SC Braga, o elogio antes de mais
A vitória do SC Braga sobre o Friburgo, na primeira mão da meia-final da Liga Europa, não é apenas mais um bom resultado europeu. A presença por si só nesta fase da prova era já a reafirmação de um projeto que, há muito, deixou de ser promessa para se tornar uma realidade sólida no futebol português e que ganha respeito lá fora.
Pode haver quem não goste do estilo, mas os factos são claros: desde que António Salvador assumiu a presidência em 2003, o SC Braga construiu uma identidade de exigência, visão e capacidade de antecipação no clube. Esta última parte é relevante, porque não foram apenas jogadores contratados e transferidos para Benfica, Sporting e FC Porto, grandes que ainda dominam o nosso ecossistema. Foi também o desenvolvimento de uma formação que tem nomes na atual Seleção A, naquela que é, seguramente, uma das, se não a região mais competitiva no panorama nacional.
Trata-se da criação de uma estrutura que potenciou carreiras de futebolistas, mas também de treinadores. Jorge Jesus, Leonardo Jardim, Paulo Fonseca, Sérgio Conceição ou Ruben Amorim passaram todos pelo clube antes de serem reconhecidos cá e internacionalmente. Há outros nomes, alguns tiros ao lado também, porque não há nenhum clube que acerte sempre.
O 2-1 de ontem abre reais hipóteses de o clube regressar a uma final europeia como em 2010/11, mas não surge como coisa isolada, é consequência direta de um crescimento sustentado: uma cidade desportiva de referência, scouting afinado e uma ambição que já criou uma expectativa de quarto grande, mesmo sem um título de campeão nacional.
O SC Braga merece reconhecimento porque há também um enquadramento mais amplo. Desde a década de 1960, Portugal habituou-se a estar em finais europeias com alguma regularidade (exceções na de 70 e 90) e é pelos minhotos que essa porta se reabre.
Este triunfo frente ao Friburgo e o modo como ele se conseguiu é, por isso, mais do que uma vantagem na eliminatória. É um sinal de maturidade competitiva. O SC Braga mostrou que sabe sofrer, sabe gerir momentos e, sobretudo, sabe que pertence a este palco. E isso, para quem tem de crescer a desafiar probabilidades internas, é talvez o maior elogio que se pode fazer, independentement do que suceda na Alemanha. Se chegar a Istambul, terá pela frente um clube que já foi campeão europeu. Mas um passo de cada vez, como tem feito este SC Braga.
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