Margot Simons faleceu aos 18 anos - Foto: Instagram/Comité de ski de Savoie
Margot Simons faleceu aos 18 anos - Foto: Instagram/Comité de ski de Savoie

Pais de esquiadora que morreu em evento da Red Bull avançam com queixa

Margot Simond, de 18 anos, perdeu a vida em abril de 2025, na sequência de um acidente durante um treino no Alpine Park, em Val-d'Isère

Dez meses após a morte da filha Margot, de 18 anos, num acidente de esqui durante um evento em Val-d'Isère, Alexis e Sandrine Simond decidiram apresentar queixa contra a organização.

Em entrevista ao L'Équipe, os pais da jovem atleta partilham a dor e as dúvidas que rodeiam a tragédia: «Desde o início que sentimos que o que aconteceu lá em cima não foi normal».

Recorde-se que a jovem esquiadora, de 18 anos, perdeu a vida em abril de 2025, na sequência de um acidente durante um treino no Red Bull Alpine Park, em Val-d'Isère. Os pais decidiram agora apresentar queixa contra os organizadores do evento, quebrando o silêncio sobre as circunstâncias que, segundo os próprios, permanecem por esclarecer.

O casal relata que, imediatamente após o acidente, sentiu uma tentativa de silenciamento. «Logo na noite do acidente, os jovens que participaram no evento, os rookies como lhes chamavam, receberam ordens para não falar», explica Sandrine.

Alexis acrescenta que a narrativa geral era de isenção de responsabilidades: «Depois das condolências, era 'a culpa não é nossa'.»

As suspeitas da família adensaram-se com as primeiras interações com os envolvidos. O serviço de pistas de Val-d'Isère informou-os de que não tinha sido contratado para garantir a segurança do evento, apenas para os socorros, por se tratar de uma iniciativa privada.

Clément Noel, coorganizador e campeão olímpico de slalom em 2022, terá dito aos pais: «Apresento as minhas condolências, mas sabem, o esqui é perigoso». Sandrine lamenta a falta de empatia: «Não tivemos qualquer expressão de arrependimento por parte da organização».

Lucas Perrier, o outro coorganizador e membro do mesmo clube de Margot, Les Aillons, nem sequer os contactou. Por sua vez, Nicolas Sarrabay, da Red Bull France, que patrocinou o evento com mais de 200 mil euros, terá chorado ao telefone, admitindo não perceber nada de esqui. Devido a estas reações, os pais recusaram um encontro posterior com a Red Bull e os organizadores, optando por proteger-se.

Sandrine Simond revela que, ao saber da notícia, imaginou de imediato que o acidente teria ocorrido num módulo específico - a entrada de um túnel estreito após um salto. A mãe da atleta confessa que, embora temesse uma lesão, como num joelho, nunca pensou que existisse um risco de vida.
«Se soubéssemos que na edição anterior ocorreram dois acidentes, incluindo um traumatismo craniano, nunca teríamos deixado a nossa filha ir. Ela foi ingénua e confiou na organização. Foi apanhada numa armadilha. O risco não era aceitável», desabafou.

Margot Simond estava a viver uma «época excecional» e preparava-se para entrar na seleção francesa. Os pais, que sempre apoiaram as suas escolhas, sentem que a filha foi traída por um evento que se apresentava como «festivo e lúdico».

A decisão de apresentar queixa surgiu após uma conversa com os CRS de Albertville, especialistas em montanha que estão a conduzir a investigação. «Ficámos surpreendidos ao ver que os módulos foram desmontados muito rapidamente. Gostaríamos que tivesse sido feita uma perícia em tamanho real», conclui Sandrine Simond.

Os pais de Margot Simond, a jovem esquiadora que perdeu a vida num acidente, apresentaram uma queixa formal por sentirem que o que aconteceu «não foi normal» e querem que «a verdade seja estabelecida». Revoltados, os pais da atleta, Alexis e S. Simond, procuram agora que a justiça apure todas as responsabilidades.

A família critica a rapidez com que os módulos da pista foram desmontados após o acidente, o que impediu uma perícia no local. «Teria sido bom dar um pouco mais de tempo», lamentou Sansdrine, recordando a resposta do procurador de Albertville, que lhes garantiu que «as medições foram feitas».

No centro da controvérsia está um obstáculo específico da prova: um salto seguido de um túnel. Sandrine Simond descreve-o como «uma loucura» e uma «ratoeira», sublinhando que o risco era «inaceitável». Independentemente da causa - um erro de viragem, excesso de velocidade ou desequilíbrio -, a consequência era fatal.

A família cita a própria apresentação do evento feita por Noel, um dos organizadores, que descrevia o percurso como uma escolha entre uma linha segura e uma «linha audaciosa» que implicava «um salto de dez metros de comprimento que te envia para um túnel onde, mal há espaço para dois».

Os pais refutam veementemente as sugestões de que Margot teve culpa ou foi demasiado rápida. «Uma velocidade tem de ser materializada. Não lhe iam dizer pelo rádio: 'abranda'. E um obstáculo protege-se. Em todas as pistas há colchões, redes», afirma Sandrine.

Margot, conheço-a melhor que ninguém: ela não cometeu nenhum erro. Que não me venham dizer que ela fez asneira

Alexis Simond considera as especulações «de uma estupidez inaudita» e «abjetas». «Quero devolver a dignidade à minha filha», desabafa, descrevendo a dor, a raiva e o sentimento de abandono: «É uma fuga geral, uma forma de cobardia, porque é disso que se trata».

«Conheço a Margot melhor do que ninguém: ela não cometeu nenhum erro. Que não me venham dizer, como ouço, que ela fez asneira. Eles mentem, mentem, mentem. Estou num estado de raiva e combatividade absolutos», declarou o pai da jovem falecida.

Recorde-se que Margot foi campeã de França de slalom sub-18 em 2025 e vice-campeã de super-G em 2023. O pai critica a «pretensão» de querer «reinventar o esqui de slalom», defendendo que «o esqui é belo quando há pureza no gesto».

No final, o que a família espera é simples: «Que a justiça faça o seu trabalho e que cada um assuma as suas responsabilidades». A convicção dos pais é clara: «Pensamos que a Margot foi vítima de incompetência e irresponsabilidade».

A mãe encontra algum consolo nas caminhadas, que lhes permitem recordar a filha de uma forma mais serena. No entanto, a dor continua muito presente no dia a dia.

«O que nos ajuda muito é caminhar, em Chartreuse ou em Beaufortain, conseguimos pensar nela de uma forma um pouco mais serena. Não consigo olhar para uma fotografia. Não consigo entrar no quarto dela, obviamente. Acho que a mala dela ainda lá está aberta. É avassalador, ainda está tudo tão próximo. Penso que perder um filho, nestas circunstâncias, é a pior experiência da condição humana», partilhou S.S.