'Toto' Salvio sagrou-se campeão pelo Benfica - Foto: A BOLA
'Toto' Salvio sagrou-se campeão pelo Benfica - Foto: A BOLA

Salvio, o «não» ao FC Porto e o Benfica: «É o Real Madrid de Portugal e o amor da minha vida»

Eterno camisola 18 das águias recordou chegada a Portugal, falou do mestre Jorge Jesus e do futuro: diretor-desportivo na Luz?

Eduardo Salvio, eterno camisola 18 que marcou uma era na Luz, abriu o coração numa entrevista recente ao podcast El Fútbol, na qual o Benfica foi protagonista. Numa viagem nostálgica e carregada de emoção, Toto não hesitou em colocar o clube encarnado num patamar de excelência mundial, comparando-o à estrutura da NASA e ao gigantismo do Real Madrid, que esta quarta-feira defronta as águias na Luz.

Recorde as oito épocas de Salvio no Benfica:

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Antes de se tornar um ídolo na Luz, Salvio viveu um momento de incerteza quando o Atlético de Madrid decidiu emprestá-lo. O destino era Portugal, mas a estação final não estava definida. «Estava entre o FC Porto e o Benfica», revelou o argentino. A pressão foi grande, chegando mesmo a receber uma chamada de um compatriota que brilhava no Dragão: «O Lucho González ligou-me para me tentar convencer a ir para o Porto. Mas o Benfica contactou diretamente o Atlético e o dono do clube pediu-me para falar com eles. Assim que cheguei ao Benfica, percebi logo: não quis sair de lá nunca mais.»

Para Salvio, a grandeza do Benfica não se mede apenas pelos títulos, mas pela forma como o clube respira profissionalismo e humanidade. «O Benfica é o amor da minha vida. É o máximo pela sua gente, pelo clube, pela cidade. O Benfica era como o Real Madrid. Não exagero: é um clube de primeiro nível que não tem nada a invejar a nenhum outro clube do mundo», afirmou categoricamente.

O extremo destacou a organização «estratosférica» que encontrou no Seixal e na Luz: «Dão-te todas as ferramentas. Desde o apoio psicológico ao estudo, passando pelo apoio familiar. Houve vezes em que a minha mãe chegava ao aeroporto às seis da manhã e eram as pessoas do clube que a iam buscar. No final do treino, tínhamos um tablet onde respondíamos a perguntas e podíamos pedir para nos levarem o jantar a casa — para nós, para a família, para os amigos. É o topo. Parece a NASA.»

Salvio e Jorge Jesus no Benfica - Foto: Imago

O mestre Jorge Jesus: uma lição constante

Um nome é indissociável do sucesso de Salvio em Portugal: Jorge Jesus. Para o argentino, o técnico português foi o melhor que teve na carreira pela sua capacidade de ensino. «Jesus é uma pessoa super exigente, vive o futebol com uma paixão incrível. Com ele, nunca paras de aprender. Muitas vezes, os treinadores acham que, por estares na primeira equipa, já sabes tudo. O Jesus não. Ele ficava comigo mais uma hora depois do treino, só os dois, a ensinar-me conceitos de extremo, as diagonais nas costas do central, como receber a bola para o um-contra-um. Aprendi tudo com ele.»

A maldição de Bela Guttmann e as lesões

Nem tudo foram sorrisos. Salvio recordou a dor das finais perdidas da Liga Europa, onde a maldição de Bela Guttmann voltava sempre à mesa. «Perdemos com o Chelsea no último minuto após lhes darmos um autêntico banho de futebol. O Jesus disse-nos ao intervalo que era impossível perdermos aquele jogo, tal era a nossa superioridade. Depois, contra o Sevilha, foram os penáltis e o guarda-redes deles a adiantar-se dois metros... Sempre que chegávamos a uma final, falava-se da maldição. É algo que está presente na mente das pessoas.»

Contudo, o momento que mais o marcou foi o regresso após uma das suas graves lesões no joelho. «Quando voltei e o estádio quase veio abaixo com a ovação... entrei em campo em lágrimas. Não conseguia acreditar que todo o estádio me ovacionava daquela maneira. Sinto que fui mais reconhecido a jogar no Benfica do que na seleção argentina ou num Mundial.»

Futuro: diretor-desportivo na Luz?

Com o curso de Diretor Desportivo já concluído, Salvio não esconde que Lisboa continua nos seus planos de futuro. «Adoro Lisboa, é uma cidade que me encanta. Num momento pensei em viver lá e trabalhar no Benfica. O meu futuro passará por ser agente de jogadores com o meu irmão, mas o Benfica terá sempre um lugar especial.»

Toto Salvio despediu-se reforçando o que todos os benfiquistas já sabiam: o seu coração bate a vermelho e branco, e a mística da Luz é uma chama que nunca se apaga.

Oito anos de águia ao peito, 14 troféus!

Eduardo Toto Salvio jogou no Benfica em 2010/11, emprestado pelo Real Madrid, e, depois em definitivo, de 2012 a 2019. Oito épocas ao longo das quais, o internacional argentino, hoje com 35 anos (e a jogar no Lanús), somou 266 jogos, 62 golos e 38 assistências de águia ao peito, tendo conquistado 14 troféus: foi 5 vezes campeão nacional e levou para casa 2 Taças de Portugal, quatro Taças da Liga e 3 Supertaças Cândido de Oliveira.