Jovane Cabral apontou o golo do triunfo do Estrela frente ao Santa Clara. -Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Jovane Cabral apontou o golo do triunfo do Estrela frente ao Santa Clara. -Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Schappo teve Paciência para segurar a festa de Cabral (crónica)

Central impediu o empate no último minuto. Jovane marcou o golo que fez a diferença. Gonçalo Paciência agitou os açorianos

Há defesas e cortes que são festejados como golos. E Schappo que o diga! O central brasileiro foi decisivo para segurar os três pontos obtidos pela cabeça de Jovane Cabral, quando aos 89 minutos impediu em cima da linha que um tiro de Gonçalo Paciência os anulasse. E o defesa – assim como o resto da equipa do Estrela - festejou como se tivesse marcado um golo.

Não foi a estreia desejada por Petit no Santa Clara, que prolongou a série negativa dos açorianos na Liga: já são oito, os jogos consecutivos sem vencer. O Estrela da Amadora voltou a triunfar, cortando um ciclo de quatro encontros sem festejar.

João Nuno operou uma pequena revolução no onze do Estrela, tendo como referência o empate (1-1) em Alverca. Foram cinco as mudanças, com as entradas de Robinho, Doué, Bruno langa, Abraham Marcus e Jovane Cabral Ou seja, manteve apenas o setor defensivo e o ponta de lança Antonetti.

Perante um adversário organizado e que não deu espaços, Jovane Cabral procurou muitas vezes zonas interiores para tentar desequilibrar pelo meio. E foi dessa forma que o Estrela conseguiu criar perigo (relativo), como num cabeceamento e numa investida do extremo travada por Klismahn à entrada da área. Em ambas as situações, o destino foi o mesmo, com a bola a passar por cima do alvo. Mas ficou o aviso, que se consumou na 2.ª parte, quando concluiu de cabeça, um cruzamento de Encada.

No Santa Clara, Petit, no lançamento do jogo, apelou à interiorização de uma ideia de jogo pelos seus jogadores, à exigência nos comportamentos defensivos e ofensivos e à paixão em jogar futebol. Sobre ideia de jogo cortou com o passado e desenhou a sua equipa em 4x3x3 – em contraponto com um sistema com três centrais, que Vasco Matos utilizava. Quanto à exigência nos comportamentos e à paixão, o treinador saberá avaliar.

A mudança de sistema não implicou profunda alteração de intérpretes e Petit apenas mudou dois em relação ao jogo com o Estoril: Calila e Brenner saíram do onze para as entradas de Paulo Victor e Vinícius Lopes.

As melhores oportunidades até ao descanso pertenceram aos açorianos. Foram apenas duas, mas criaram muito perigo. Gabriel Silva acertou na base do poste direito logo aos 29 segundos, dando sequência a um cruzamento de Lucas Soares e Renan Ribeiro (13’) foi obrigado a defesa apertada para desviar um tiro de Vinícius Lopes.

Mais repartida, a segunda metade começou com um tiro de Marcus aos ferros e a entrada de Gonçalo Paciência deu vida ao Santa Clara na procura do empate e o avançado, por duas vezes e por aquilo que mostrou, esteve quase a conseguir.

O melhor em campo: Jovane Cabral (Estrela da Amadora)
Após dois jogos ausente, o extremo de 27 anos voltou em boa hora. Apontou o golo de cabeça – o que não é muito comum em si – mas antes já deixara o aviso, quer da mesma forma, como num livre direto em zona frontal. Começou encostado na ala esquerda, mas depressa pisou terrenos centrais e foi nessa zona que se tornou mais perigoso e o principal municiador do ataque tricolor, enquanto esteve em campo.

As notas dos jogadores do Estrela da Amadora (3x4x3): Renan Ribeiro (6), Schappo (7), Luan Patrick (5), Otávio (5), Jefferson Encada (6), Robinho (5), Doué (5), Bruno Langa (5), Abraham Marcus (6), Antonetti (5), Jovane Cabral (7), Stoica (6), Sydney van Hooijdonk (5), Moustier (4), Alex Sola (4) e Kalley (-)

A figura do Santa Clara: Gonçalo Paciência
O antigo avançado do FC Porto entrou aos 64 minutos e na meia-hora em que esteve em campo foi mais perigoso e participativo do que Wendel e a equipa açoriana cresceu ofensivamente em busca do empate. Aos 80’ atirou ao lado, aos 89’ viu Schappo cortar em cima da linha uma definição certeira e aos 90+1’ efetuou um remate intencional que passou perto do ângulo superior esquerdo da baliza.

As notas dos jogadores do Santa Clara (4x3x3): Gabriel Batista (5), Lucas Soares (6), Sidney Lima (5), Frederico Venâncio (5), Paulo Victor (5), Klismahn (5), Pedro Ferreira (5), Serginho (6), Vinícius Lopes (6), Wendel (5), Gabriel Silva (6), Brenner Lucas (6), Gonçalo Paciência (7), Guilherme Romão (-), Welinton Torrão (-) e Diogo Calila (-)

Luís Silva, treinador-adjunto do Estrela da Amadora

«As vitórias fazem de golos e quem consegue marcar acaba por justificá-la por essa eficácia. Na 1.º parte não houve grandes situações de golo, muito dividida, mas tivemos mais posse no meio-campo do adversário, sem criar grandes situações. Na 2.ª parte antes de marcarmos tivemos uma bola no ferro e um ou outro ascendente. O importante era regressar às vitórias, que nos assenta bem.»

Petit, treinador do Santa Clara

«Fizemos um bom jogo, com quatro dias de trabalho e mudando a estrutura para um 4x3x3. Entrámos muito bem, com os primeiros 20 minutos de muita qualidade, com duas ocasiões claríssimas. Durante todo o jogo o Estrela não teve grandes situações de golo, tirando a bola no poste e o golo. Os jogadores fizeram o que lhes foi pedido, com boa dinâmica ofensiva e criando ocasiões de golo e não permitindo espaços ao adversário. É um resultado injusto.»