu: hoje em dia os bons treinadores, nos contextos de qualidade, naquilo que é a interpretação do jogo e do treino, cada vez se focam mais em utilizar multi-estruturas», começou por analisar.

João Aroso está há dois anos na Seleção da Coreia do Sul (Foto Instagram/joaoaroso.20)
João Aroso esteve dois anos na seleção da Coreia do Sul - Foto: Instagram/joaoaroso.20

Moreirense serve de cobaia

«Pode ter uma configuração na forma como se constrói, como se constrói de trás, como se constrói quando se está no meio-campo adversário, já pode ser com um posicionamento estrutural diferente. A forma como se pressiona pode modificar a estrutura se estamos a pressionar alto ou se estamos a pressionar em bloco médio/baixo. Portanto, assume menos relevância essa questão da estrutura e assume muito mais importância a questão dos conceitos de jogo, ou dos princípios táticos, independentemente da estrutura, são os comportamentos táticos que se pretende para a equipa do ponto de vista coletivo, seja atacar, seja defender. Acho que isso é que vai ser o mais importante e que vai ser desvendado já no próximo jogo, com o Moreirense», acrescentou.

Efeito da 'chicotada'

Questionado sobre como o plantel irá reagir, João Aroso foi direto: «Normalmente, quando há a tal chamada 'chicotada' psicológica isso vai criar, do ponto de vista mental, impacto nos jogadores. Aqueles que jogavam habitualmente sabem que não é certo que continuem a jogar, aqueles que não estavam a jogar e que poderiam estar menos contentes têm aqui uma possibilidade acrescida de aumentarem as possibilidades de jogar. Isso vai (e não estou a dizer que o empenho nos treinos não era bom) estimular ainda a proatividade da parte dos jogadores.»

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No tribunal de Alvalade

A estreia de Paulo Fonseca acontece amanhã, em Alvalade, factor que Aroso passou a pente fino: «O ambiente estava tenso, de grande ansiedade. Com um novo treinador vai haver outra disponibilidade da parte dos adeptos para apoiarem a equipa e tudo isto vai criar um contexto favorável para que os jogadores possam libertar-se.»

E há mais: «Face à muita pressão vinda das bancadas os jogadores têm receio de errar, vão demorar mais tempo para tomar a decisão e, eventualmente, arriscar menos nas suas ações. Daí resulta, normalmente, um jogo mais previsível, porque jogam mais para o lado e para trás e menos para a frente. Esta mudança vai atenuar tudo isto e o que se vai estabelecendo é a consistência da capacidade do treinador de transmitir as ideias para os jogadores as porem em prática.»

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