Nem racismo, nem violência no futsal: Pedro Proença contornou temas quentes
Nem uma palavra. Pedro Proença furtou-se a comentar os temas quentes mais recentes do desporto português. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) está esta sexta-feira em Leiria, para participar num conjunto de iniciativas que visam ajudar o distrito e os respetivos clubes na sequência da depressão Kristin, mas, instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre toda a polémica relacionada com o alegado caso de racismo ocorrido no último embate entre Benfica e Real Madrid, para a UEFA Champions League, bem como acerca dos atos de violência registados ontem, antes do início do dérbi de futsal entre Sporting e Benfica, o líder máximo da FPF, preferiu não responder.
Os profissionais da Comunicação Social que se deslocaram à Câmara Municipal de Leiria, onde decorreu a assinatura do protocolo entre a FPF, a autarquia local e a AF Leiria, não pouparam esforços para tentarem obter as naturais reações de Pedro Proença, já que estamos na presença de situações de gravidade extrema e que careciam de uma reação do responsável máximo federativo, mas Proença não cedeu e manteve-se em silêncio.
As únicas palavras do presidente da FPF foram proferidas no interior da sala onde decorreu a iniciativa, sendo que, nessa altura, Pedro Proença reforçou o apoio do organismo aos clubes de Leiria. Cidade que, recorde-se, vai receber a Seleção Nacional no próximo dia 10 de junho, naquele que será o último jogo particular do conjunto orientado por Roberto Martínez antes da participação no Mundial deste ano.
«No dia 10 de junho, por ocasião do último jogo da Seleção Nacional antes da partida para o Campeonato do Mundo, vamos ter novo momento de espírito de cooperação com a cidade de Leiria, sendo que parte das verbas reverterá para os clubes que aqui estão neste distrito. Ao longo destes tempos, vamos realizar um conjunto de iniciativas que possam minimizar o que tem sido o esforço para este processo de retoma. Estamos todos empenhadíssimos para que o mais rapidamente possível possamos ter o restabelecimento da normalidade. Estivemos no terreno e sabemos das dificuldades existentes ao nível das infraestruturas, nomeadamente do saneamento básico e da eletricidade, mas por parte da FPF quero reforçar que estamos presentes num momento de dificuldade. O futebol português e os portugueses estão com Leiria e com estes 16 municípios. Aproveito ainda para deixar uma palavra de apreço e de grande elogio ao trabalho extraordinário que tem sido feito pelo presidente da Câmara Municipal de Leiria, uma pessoa do terreno, que já conhecemos há muito tempo. É um município que acredita muito no desporto, que investe muito no desporto, e não me espanta a forma como o presidente da autarquia tudo tem feito para que o movimento associativo possa reerguer-se. Queremos, por isso, dizer à Câmara Municipal de Leiria e à Associação de Futebol de Leiria que podem contar com uma FPF solidária e sempre junta para que consigamos reerguer tudo o que foi devastado por esta calamidade», salientou Proença.
Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria, voltou a agradecer os esforços da FPF e deixou a garantia de que o Estádio Dr. Magalhães Pessoa terá as condições mínimas exigíveis para receber a seleção portuguesa.
«Esta presença da Federação Portuguesa de Futebol, hoje, em Leiria, é um estímulo, não só para a Associação de Futebol de Leiria, mas também para a autarquia. É a segunda vez em três semanas que a delegação da FPF está em Leiria e tem plena noção do que foi a tragédia que vivemos com a tempestade Kristin. A presença da FPF é um bom sinal para reeguermos o nosso concelho na parte desportiva. E o facto de Leiria ter sido escolhida para a realização do jogo da Seleção Nacional no próximo dia 10 de junho é também para nós um grande desafio, porque o estádio de Leiria, um dos melhores do País, também foi bastante atingido. A FPF, felizmente, tem tido a sensibilidade e o envolvimento, e vai continuar a acreditar no desporto na nossa região e estamos muito agradecidos. Jogo no dia 10? Vamos fazer um esforço, estamos já em contacto com empresas de construção. É uma obra avultada, talvez não tenhamos um estádio a 100 por cento relativamente ao que era antigamente, mas terá condições para receber a Seleção. Esse vai ser o nosso esforço nos próximos meses, vai ser uma corrida contra o tempo. Há material que tem que vir do estrangeiro, é uma obra significativa, mas vai ser um símbolo daquilo que é reerguer Leiria», referiu o autarca da referia cidade do Centro do País.