Mundial
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Sensibilidade e pouco senso na Seleção
Portugal empatou contra a RD Congo — e, mais do que empatar, quase não teve oportunidades de golo e só acertou um remate na baliza, que felizmente entrou — na estreia no Mundial e logo surgiram as críticas. Não foram só dos portugueses: o pobre futebol da Seleção Nacional, e sobretudo a inoperância e ineficácia de Cristiano Ronaldo, foram tema em todo o Mundo.
E as críticas não foram só a Portugal — Brasil e Espanha, que na primeira jornada também empataram contra adversários teoricamente mais fracos (curiosamente também africanos), também foram alvos de fortes reparos. «Se tivéssemos ganho, não haveria tanta gente a falar. (...) Mas, por exemplo, Portugal empatou com a RD Congo e não teve nem metade das críticas que nós recebemos», disse até Gavi, mas a frase podia ter sido de Rúben Dias, Diogo Dalot e Francisco Conceição em relação à Espanha, porque cada um olha para a sua casa e ignora o resto...
Enquanto garantem que o balneário está blindado e que a equipa está focada em responder em campo no jogo com o Uzbequistão, os jogadores da Seleção Nacional que têm marcado presença nas conferências de imprensa vão mostrando que não será bem assim, revelando uma sensibilidade (e pouco senso) em relação às críticas que contradiz o discurso.
Percebo que se sintam injustiçados com algumas, e acho aquela coisa da praia uma perfeita idiotice — achar que dar uns mergulhos no mar vai fazer Portugal jogar pior, ou que depois de uma época que já vai para alguns em mais de 11 meses era bom era fazerem dois treinos por dia..., é populismo futebolístico...
Mas as críticas não foram só sobre isso. Na verdade, não foram essencialmente sobre isso. Foram à qualidade de jogo da Seleção, ou falta dela, e o pior é que o problema nem é de agora (tirando os jogos com a Arménia da qualificação, com um total de 14-1, que jogo de jeito fez Portugal esta época?).
E a discussão em torno de Cristiano Ronaldo justifica-se, mesmo que não se concorde com os argumentos. Porque a culpa até pode não ser do capitão, mas a verdade é que vai em 10 jogos consecutivos em fases finais de grandes competições sem marcar.
Reagir a estas críticas, nalguns casos nem isso, apenas dúvidas ou discussões, com uma fuga para a frente a acusar jornalistas, ou a dizer que há pessoas que não querem que Portugal vença, parece-me um sinal de pele demasiado sensível para estar num Mundial no calor dos EUA. Vejam lá se é preciso mandar vir mais protetor solar.
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