Rui Costa apresentou Marco Silva como novo treinador do Benfica a 12 de junho último (SL Benfica)
Rui Costa apresentou Marco Silva como novo treinador do Benfica a 12 de junho último (SL Benfica)

Rui Costa: o balanço do primeiro ano após a reeleição no Benfica

Das promessas desportivas às financeiras, os principais eixos que validaram o mandato em curso; o que de mais importante foi feito e o que falta concretizar; da Champions falhada à contratação de Marco Silva

Faz este domingo um ano que Rui Costa foi reeleito presidente do Benfica para o quadriénio 2025-29. Depois de uma primeira volta com seis candidatos — Martim Mayer (2,1%), João Diogo Manteigas (11,48%), Cristóvão Carvalho (0,18%), Luís Filipe Vieira (13,86%), João Noronha Lopes (30,26%) e Rui Costa (42,13%) —, a segunda volta colocou frente a frente o então presidente em exercício, que encabeçava a lista B, sob o lema Só o Benfica importa, diante do opositor mais votado, João Noronha Lopes, cabeça de cartaz da Lista F, que tinha o Benfica acima de tudo como divisa e sujeitava-se pela segunda vez ao juízo dos sócios do Benfica após a derrota frente a Luís Filipe Vieira (62,59%) nas eleições de 2020, então com 34,71% das preferências. A votação decorreu a 8 de novembro e a tomada de posse já na madrugada de 9.

VOTAÇÕES HISTÓRICAS

Se a primeira volta do sufrágio, que decorreu a 25 de outubro, já tinha feito história, catapultando o Benfica para um recorde absoluto no futebol mundial a nível de participação eleitoral, com a presença de 85.442 sócios nas urnas, fulminando o recorde estabelecido pelo Barcelona em 2010, com 57.088 votantes, a segunda conseguiu ser ainda mais aglutinadora, numa mobilização associativa sem precedentes na história: foram 93.891votantes nas 108 secções de voto disponibilizadas em Portugal e no estrangeiro.

João Noronha Lopes e Rui Costa travaram o duelo final na segunda volta

Tamanha afluência parecia deixar o resultado em aberto, mas, percebeu-se depois pelos resultados, acabou por vincar preferência clara por Rui Costa, que triunfou com números expressivos: 65,89% contra os 34,11% de Noronha Lopes.

PROMESSAS DESPORTIVAS

A escolha dos sócios do Benfica não deixara margem para dúvidas, uma larga maioria dera aval à continuidade do projeto de Rui Costa, que pretendeu responder às críticas que vinham do mandato anterior e ainda da era-Luís Filipe Vieira.

Por isso se lia no programa eleitoral de Rui Costa que era preciso dar prioridade ao primado desportivo, ou seja, priorizar o sucesso dos resultados em campo sobre as demonstrações financeiras, ou até mesmo a retenção de talento, que passaria pela redução da necessidade de venda de ativos para promover o aumento do tempo de permanência dos principais jogadores no plantel, já para não falar da clássica aposta na formação, agora sob a bandeira de um mínimo de 8 jogadores formados no clube junto da equipa principal.

Obrigatória, claro, a participação anual na Liga dos Campeões, tanto no futebol masculino como feminino.

O QUE ESTÁ POR CUMPRIR

Um ano depois, ainda estão por cumprir vários desígnios promovidos por Rui Costa neste campo. Não tem havido sucesso nos resultados da equipa principal, que na temporada passada falhou o acesso à qualificação para a Liga dos Campeões, com as consequências financeiras que daí advieram, retirando aos cofres encarnados dezenas de milhões de euros sempre necessários para equilibrar os gastos com o plantel principal — e cuja falta dificilmente evitará que o Benfica venda alguns dos principais ativos no final da campanha em curso.

A questão de aumentar a permanência de jogadores no plantel também não está demonstrada, ainda para mais depois de se ter percebido neste verão que uma larga maioria dos reforços de 2025/26 foram despachados das opções de Marco Silva, este, sim, um ponto muito positivo no mandato de Rui Costa, com o futebol que já colocou a equipa a praticar nestes primeiros meses na Luz, após ter sido apresentado oficialmente a 12 de junho.

Rui Costa e José Mourinho na apresentação do Special One na Luz

Isto depois da desilusão que foi José Mourinho, que nunca convenceu o tribunal da Luz, tornando-se pedra no sapato que o Real Madrid resolveria sem quaisquer culpas para a SAD de Rui Costa, que nada podia fazer perante o interesse do colosso espanhol no regresso do Special One ao Bernabéu. Abriu-se, assim, a possibilidade de se iniciar (outra vez…) nova era no comando técnico do futebol profissional.

Cumprida está a ser quase na totalidade a questão da formação, com a presença de vários jovens made in Seixal no plantel principal e com a renovação dos campeões da Europa e do Mundo sub-17 por Portugal, casos de Banjaqui, Anísio, José Neto, Rafael Quintas, Stevan Manuel ou Tomás Soares.

FINANÇAS E INFRAESTRUTURAS

Pontos sempre fundamentais em qualquer programa eleitoral, e para mais num clube com a dimensão do Benfica, são os relacionados com as finanças e infraestruturas.

No primeiro, ficou a promessa de fazer crescer de forma muito substancial a receita anual consolidada do clube, passando-a dos 300 para os 500 milhões de euros nos próximos cinco anos, tal como reafirmado pelo vice-presidente da SAD e do clube, Nuno Catarino, em março, aquando da apresentação do plano estratégico que contempla reforço das receitas comerciais e maior controlo dos custos operacionais, isto entroncado, também, na premissa de reduzir a dependência das vendas de jogadores.

A redução do passivo no montante de 100 milhões de euros foi outro objetivo assumido na campanha, mas a falta de sucesso desportivo e a ausência da receitas da Champions não ajuda ao cumprimento desse desiderato.

O último relatório e contas anual, apresentado em setembro passado, contempla redução do passivo total em cerca de €8,5 M, para um total, ainda muito elevado, de €474,8 M. O caminho faz-se caminhando…

O projeto do Benfica District

A nível das infraestruturas, o projeto do Benfica District atraiu atenções durante a campanha, foi espécie de bandeira da atual Direção, mas não tem colhido muita atenção junto dos adeptos, sobretudo dos que preferem ver o Benfica centrar-se na sua missão, vencer nos relvados, quadras, pavilhões e pistas, e não em projetos de imobiliário na ordem das centenas de milhões de euros, ainda que contemplando uma Arena multiusos e toda a requalificação do Estádio da Luz e da área envolvente.

O projeto está a avançar e, há cerca de uma semana, Nuno Catarino reforçou isso mesmo, dando conta de que o Benfica District está «nas últimas fases de licenciamento» e que «há o compromisso da Câmara Municipal de Lisboa para que o projeto aconteça».

A bom ritmo segue o trajeto rumo à meta dos 500 mil sócios — já eram cerca de 440 mil no início deste ano —, mas, com a renumeração que está a decorrer, que pode ditar a exclusão de associados com quotas em atraso — está a decorrer o processo para pagamento das mesmas até esta segunda-feira — será feita em breve nova atualização e o número pode baixar.

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