1.º de Dezembro disputou a Liga 3 em 2025/26 (foto: Instagram/Liga 3)
1.º de Dezembro disputou a Liga 3 em 2025/26 (foto: Instagram/Liga 3)

Sacavenense alega incumprimento do 1.º Dezembro para jogar Campeonato de Portugal

Clube de Sintra com salários em atraso

O Sacavenense alega que o 1.º de Dezembro não cumpre os requisitos para disputar o Campeonato de Portugal, e, por isso, quer ocupar o lugar do emblema de Sintra na edição 2026/27 do quarto escalão nacional.

A BOLA sabe que, no decorrer da última semana, o clube de Sacavém enviou um ofício à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), no qual alega que o 1.º de Dezembro, despromovido da Liga 3 ao Campeonato de Portugal, não reúne condições de inscrição por ter pagamentos em atraso junto de grande parte dos jogadores do plantel, que não permitirão, nesse caso, a entrega de uma declaração válida de inexistência de dívidas. O regulamento diz que a mesma tem de ser entregue «até 31 de maio ou até 5 dias antes do fim do prazo de inscrição/pré-inscrição».

O ofício do Sacavenense argumenta ainda que não foi celebrado qualquer acordo para regularização das dívidas, nem tão pouco qualquer pendência judicial que permita adiar o problema. Perante isto, o emblema de Sacavém remete para o regulamento, que determina que o preenchimento da vaga de um clube que não reúne os requisitos deve ser «efetuado por outro clube inserido na mesma associação distrital ou regional, que se tenha classificado até ao 4.º lugar da principal competição distrital, tendo este que cumprir os pressupostos de acesso à prova».

O Sacavenense ficou em 2.º lugar no Campeonato Distrital da 1.ª Divisão - atrás do Real Sport Club, que garantiu a promoção direta -, e por isso manifesta agora o interesse em participar no Campeonato de Portugal, garantindo desde já que cumpre todos os requisitos e que está em condições de apresentar toda a documentação exigível.

Alexandre Santos, presidente do Sacavenense (Foto: SGS)

A BOLA falou com alguns elementos do plantel do 1º de Dezembro, que embora tenham pedido que não fossem identificados, confirmaram a existência de salários em atraso. O assunto está entregue ao Sindicato de Jogadores, que confirmou ao nosso jornal que a época foi «marcada por incumprimentos salariais sucessivos, desde que o investidor que iniciou a época abandonou o projeto e agora se encontra, como se nada fosse, noutro clube». Embora não seja especificado, a referência é a Félix Kruger, agora líder da SAD do vizinho Sintrense.

A associação que representa os jogadores, liderada por Joaquim Evangelista, acrescenta ainda que «recentemente, após muita insistência junto da direção do clube, foi possível a regularização dos salários de março e abril à maior parte do plantel, embora ainda existam casos para resolver». Relativamente aos ordenados de maio e junho, o Sindicato diz que «ainda não existe nenhuma perspetiva de regularização».

A BOLA entrou em contacto com José Francisco Gomes, presidente do 1.º de Dezembro, que assegurou que o clube tem legitimidade para disputar o Campeonato de Portugal. «Pagámos março e abril na totalidade. O plantel está de férias há dois meses. Estamos a falar com o Sindicato e vamos pagar tudo o que tivermos de pagar por lei, através de um plano de pagamento. Esta semana vamos voltar a reunir com o Sindicato», explicou.

José Francisco Gomes, presidente do 1.º de Dezembro (foto: Facebook)

Questionado sobre o licenciamento, o presidente garantiu que foi «tudo tratado». «A Federação Portuguesa de Futebol esteve sempre a par de tudo, sabe a reunião que tivemos com o Sindicato. Submetemos o licenciamento, e a tempo. Estava tudo à espera que não entregássemos, mas entregámos», acrescentou José Francisco Gomes, que associou a situação «à tempestade que surgiu entre a saída de um investidor e a entrada de outro». «O clube está a reerguer-se. Neste momento a situação está resolvida e estável. Vamos honrar todos os compromissos, como sempre», referiu ainda o dirigente, crente na participação no Campeonato de Portugal. «Desejo ao Sacavenense as maiores felicidades, enquanto instituição e enquanto clube», finalizou.

De referir que uma eventual despromoção do 1.º de Dezembro ao campeonato distrital teria impacto na equipa B do clube, que está precisamente no escalão inferior, e teria de descer também um degrau.

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