Mundial
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«Há imensas pessoas que não querem que Portugal ganhe»: tudo o que disse Dalot
— Como está o ambiente da equipa de Portugal?
— Bom. Dias difíceis depois de um resultado que não era o que queríamos. mas à medida que os dias vão passando o foco vai mudando um bocadinho e o que nós queremos é vencer o próximo jogo. Mais do que normal, estamos focados, com esse objetivo de vencer o próximo jogo.
— O Diogo é dos jogadores mais próximos de Ronaldo, ele sente-se à margem do grupo? E como olha para o grupo?
— Todos sabem a capacidade que o Cristiano tem em lidar com a crítica, já são mais de 20 anos a jogar pela Seleção. Penso que aquilo que ele dá ao grupo, tem-nos transmitido que essa crítica faz parte, e estando nós na maior competição de todas, a crítica está sempre lá. A confiança que ele nos passa e nós para ele sempre foi e será a mesma enquanto ele representar a Seleção.
— Este empate pode funcionar a favor da Seleção, na forma em que pode baixar as expectativas? É algo necessário?
— Acredito que sim. Tentamos sempre encontrar uma forma positiva de sair de momentos de dificuldade e isso pode ser um ponto para nós, não fugir à responsabilidade, manter os pés assentes na terra. Para ganhar uma competição destas temos de passar por dificuldades, não me lembro de uma Seleção de ganhar o Mundial sem passar por dificuldades. Nós, tendo um resultado menos positivo é isso que procuramos, olhar para isto como uma oportunidade para melhorar. Agora, é importante continuar a sentir o apoio dos portugueses, sentir que estão connosco, mas é impossível ganhar o Mundial sem passar por dificuldades.
— Sente que Portugal tem uma maior obrigação de vencer de forma convincente? E o que conhece das armas do Uzbequistão?
— Vencer é o mais importante, convincente ou não, uma vitória é sempre uma vitória. são três jogos para conseguirmos passar à próxima fase e todos os pontos são importantes. Vamos ter pela frente a uma seleção aguerrida, agressiva, jogadores com qualidade. Não será um jogo fácil, vão criar dificuldades tal como a RD Congo fez. Cabe-nos a nós encontrar soluções durante o jogo.
— Hoje a Seleção estaria mais preparada para jogar com a RD Congo?
— Não temos muito tempo para treinar entre jogos, mas da análise que fizemos, alguns aspetos foram bastantes óbvios e se jogássemos o jogo novamente no dia seguinte. conseguiríamos ratificar esses dois ou três detalhes, que às vezes no jogo é mais difícil de ajustar. Vamos ter mais uma oportunidade para melhorar e acredito que vamos ratificar algumas coisas que ficaram por fazer.
— As críticas ao Cristiano são injustas? E porquê?
— Eu não sou comentador. Por muito mais que algumas informações nos cheguem… ontem já tiveram uma conferência bem elucidativa para perceberem que o grupo está completamente blindado. Não tem de ser mais um assunto, não vale a pena continuar a carregar no mesmo assunto, até porque as críticas não vão acabar, mesmo que ganhemos o próximo jogo. A mensagem que queremos passar sempre é: claro que temos milhões de pessoas que querem que Portugal ganhe, temos muitas pessoas que não querem que Portugal ganhe. Se quiserem remar connosco, vamos remar e o barco não vai parar. Já estou há anos suficiente no futebol para perceber que a crítica faz parte do processo. A mensagem é clara, o grupo está bem, está forte, coeso, sabemos o que temos de fazer para ganhar o próximo jogo, mas também sabemos que há muita gente que não quer.
— Como se gere a luta pela posição de lateral-direito?
— Estive sempre em grande competição. Sou o primeiro a querer jogar, sempre foi o meu objetivo. Sempre que tive oportunidade, consigo ajudar, ainda para mais numa competição como esta. É comum entre todos de perceber que só podem jogar 11. Mas também tenho consciência que numa competição destas, é muito difícil não haver oportunidades para toda a gente e estarei sempre pronto, com sangue na guelra, para ir para dentro de campo.
— Disse que há quem não queira que a Seleção vença, pode elaborar?
— Não sei… não te vou dizer uma ou duas pessoas, há imensas pessoas que não querem que Portugal ganhe. Se tiver que nomear, nunca mais saímos daqui. Nem é minha função nomear pessoas que queiram bem ou mal. A minha função é treinar bem, passar a mensagem de que o grupo está forte, está unido. É importante que sintam que o grupo, apesar das críticas, procura soluções e esse é o nosso foco. Não vou estar aqui a nomear porque não sou comentador.
— A lógica que é aplicada a Vitinha e João Neves por jogarem no PSG, também se pode aplicar a Ronaldo e João Félix?
— Será sempre positivo porque cria dinâmicas entre os jogadores. Esta é uma das grandes vantagens de termos, é um grupo que partilhou muito balneário, muitos momentos em campo juntos. Se esta dupla é melhor do que a outra, não faz muito sentido, porque a Seleção é diferente dos clubes. Tentamos comparar muito o que é feito no clube e na Seleção, agora temos de perceber que as dinâmicas são diferentes, o modelo de jogo também. Um grande jogador tenta encontrar soluções em contextos diferentes e é isso que tentamos fazer ao máximo.
— As surpresas que tem havido no Mundial servem de alerta? E têm olhado para a diferença que faz entre passar no 1.º lugar ou não?
— Eu sei perfeitamente que numa competição destas seria ingénuo chegar aqui e achar que a parte teórica vai ganhar jogos. Para chegarem aqui as equipas têm mérito. Tivemos essa experiência de que uma Seleção não tão forte também cria dificuldades. Isso é o que também torna bonito uma competição destas. Enquanto fã do futebol isso é o que quero, mas quando é contra mim prefiro que os outros não façam grandes jogos e que Portugal saia vencedor.
— Acha que continuar a dizer que Portugal é favorito não faz bem à seleção?
— Criou-se uma grande expectativa, e bem, não quero que a seleção esconda que quer ir longe na competição. mas uma coisa é a expectativa e outra o que fazemos na realidade. Se temos capacidade? Sem dúvida. Se estamos a fazer por isso? Claro. No último jogo não fizemos o suficiente para ganhar, mas temos mais uma oportunidade para mudar essa imagem. Temos 90 minutos para ganhar um jogo. Essa ansiedade de ganhar o jogo e controlar isso acabou por trair-nos um pouco em termos de jogo jogado.
— Vitinha disse que quando chegou ao PSG havia grandes jogadores, mas isso não queria dizer que o PSG fosse uma grande equipa. Portugal tem grandes jogadores, mas acha que tem uma grande equipa?
— Sem dúvida e já demos provas disso. Sei onde quer chegar com a pergunta, mas respondendo diretamente, temos uma grande equipa e já o demonstrámos.
— Como lidou com a polémica em torno de João Neves? Falou com o João?
— Sem revelar muito do que fazemos dentro do nosso estádio, tivemos oportunidade antes de chegar ao Mundial uma conversa sobre isto. Quando tens o Cristiano no plantel temos de estar preparado para um alarido diferente do normal. O facto de termos tido essa conversa para nos preparamos para estes momentos… daí vem a mensagem de que o grupo está blindado. Sabíamos que íamos passar por isto e acabou por acontecer. Às vezes algo injusto que não corresponde à verdade toma uma proporção gigante e acabou por acontecer. O lado positivo é que aconteceu cedo, assim também matamos o assunto e seguimos.
— Já falou com Roberto Martínez sobre poder jogar no centro da defesa?
— Como deves imaginar não vou ter com o míster para dizer: “Se precisar de mim para jogar a guarda-redes...”. Ele sabe que há jogadores com a capacidade de jogar em várias posições. Faz sentido para mim dar a entender aos treinadores que tenho essa capacidade, porque ao longo da minha carreira fiz várias posições, mas não fui bater-lhe à porta. Ele sabe, não só eu, porque temos vários jogadores que podem fazer essa posição.
— Como ultrapassam as críticas nas redes sociais para agora tentarem vencer o Uzbequistão?
— A melhor resposta é dada dentro de campo. Não podemos controlar o ruído, mas sim os treinos, a forma como nos preparamos. Ter confiança que podemos ganhar o jogo e chegar a terça-feira e ganhar o jogo.
— Num Mundial tão curto que importância têm os líderes como Cristiano?
— Não só o Cristiano, felizmente temos muita experiência na equipa. Temos jogadores que estão no terceiro Mundial, muitos completando o segundo. Obviamente o Cristiano já vai no sexto. Nos momentos de dificuldade, essa experiência tem de passar para o grupo, e estamos a fazê-lo. No dia a dia tentamos não dramatizar por não termos ganho o primeiro jogo do Mundial. Sabemos que não é um resultado que corresponde à nossa qualidade, mas faz parte. Fizemos uma boa preparação e agora é o momento de darmos a volta.
— Que ideia têm para romperem o bloco baixo do Uzbequistão?
— Foi muito clara a análise que fizemos depois do jogo. Contra uma equipa que joga tão baixo e com uma linha de cinco atrás, é muito difícil os espaços se não tivermos uma estrutura bem montada. Faltou ter jogadores no meio da equipa da RD Congo e isso foi claro. É o mais positivo que podemos tirar desse jogo. Mais do que termos um plano, temos jogadores que podem encontrar soluções. A qualidade que temos pode ser bastante positiva. Sabemos que vai ser um jogo difícil, mas temos condições para ganhar.